Que Rei Sou Eu?

História do Pena das Selvas, de 1983.

Este é o “duelo do século”: Pena das Selvas contra Barzan! O próprio Pena é inspirado no Tarzan, e se intitula o “Rei das Selvas”, como também era chamado o original.

A linha de raciocínio, aqui, parece ser um exercício de imaginação sobre o que poderia acontecer se o Tarzan viesse tirar satisfações com o Pena das Selvas pelo “plágio” aparentemente cometido. No duelo que se segue a turma da selva se divide em duas hilárias torcidas fanáticas.

Mas as referências para esta história são mais profundas do que pode parecer. Para começar, o título vem de uma antiga marchinha de Carnaval lançada em 1945 (eu disse que era antiga) por Francisco Alves, ou Chico Alves, para os fãs. Pelo sucesso que fez com seu vozeirão, o cantor chegou a ficar conhecido como “O Rei da Voz”. Nesta canção, ele parece ironizar o apelido.

Já a fala do Biquinhoboy, que diz “eu não quero nem olhar” é uma referência à atuação de Ary Barroso (sim, o mesmo compositor que criou a Aquarela do Brasil, que seria usada por Walt Disney no desenho animado de apresentação do Zé Carioca) como narrador de futebol na mesma época da marchinha de carnaval de Chico Alves.

Fã histérico do Flamengo, Ary Barroso muitas vezes se recusava a anunciar os gols dos adversários quando narrava os jogos do seu time do coração, ou se saía com essa de que “não queria nem olhar” quando seu time sofria um ataque, ou ainda chegava a desmaiar no meio da narração (que era mais torcida do que jornalismo, na verdade).

O problema era que, naquele tempo, as partidas de futebol eram transmitidas e narradas pelo rádio! Se o narrador não olhasse para o jogo e o descrevesse muito bem, como é que os ouvintes poderiam entender o que estava acontecendo em campo?

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Olimpíadas Na Selva

História do Pena das Selvas, de 1984.

Em 1984 tivemos os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Para marcar a ocasião, como era seu hábito, papai nos brinda com mais uma paródia.

Hoje não teremos nenhuma trama muito dramática, nenhuma pretensão épica, nem roubos de nenhum tipo, e muito menos episódios proféticos. Em compensação, vão sobrar graça e motivos para que o leitor ria desbragadamente.

A exemplo de algumas histórias sobre esportes do Pateta, esta também é um “manual” sobre como *não* se fazer algo.

E apesar de todos os esforços do Pena das Selvas, da Glorijane e do Biquinhoboy, nada, absolutamente, vai sair ao menos remotamente parecido com uma olimpíada de verdade.

A selva, decididamente, ainda não está preparada para sediar uma olimpíada. Isso, aliás, conhecendo meu pai como eu conheço, foi também uma crítica as pretensões do Brasil, que já existiam na época, de sediar um dia os jogos olímpicos.

E mesmo depois de tudo o que vimos nas Olimpíadas do Rio, quem há de dizer que o Brasil esteve mesmo preparado algum dia?

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Biquinhoboy, Meu Tesouro!

História do Pena das Selvas, de 1984.

Esta é a história de apresentação do personagem Biquinhoboy, criado por papai para ser um alter-Ego do Biquinho na turma da selva, do mesmo modo que o Biquinho participa das histórias do Peninha.

A diferença é que o Biquinhoboy é um adotado do Pena das Selvas, e não exatamente um sobrinho. É a coisa mais próxima de um filho que se vê em histórias Disney.

Considerando que o Pena das Selvas é uma mistura de Jim das Selvas com Tarzan, o Biquinhoboy é inspirado no filme “Tarzan e o Menino das Selvas” de 1968. Aliás, o próprio Biquinho é um patinho abandonado que foi criado por porcos-espinho, em alusão ao Mogli, criado por lobos, e ao próprio Tarzan, criado por macacos. Além disso, a menção a “meu tesouro” no título da história é uma alusão à história do Biquinho chamada “É a Fase”, de 1982, já comentada aqui.

O resto da história são sátiras dos antigos filmes de heróis da selva, juntamente com menções à cultura popular (na primeira página o Biquinhoboy está batucando “bum bum paticumbum prugurundum”, em uma referência a um samba-enredo da Império Serrano do ano de 1982) e até mesmo lembranças das brincadeiras de infância.

Quando as crianças se juntavam para brincar de mocinho e bandido, forte apache ou mesmo de aventura na selva, era comum que um “chefe” da brincadeira começasse a mencionar “leis” para a atividade, que geralmente eram inventadas na hora, à medida que a coisa toda ia se desenrolando, em um esforço de usar os outros para ganhar alguma vantagem.

