Nem Vendo Se Acredita

História do Zé Carioca, de 1981.

Quando lê revistas demais do Morcego Vermelho, o Zé se transforma no Morcego Verde e sai dando os seus pulinhos pela Vila Xurupita. Se ele resolve um caso ou prende um bandido, é por mera coincidência, e hoje não vai ser diferente. “Diferente”, sim, e surpreendente, será o final da história.

Curiosamente, depois de criar o personagem, foram poucas as histórias de papai para ele. Em compensação, vários outros autores não hesitaram em adotá-lo, com resultados variados. Já o charmoso cachorrinho Soneca será mais uma vez um misto de narrador da história, assistente de super herói e cão de guarda.

A trama colocará o Zé “entre a cruz e a espada”, por assim dizer: de um lado, ele se vestiu de herói em uma tentativa de despistar a Anacozeca, que está atrás dele para tentar cobrá-lo. De outro, se vê às voltas com o vilão Tião Medonho, um enorme pássaro bicudo de dois metros de altura e máscara ao estilo Irmãos Metralha que detesta heróis.

A cada vez que ele consegue fugir de um, é (quase) capturado pelos outros, e vice-versa. E é nesse acidentado “pingue-pongue de herói” que a história vai caminhando para o seu desfecho.

Interessante é a menção ao Brejo da Tijuca, para onde o Zé foge de seus perseguidores. Mais uma vez, papai demonstra seus conhecimentos sobre o Rio de Janeiro e tenta ensinar alguma coisa ao leitor. Quando se pensa nessa região da Cidade Maravilhosa, o mais comum é lembrar da Floresta da Tijuca, ou da Barra da Tijuca. Mas a verdade é que o nome do local, de origem indígena (“TY YUC”), significa “água podre, charco ou brejo”, e se refere às lagoas da atual Barra.

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Delícias De Um Acampamento

Acampar foi uma das coisas que nossa família fez uma vez ou duas nas férias de verão nos anos 1970, especialmente em viagens ao Rio de Janeiro, até a triste noite na qual o Camping inteiro, que ficava na Barra da Tijuca, foi varrido do mapa por uma tempestade tropical daquelas, em 1977.

Esta história do Peninha, publicada em 1978 e ambientada num Camping na “Barra do Tijuco”, retrata bem as nossas desventuras na “natureza selvagem”.

Patos demais, barracas de menos, condições um pouco rústicas demais, um puma selvagem, uma tempestade daquelas, mosquitos e estrada intransitável. É claro que papai exagera bastante os fatos, para adicionar graça à desventura dos patos.

Em todo caso, a história também retrata a desconfiança que as pessoas da cidade, acostumadas às suas residências de alvenaria, água encanada e demais confortos têm dos “perigos” de uma estadia rústica num acampamento, mesmo que o preço seja mil vezes mais barato que ficar num hotel.

Pois é, pimenta nos olhos dos outros é refresco, como se diz por aí. Para terminar a história real, após juntarmos nossas coisas de qualquer jeito e sairmos de carro do Camping devastado pelo vento e pela chuva, acabamos encontrando refúgio num hotelzinho no Recreio dos Bandeirantes, para onde voltamos várias vezes nas férias dos anos seguintes.