Quem Tem Medo Do Bicho-Papão?

História do Morcego Vermelho, de 1978.

Como toda boa trama de terror (e de “terrir” também), esta história começa com uma paz enganadora. O nosso herói conseguiu vencer e mandar para a cadeia todos os bandidos de Patópolis. Isso é uma coisa boa, é claro, mas também deixa o personagem principal sem ter muito o que fazer.

Mas como esta não é uma história do Pena Kid, quando a paz for quebrada, será em grande estilo. (Eu disse “grande”?) É que “grande”, na verdade, é só o estilo, mesmo. O vilão da vez até que é bem pequeno.

Para o leitor atento vai ficar claro de imediato que não é nenhuma alucinação. Resta tentar adivinhar, então, quem, ou o que, é esse “Bicho Papão”. Pelo tamanho, poderia ser o bruxinho Peralta transformado, ou até mesmo um produto de sua maleta de monstrinhos. Mas qual interesse ele teria no Morcego Vermelho? Ou talvez seja alguma criação robótica de algum dos gênios do mal que o Morcego prendeu? Uma coisa é certa: seres sobrenaturais, como monstros, seres mitológicos e assombrações não existem. Ou será que existem?

Quando a “pulga atrás da orelha” do leitor já está coçando bastante, papai começa a jogar mais pistas nas páginas. A insistência do bicho em sugerir que o herói abandone a carreira é a principal delas. E o fato de na verdade serem três os monstrinhos lembra bastante as histórias do Zorrinho. Só que os sobrinhos do Donald podem ser um pouco levados de vez em quando, mas não cometeriam uma agressão dessas. Assim, quem eles poderiam ser?

A resposta, é claro, será revelada na última página, depois de uma intensa troca de sopapos entre os bons e os maus. Lembrem-se: foram os monstrinhos quem começaram a agressão, e para valer. Mas tenho a impressão de que esta história não seria aceita para publicação nos dias de hoje no formato em que está, justamente por causa da identidade dos vilões.

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Um Alfaiate Sobre Medida

História do Peninha, de 1978.

Para começar a comentar esta história, é primeiro preciso explicar que o erro de português no título é intencional. Muita gente costuma se confundir com os prefixos sob e sobre, tocando as bolas, e é a isso que papai se refere, com este título.

A música que o Peninha está cantando no primeiro quadrinho é uma valsinha do Luiz Gonzaga, que pode ser ouvida aqui.

Peninha costura

O fato é que o nosso pato fez um curso de corte e custura por correspondência, e resolveu abrir uma alfaiataria. Como fez a propaganda prometendo um terno grátis para o primeiro freguês, adivinhem quem fez a primeira encomenda? Pois é, o Tio Patinhas. Pelo menos ele teve o bom senso de dar o tecido para o terno, que é para o Peninha também não ficar no prejuízo.

Entre panos cortados de qualquer jeito, dedos cortados com a tesoura, e as costumeiras interrupções do Tio Patinhas (que não larga do pé nem fora da redação da Patada), ainda por cima o nosso alfaiate de primeira viagem também se vê às voltas com dois fugitivos da polícia, o Bigode e o Comprido.

No afã de se disfarçarem, os dois entram na alfaiataria do Peninha e exigem paletós novos, a serem feitos com o tecido do Patinhas, já que ele era o único disponível. Outra coisa comum que leva a erros na alfaiataria é quando o cliente não aceita a forma de seu corpo, e obriga o alfaiate a fazer as roupas para as medidas que ele acha que tem, como no caso dos nossos bandidos.

Peninha medidas

Depois de muita correria com a polícia, os paletós mal cortados acabam levando à prisão dos bandidos e são devolvidos ao Peninha pela polícia. O mais engraçado é que o paletó menor acaba servindo no Tio Patinhas, para a sorte do Peninha. Disso, aliás, podemos deduzir que o Tio Patinhas (e outros membros da Família Pato) tem exatos um metro e cinquenta de altura.

Agora só falta achar uma explicação para a existência do paletó maior, que ficou… “sobre medida” (ô trocadilho… kkk)

Peninha Patinhas

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Os Inomináveis

História de 1979, que nos proporciona uma rara visita ao interior da mansão do Tio Patinhas em Patópolis.

Os bandidos da vez são Bigode e Comprido. O baixinho até que é esperto, mas o segundo é tão burro quanto é grande. Eles se apresentam na redação da Patada como “detetives secretos”, e com isso acabam conseguindo acesso à mansão do milionário, sob pretexto de ajudar a desvendar o sumiço de um relógio.

A trama se baseia principalmente em uma série quase interminável de mal entendidos: o Peninha acredita nos bandidos, e acaba levando os dois à mansão do Patinhas. Donald e o tio acham que os dois são conhecidos do Peninha, e permitem a entrada deles.

E até mesmo o suposto roubo é um grande mal entendido. O clichê dos quadrinhos que dita que “o culpado é o mordomo” também se aplica, mas não do jeito que se poderia pensar.

Interessante é a plaquinha ao lado do portão da Mansão Patinhas. Proibir a entrada de ladrões é fácil, difícil é convencê-los a acatar a ordem.

mansao Patinhas