Zé Bombeiro

História do Zé Carioca, de 1978.

Ao contrário do Donald e do Gastão, quatro anos antes, o Zé não se torna bombeiro voluntário por vaidade, ou somente para impressionar a namorada. Mas isso não quer dizer que ele esteja realmente afoito para combater muitos incêndios. Como quase sempre, ele se coloca na situação por falar demais.

Em todo caso, uma vez eleito, ele sinceramente e de boa vontade faz o melhor que pode e acaba ajudando de verdade a prender um incendiário piromaníaco que resolveu atacar o morro, mesmo sem conseguir sequer pronunciar a palavra “piromaníaco” direito. Ainda assim ele é parabenizado pelo chefe dos Bombeiros, que não é um chato como o chefe do Donald e do Gastão.

Interessante é a “Mansão do Nestor”, uma criativa barrica transformada em casebre. Isso me lembra vários contos de fadas que começam com pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que moram em velhas barricas. Há também a lenda do filósofo Diógenes, que também, dizem, morava dentro de um barril para expressar seu desprezo pelas riquezas materiais. Assim, nosso amigo corvo está em boa companhia na escolha de sua moradia.

Outra coisa legal desta história são os nomes de alguns coadjuvantes que papai inventou para terem seus barracos incendiados: João Cebola (assim como a casa do Zé parece ser feita de caixotes de sabão, será que a desse personagem é feita de engradados de cebola?), Toninho Estilingue e Chico Rapadura, além, é claro, do vilão Zé Foguinho. Todos eles são personagens de uma história só.

Enquanto isso, discretamente e nas entrelinhas, papai vai descrevendo a vida na favela mais alta do morro mais alto do Rio de Janeiro: falta água encanada, o que torna a mangueira emprestada ao Zé inútil, e também não há eletricidade que possa causar um curto circuito para iniciar um incêndio. São realmente condições bastante precárias de vida.

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Operação Resgate

História da Patrícia, de Ely Barbosa, composta em maio de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 3 em novembro do mesmo ano. A anotação na lista de trabalho registra que a ideia foi de minha mãe.

O interessante, aqui, é que a Patrícia fala com os animais. Há uma história de outro autor na mesma revista que também revela esta característica da personagem, o que me faz pensar que é algo pensado pelo próprio Ely, mas que parece ter caído em desuso com o tempo.

Sempre prestativa, a menina só pensa em ajudar. O problema é que essa boa vontade toda só vai levar a mais confusão, em uma espiral crescente de complicações.

A mensagem para as crianças é clara: “não tentem isso em casa”. Pode até ser fácil subir na árvore para tentar buscar o gatinho, mas descer pode se tornar um problema para todos os envolvidos.

Surpreendentemente, é o Terremoto quem tem a ideia salvadora e faz a coisa certa: ele chama os bombeiros, que é o que toda criança deve fazer ao ver um gatinho em apuros.

Mas, para efeito da história em quadrinhos, esta boa ação não livrará o pestinha de um castigo por ter (em um primeiro momento) deixado os coleguinhas em cima da árvore sem oferecer ajuda.

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Ser Bombeiro É Fogo

Em 1974 papai nos mostrava mais um dia de competição entre Gastão e Donald pela admiração da Margarida.

Donald vira bombeiro voluntário só para impressionar a Margarida, pois acredita que só será chamado em caso de um incêndio de verdade, e assim terá muito tempo para passear pela cidade fanta… quer dizer, uniformizado, para se exibir. Vendo isso, o Gastão resolve fazer o mesmo e se alistar também, só para chatear.

O que nenhum dos dois sabe é que a coisa é mais complicada do que parece. Para começar, o chefe dos bombeiros (outro chato) fica disparando o alarme só para testar a prontidão dos novatos. Por fim, quando a história já está quase tomando o rumo daquela fábula de Esopo na qual um menininho grita “Lobo!”, vem o alarme (e o incêndio) verdadeiro.

D&G Fogo

É interessante o uso que papai faz da famosa sorte do Gastão: ela vai certamente ajudá-lo durante o incêndio, mas não exatamente para apagá-lo, e nem será de grande valia para cortejar a Margarida. Nesse ponto o esforço e o valor do Donald, a representação do homem comum que não conta com nenhum “poder especial”, serão mais valiosos.

D&G Fogo1

A trama não tem grandes surpresas. Nenhum dos dois se dará lá muito bem como bombeiro voluntário, e a Margarida, sendo namorada do Donald, certamente não pode ficar com o Gastão. Quando ela dá atenção ao primo ganso do pato, a intenção é mais alertar o namorado de que ele poderia ser mais romântico, e dar flores de presente de vez em quando, por exemplo. Mas na verdade nem passa pela cabeça dela trocar de namorado. Essa ideia só ganha corpo nas teias da insegurança do Donald, na verdade. É ele que tem tanto medo que isso aconteça, que acaba achando que poderia ser possível.