Surpresa na Festa Surpresa

História da Patrícia, de Ely Barbosa, Publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 21 em julho de 1988.

Festas de aniversário organizadas “à revelia” do aniversariante, ou seja, de surpresa, são terreno fértil para mal entendidos e confusões de todos os tipos. Exatamente por causa disso, elas costumam se transformar em eventos tragicômicos.

A coisa mais fácil é o aniversariante pensar que está sendo ignorado e ficar magoado, ou simplesmente não comparecer porque não foi convidado, ou algo assim.

Aqui papai combina o comportamento característico de “pestinha estraga prazeres” do Terremoto quando é contrariado (algo que os Metralhinhas de papai também faziam) com o comportamento esquecido e apatetado da Patrícia (como na história do Pateta comentada recentemente) para um efeito hilário.

Mas engraçado, mesmo, e um pouco improvável, é o aniversariante se esquecer do próprio dia de nascimento. É nesse momento que até o Terremoto fica um pouco “pateta” também. Em todo caso, papai usa o “esquecimento” do Terremoto e a suposição dele de que a festa é para o Beto, o menino popular da turma, para brincar com o leitor e semear uma pista para aqueles que estão prestando atenção.

Afinal, se o Beto está esperando pelo aniversariante juntamente com os outros convidados, então chega-se à fácil conclusão de que a festa não é para ele. E se não é para ele, para quem é a festa que o pestinha está tentando estragar?

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O Outro

História do Terremoto, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista Patrícia em Quadrinhos número 3, de novembro de 1987.

Na lista de trabalho consta que a ideia foi de minha mãe, mas esta história também se parece bastante com “O Irmão Gêmeo do Biquinho”, escrita em 1984 e publicada no mesmo ano de ’87. É uma variação sobre o mesmo tema.

Como na outra história, esta também tem toques de temas como o “gêmeo mau” (e bem mau, diga-se de passagem) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”. O Terremoto chega até mesmo a ser perseguido pelas traquinagens do “outro”, e a pensar que está endoidando, mas só se encontrará com ele, oficialmente, no último quadrinho.

Mas ao contrário do Biquinho, que queria um gêmeo para poder “aprontar melhor”, o Terremoto só queria outro tipo de vida, com menos responsabilidades, e não exatamente um companheiro de traquinagens. Daí o choque.

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A Escalada

História da turma da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 5 em dezembro de 1987.

Ela é inspirada em duas histórias Disney do início dos anos 1980: “Escalando a Duras Penas” e “A Montanha Enfeitiçada”, já comentadas aqui.

Da primeira história papai aproveita a noção da “montanha que nunca foi escalada” e da “informação requentada”. Neste caso o problema não é uma reportagem mal feita, mas sim a revista de alpinismo em si, que já é antiga. Da segunda, papai adapta o nome da montanha de “Pico do Rola-Rola” para “Pico do Caio Rolando”.

Mas hoje não veremos bruxarias ou pássaros hostis. O grande obstáculo é mesmo a montanha em si, apesar dos esforços dos meninos e dos engenhosos equipamentos adaptados pelo Sócrates, o inventor da turminha.

E o “crime” que levará os meninos à derrocada final é a insistência em excluir as meninas das brincadeiras sob a premissa de que existiriam “brincadeiras de menino” e “brincadeiras de menina”. O que existe são vários métodos diferentes de se subir e descer de uma montanha. Desde que adaptados às intenções e às capacidades físicas de quem participa da aventura, todos são válidos.

Nem todo mundo precisa fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, nem achar que somente um jeito de fazer uma coisa está certo, ou que todos os outros tenham de fazer aquela coisa daquele exato mesmo jeito. O que importa é alcançar o objetivo de maneira honesta, e se divertir.

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Beto Bom de Bola

História da Patrícia, de Ely Barbosa, composta em janeiro de 1988 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia 17 em maio do mesmo ano.

Consta, na lista de trabalho, que esta história foi devolvida para reformulação por duas vezes, até chegar a ficar do agrado do editor. Ela mistura o tema das brincadeiras infantis de outrora, que papai gostava de trabalhar com a Turma da Patrícia, com lembranças da infância do próprio autor e uma referência à cultura popular.

Para começar temos essa “modernidade” na promoção de uma ideia de igualdade na qual não existe brincadeira “de menino” ou “de menina”: o time de futebol que a turminha reúne para jogar (com bola de meia, em outra referência às antigas brincadeiras) com uma turminha rival é composto por meninos e meninas, lado a lado, e conta inclusive com um sapo no gol.

E é nesse ponto que entra a lembrança de infância de papai. Ao escalar o sapo Urucubaca para o gol, com o comentário de que “ele é baixinho, mas pula que é uma beleza”, ele está lembrando da própria trajetória pelos gramados: enquanto jogava no futebol infantil, foi um ótimo goleiro. Mas quando foi preciso fazer a transição para o gol de tamanho oficial, faltaram-lhe alguns centímetros de altura que nem mesmo a agilidade nos pulos conseguiu compensar.