Mas é claro que nem sempre os outros participantes da brincadeira aceitavam a tudo em silêncio, e acabavam encontrando maneiras de virar essas “leis” em favor de si mesmos.

As menções a Mbonga (Tarzan) e a Guran (Fantasma) servem para adicionar referências e também para dar pistas sobre que tipos de livros as crianças dos tempos de papai liam para depois ir brincar de faz de conta.

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Uma História Que Desanda

História do Pena das Selvas, criada em 1983 e publicada em 1987.

O título original de papai para esta história era “O Espírito Que Desandou De Vez”, certamente porque ela foi aparentemente criada para ser a última do Penado, O Espírito que Desanda, ainda que tenha sido na verdade apenas a segunda delas. A primeira já foi comentada neste blog.

Como vimos anteriormente, O Pena resolve se fantasiar de algo diferente para melhor poder bancar o herói, e acaba sendo confundido com um mítico herói “de verdade” cuja volta os nativos da selva esperam há séculos. Vimos também que este personagem foi inspirado em um clássico dos quadrinhos dos anos 1930: Fantasma (The Phantom), o Espírito que Anda.

Após ser chamado do pejorativo “herói de história em quadrinhos” pela Patrulha das Selvas, nosso atrapalhado herói se magoa e resolve se vestir novamente como um herói mais respeitado, e acaba sendo um pouco “respeitado demais”, quando a própria Patrulha o adota como fundador e chefe supremo. Mas isso, pelo menos, permite a ele desfazer a bagunça que causou na primeira página, mesmo que para tanto ele tenha precisado criar mais algumas confusões.

Penado Metralhas

O mais engraçado, e que ninguém se dá conta, nem o Pena e nem o leitor, é que, se ele vive sendo confundido com um “herói de verdade”, quem é esse herói, e onde ele está? A resposta “vem a cavalo” no final, depois que o Pena é desmascarado pela Patrulha e desiste de vez de bancar o Penado, na figura do próprio Espírito que Desanda, o tal que é esperado há séculos. (Coitado, que hora ele foi escolher para aparecer…) 😉

O Biquinhoboy atua nesta história meio como um comentarista, sempre observando as trapalhadas do tio de fora da cena e tecendo seus comentários, um mais engraçado que o outro. O alter Ego do Biquinho tem também uma participação mais ativa, quando salta das moitas fazendo como os meninos da época da infância de papai, imitando os filmes clássicos de mocinho e bandido do cinema, incluindo as falas, naquele inglês capenga de quem só ouviu, mas nunca leu ou estudou o Idioma do Bardo. (Sei que não precisa, mas aqui vai a “tradução” da fala do patinho: “Come on, boy! Hands up!”)

Penado Biquinhoboy

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Aviso aos navegantes: este blog não comenta desenhos. Meus comentários aqui dizem respeito somente aos argumentos/roteiros escritos por papai para suas histórias em quadrinhos. E acreditem, já há bastante o que comentar só nessa parte. Os desenhos das histórias de papai, via de regra, eram feitos por outros artistas, tão talentosos quanto, mas que não são o foco deste blog. Se o leitor quiser saber quem desenhou esta história, por favor acesse o link do Inducks, que fica na data de publicação da HQ, no início deste comentário.

Perdido Na Cidade Perdida

História do Penas das Selvas, de 1983.

Nosso herói tenta se exibir para o povo da selva e acaba caindo no rio, no fundo do qual encontra uma passagem para uma misteriosa cidade romana perdida na selva.

Ao contrário de outras cidades romanas perdidas que papai já colocou em suas histórias, esta é mais moderna, quase (mas mas não muito) civilizada, apesar do modo de vestir e das armas no estilo antigo. Também ao contrário de outras representações de romanos, a intenção aqui não é ensinar palavras em Latim, mas simplesmente brincar com o tema.

Assim, eles têm carros, circuitos de TV, na arena se joga futebol, e “alimentar os leões” não é exatamente o que pode parecer a princípio.

PdS romanos

Nemone, que é o nome da rainha do lugar, é uma alusão a uma outra rainha vilã de um clássico dos quadrinhos, Tarzan e a Cidade de Ouro (1933) de Edgar Rice Burroughs. Uma evidência disso pode ser a criação de leões da rainha em nossa história, que o Pena das Selvas acaba indo alimentar.

Nemone

E no meio disso tudo, agindo como um irritante elo de ligação que primeiro coloca, e depois tira o nosso herói de sucessivas encrencas, está uma cacatua verde, que chama o Pena de “boboca” o tempo todo. Provavelmente porque ela o faz de, bem, boboca, o tempo todo.