Beto Bom de Bola

História da Patrícia, de Ely Barbosa, composta em janeiro de 1988 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia 17 em maio do mesmo ano.

Consta, na lista de trabalho, que esta história foi devolvida para reformulação por duas vezes, até chegar a ficar do agrado do editor. Ela mistura o tema das brincadeiras infantis de outrora, que papai gostava de trabalhar com a Turma da Patrícia, com lembranças da infância do próprio autor e uma referência à cultura popular.

Para começar temos essa “modernidade” na promoção de uma ideia de igualdade na qual não existe brincadeira “de menino” ou “de menina”: o time de futebol que a turminha reúne para jogar (com bola de meia, em outra referência às antigas brincadeiras) com uma turminha rival é composto por meninos e meninas, lado a lado, e conta inclusive com um sapo no gol.

E é nesse ponto que entra a lembrança de infância de papai. Ao escalar o sapo Urucubaca para o gol, com o comentário de que “ele é baixinho, mas pula que é uma beleza”, ele está lembrando da própria trajetória pelos gramados: enquanto jogava no futebol infantil, foi um ótimo goleiro. Mas quando foi preciso fazer a transição para o gol de tamanho oficial, faltaram-lhe alguns centímetros de altura que nem mesmo a agilidade nos pulos conseguiu compensar.

Já o título da história é uma referência à música popular brasileira, e a um episódio polêmico que ocorreu no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967: ao defender sua canção intitulada justamente “Beto Bom de Bola“, composta em homenagem ao jogador Roberto Hermont Arantes, o compositor Sérgio Ricardo foi vaiado pelo público e, irritado, quebrou seu violão no palco.

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O Aniversário do Gordo

História do Gordo, de Ely Barbosa, composta em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista O Gordo e Cia número 12 mais tarde naquele mesmo ano.

Esta história é inspirada em duas mais antigas que papai fez para a Disney: Um Presente para Puff, de 1976 e O Aniversário do Tio Donald, de 1977, ambas já comentadas aqui.

Do Donald ele tira a noção da data de aniversário no dia 13, uma sexta-feira. Só não se sabe qual é o mês, mas a julgar pela época na qual a história foi composta, pode-se ter uma ideia sobre de onde veio a inspiração. (Se bem que, em 1987, o 13 de agosto não foi uma sexta-feira, mas sim uma quinta).

Já do Puff vem a questão dos presentes. Do mesmo modo como todo mundo acha lógico dar mel ao ursinho, o presente óbvio para o Gordo são as bolas, de todos os jeitos, tipos e tamanhos. Somente o Tio Bembém, o excêntrico, costuma presentear com outras coisas, como bonecas para um menino, por exemplo.

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Esse é o “problema” que dá início à história e também a solução no final de tudo, já que o Tio fará o papel do desavisado que salvará a pátria sem querer, como na solução da história do Ursinho, dez anos antes. Papai, aliás, deixa a pista (de modo consciente ou não) da inspiração na própria história:

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Mas aqui o presente “alternativo” não são roupas, e sim produtos de higiene pessoal, como loções e perfumes. No meu tempo de adolescente não havia ofensa pior: dar coisas como sabonetes e xampus, por mais finos e perfumados que fossem, era o mesmo que “mandar tomar banho” a alguém. Até ganhar um par de meias era menos humilhante do que isso.

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A Bola Maravilhosa

História do Gordo, publicada pela Editora Abril na revista O Gordo número 2 em 1987.

O personagem principal, menino ruim de bola, encontra uma bola “diferentona” no meio da rua e resolve ficar com ela. O resultado é que, misteriosamente, ao jogar com ela, ele repentinamente vira um craque.

A coisa toda lembra um pouco outro perna de pau das histórias em quadrinhos, o Zé Carioca, e uma história de 1972 chamada “O Craque”, onde o papagaio verde usa chuteiras tecnológicas para se dar bem em campo.

Como sabemos, nos quadrinhos a tecnologia e a magia são intercambiáveis, com resultados semelhantes. Assim, o objeto maravilhoso da vez será justamente a bola em si, que é na verdade um menino transformado por uma bruxa malvada. A primeira pista que papai dá ao leitor atento de que esta não é uma bola comum é a “reação” do objeto ao ser recolhido.

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Esta também lembra um pouco outra história do Zé, chamada “A Copa do Morro é Nossa”, de 1978, na continuação com o jogo contra a turma do Jarbas, no qual há toda uma negociação sobre as regras e a bola a ser usada, e também tem elementos de contos de fadas, na própria bola enfeitiçada e no método usado para desfazer o encanto.

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O Gazéteiro

História do Zé Carioca, de 1985.

Esta é mais uma daquelas histórias que estabelecem as origens do Zé Carioca, onde o papagaio malandro e seus amigos relembram os tempos de criança e contam como foi para o Zico e Zeca, os sobrinhos do Zé.

Uma coisa é ser criança e aprontar todas, e outra completamente diferente é ter fi… Ah, quer dizer, sobrinhos para criar, e ser responsável também pela educação deles. Não é só porque o Zé já aprontou todas quando criança que ele vai deixar que seus protegidos faltem à escola, assim, sem mais nem menos.

Na gíria brasileira, “gazeteiro” é a criança que falta às aulas para poder ficar mais tempo brincando despreocupadamente. Obviamente, não é isso que as famílias e professores esperam das crianças, e este é um costume extremamente mal visto.

O resgate de hoje das antigas brincadeiras das crianças de outros tempos é a bola de meia, brinquedo artesanal feito pelos próprios meninos com alguma ajuda de adultos. Um passo a passo para confecção de uma delas pode ser visto aqui.

O resto da história reconta o (um tanto traumático) primeiro dia de escola do Zé Carioca. Só não se sabe quem ficou mais traumatizado, o Zé ou seus professores e amigos. Ele, como sempre, narra os acontecimentos do jeito dele, enquanto o Nestor e o Pedrão vão dando a versão real.

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De resto, hoje também ficamos sabendo que o Soneca, o cãozinho do Zé, o acompanha desde que ele era pequeno. Quando mais novinho ele era certamente bem mais ativo do que o cãozinho que hoje em dia adora tirar uma soneca. Também, pudera: agora sabemos que ele já é bem velhinho.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook.

 

A Embaixada

Piada de uma página só do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1974.

Trata-se de uma piada de futebol das antigas, quando ainda existia a “bola do jogo”, que era uma só para o jogo todo. Só entrava outra bola em campo se algo muito grave acontecesse com a “bola do jogo”, como um furo na câmara de ar ou um chute para fora do estádio.

Junta-se a isso o nosso papagaio carioca no papel de um gandula folgado, com pretensões de “grande jogador”, e a piada está pronta:

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