Já o título da história é uma referência à música popular brasileira, e a um episódio polêmico que ocorreu no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967: ao defender sua canção intitulada justamente “Beto Bom de Bola“, composta em homenagem ao jogador Roberto Hermont Arantes, o compositor Sérgio Ricardo foi vaiado pelo público e, irritado, quebrou seu violão no palco.

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Operação Resgate

História da Patrícia, de Ely Barbosa, composta em maio de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 3 em novembro do mesmo ano. A anotação na lista de trabalho registra que a ideia foi de minha mãe.

O interessante, aqui, é que a Patrícia fala com os animais. Há uma história de outro autor na mesma revista que também revela esta característica da personagem, o que me faz pensar que é algo pensado pelo próprio Ely, mas que parece ter caído em desuso com o tempo.

Sempre prestativa, a menina só pensa em ajudar. O problema é que essa boa vontade toda só vai levar a mais confusão, em uma espiral crescente de complicações.

A mensagem para as crianças é clara: “não tentem isso em casa”. Pode até ser fácil subir na árvore para tentar buscar o gatinho, mas descer pode se tornar um problema para todos os envolvidos.

Surpreendentemente, é o Terremoto quem tem a ideia salvadora e faz a coisa certa: ele chama os bombeiros, que é o que toda criança deve fazer ao ver um gatinho em apuros.

Mas, para efeito da história em quadrinhos, esta boa ação não livrará o pestinha de um castigo por ter (em um primeiro momento) deixado os coleguinhas em cima da árvore sem oferecer ajuda.

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A Mãe do Mato

História da Patrícia, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia número 1 em outubro do mesmo ano.

Um dos temas que papai gostava de explorar para os personagens com os quais trabalhava era o folclore brasileiro, como lendas indígenas, por exemplo. Hoje temos a “Mãe do Mato”, que em alguns casos é apenas outro nome dado ao Curupira, mas que em Macunaíma, de Mário de Andrade, é caracterizada como uma Rainha Amazona, da tribo de mulheres indígenas que fez os exploradores europeus batizarem parte da região norte do Brasil em homenagem às Amazonas da mitologia grega.

Mas por ser uma história infantil, papai toma um terceiro caminho para este personagem, enquanto mantendo-se fiel à essência do mito, que trata de um espírito protetor da fauna e da flora contra a exploração predatória. Aqui, a entidade protetora toma a forma de uma enorme árvore animada que comanda outras árvores do mesmo tipo em um esforço para atrair a Patrícia até o centro da floresta e pedir socorro contra um madeireiro ilegal.

A prática denunciada pela Mãe do Mato de papai é, aliás, algo muito real e muito comum entre os madeireiros ilegais em nossas florestas.

Patricia Mato

A revista Patrícia 1 contém outras duas histórias escritas pela família: “Uma Charada Diabólica” é de autoria de minha mãe, Thereza Saidenberg, e trata de charadas e ditos populares com uma pitada de situação insólita.

Patricia charada

A outra história nesta revista com autoria conhecida é minha, “Robô Trapalhão”, criação de um personagem robô que causa confusão por causa de uma programação mal feita.

Patricia robo

Papai colocou as duas histórias em sua lista de trabalho por causa de pequenas correções e adaptações que fez (com a nossa permissão, é claro, afinal, esse era um trabalho em equipe) quando elas voltaram da redação para serem reformuladas.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Noite de São João

História da Patrícia, personagem de Ely Barbosa, escrita em dezembro de 1987 e publicada na revista Patrícia em Quadrinhos número 18 em junho de 1988 pela Editora Abril.

É Noite de São João, e a Patrícia convida sua turminha para uma festa na fazenda do pai dela. Mas enquanto a maioria das crianças prepara a festa e as brincadeiras, o Terremoto (o pestinha da turma) faz planos para tentar dar sustos na turma e estragar a diversão dos outros.

 

 

Assim, enquanto os meninos acendem a fogueira, as meninas vão planejando as adivinhações tradicionais para se saber com quem se vai casar, como a da clara de ovo no copo, ou a da faca na bananeira. Até “causos” de assombração e lobisomem as crianças escutam, contados por um dos peões da fazenda.

Patricia sao joao

A história é mais um resgate das antigas tradições juninas do que outra coisa. Até mesmo as tentativas do vilãozinho de pregar peças nas outras crianças, com coisas como a “caveira de mamão” com uma vela dentro, estão de acordo com os costumes da noite.

Patricia sao joao1

É certamente uma lembrança da infância de papai na fazenda, e da magia das festas juninas de outros tempos.

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