O Pássaro Da Felicidade

História do Professor Pardal, de 1973.

Para afastar o cansaço das longas horas de trabalho no laboratório e divertir um pouco ao Lampadinha, que parece positivamente entediado, o Prof. Pardal inventa um pássaro mecânico, um brinquedo ao qual chama de “Coió de Mola”, que é uma expressão usada para denotar uma pessoa boba alegre, aquela que se diverte com qualquer bobagem.

Tanto quanto eu sei, esse foi o nome dado no Brasil a um clássico brinquedo norte americano, o Jack In The Box. Ele consiste de uma caixinha com uma manivela que, ao ser girada, dá corda em um mecanismo que faz tocar uma musiquinha e, ao final, faz abrir de repente uma portinhola no topo de onde salta um boneco, o que dá um baita susto na criança e, em seguida, geralmente, também um acesso de riso.

É uma forma simples e boba de diversão, mas funciona. Ao que parece, foi uma coisa que fez muito sucesso com a criançada a partir do pós-guerra e até o início dos anos 1970. Até hoje parece bastante popular.

Já no caso da história de hoje, ela vai funcionar bem até demais. A coisinha mecânica é tão engraçada, e de uma maneira tão gratuita, que até parece mágica. Qualquer pessoa que esteja em sua presença não vai conseguir parar de rir, com resultados hilários até para o leitor.

O interessante é que, apesar da confusão que o brinquedo causa pelas ruas de Patópolis, estão todos se divertindo tanto que nem se importam. E quando ele finalmente para, há até quem fique bravo.

Em 1976 papai voltaria ao tema com O Espelho das Gargalhadas, outro de seus brinquedos prediletos de infância, mas com um efeito exatamente contrário sobre a população da cidade.

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O Clube Dos Garotos

História da turma das crianças, de 1983.

Note-se, para começar, que o clubinho se chama “Dos Garotos”, mas inclui também as meninas com muita naturalidade. “Garotos” aqui, é sinônimo de “crianças”, de “garotada”. É a mesma lógica, aliás, das pessoas que usam a palavra “menino” para significar crianças de ambos os sexos.

O problema aqui, diga-se de passagem, passará longe do velho clichê do “menina não entra” do Clube do Bolinha nas histórias em quadrinhos da Luluzinha. A “guerra” aqui, não será a fútil “guerra dos sexos”, mas uma muito mais séria batalha do bem contra o mal.

Formar clubinhos é mais um dos aspectos das brincadeiras de crianças de outros tempos que papai gostava de abordar em suas histórias. Já vimos, por exemplo, o “Clube dos Peraltas”, que foi uma espécie de “antítese” do de hoje, no qual os Metralhinhas, os Manchinhas e os Bruxinhos disputam para ver quem vai mandar.

E hoje também veremos a questão da desunião e falta de harmonia nas brincadeiras infantis. Uma das coisas mais complexas que uma criança tinha de aprender, logo cedo, era como negociar as brincadeiras com outras crianças. Nem sempre todos queriam brincar da mesma coisa, e algumas crianças podiam ser bem teimosas na hora de defender suas próprias escolhas.

Significativamente, é justamente quando a criançada do bem não consegue decidir qual será o objetivo do clube que elas abrem a brecha para o ataque dos Metralhinhas, que vêm para “tomar o poder” no clubinho, assumindo a presidência na marra e tentando forçar as outras crianças a fazer suas vontades.

O desafio, hoje, será arranjar um jeito de expulsar os indesejáveis sem precisar partir para uma briga violenta.

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O Zorrinho Não É De Fritar Bolinho

História do Zorrinho, de 1982.

Hoje papai aborda o tema das brincadeiras infantis, que era um de seus favoritos, de um modo um pouco diferente. A pergunta que se faz é: existe brincadeira “de menino” e “de menina”? Ou: por que os meninos não podem brincar de casinha com as meninas? Que mal há nisso?

A verdade é que, e isso logo ficará muito claro, somente meninos muito maus, como os Metralhinhas, enxergam algum problema na situação. Outra verdade é que os meninos bonzinhos só não brincam mais frequentemente com as meninas por medo de serem ridicularizados pelos outros.

“Ser de fritar bolinho” é uma expressão popular que significa: não ser de nada; ser incapaz; ser fraco. Ela é usada aqui para mostrar, justamente, que um menino não é, necessariamente, “de fritar bolinho” só porque está brincando com as meninas.

As próprias meninas também não são “de fritar bolinho” só porque estão, bem… fritando bolinhos. Não há demérito algum em ser menina, em brincar de casinha, ou em ser um menino que brinca de casinha. Além disso, frigideiras podem ser usadas para um pouquinho mais do que simplesmente cozinhar, e as meninas logo vão mostrar que também sabem brigar tão bem quanto os meninos, quando necessário.

Nada, nesta história, é exclusividade só dos meninos ou das meninas. Todos são iguais, na hora da brincadeira e também na hora da briga, para o azar dos maus.

Nesta revista temos novamente a aparição de uma história promocional de papai para as Meias Lupo, chamada “O Bicho Saltador”, que chegou a aparecer bastante nas revistas Edição Extra da época.

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Zé Relâmpago

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é mais uma variação sobre o tema “corrida”, ou “competição”, no mesmo estilo de histórias como as que mostram gincanas, corridas de vassouras de bruxa, competições de aeromodelismo, ou corridas de tartarugas. No caso de hoje temos o resgate de um brinquedo bem brasileiro, mas que já estava caindo em desuso: os carrinhos de rolimã.

Nos tempos áureos das brincadeiras com esses veículos improvisados os meninos (principalmente) tinham orgulho em fazer, com muito capricho e os melhores rolamentos que conseguissem encontrar, seus próprios carrinhos para competir com os amigos. Alguns não passavam de tábuas com rodinhas, mas outros chegavam a ser bastante elaborados.

No afã de vencer a competição e ganhar mil cruzeiros o Zé não medirá esforços. Mas acaba se traindo por falar antes de pensar, e arranjando a vizinhança inteira como adversários.

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Outra coisa importante para que haja uma corrida de carrinhos de rolimã é a existência de uma ladeira no local da competição. O problema é que, no morro, existem ladeiras de todos os tipos, e nem todas são lá muito seguras. E agora, José?

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Se o Zé vai ou não ganhar a corrida nem é tão importante quanto o festival de trapalhadas e trombadas com o qual papai nos brinda nas páginas, até o surpreendente desfecho.

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A Grande Otoridade

História da Turma do Gordo, de Ely Barbosa, publicada na revista O Gordo em Quadrinhos número 18, de 1987.

Hoje temos o Gordo e sua turma enfrentando o “chato oficial” da rua, um tal de Inspetor Patuskas. Falando difícil e citando regras e estatutos que só ele conhece, ele proíbe os meninos de fazer, em via pública, tudo aquilo que os garotos de outrora gostavam: usar estilingue, descer ladeiras com carrinhos de rolimã, brigar, e o pior, até mesmo jogar futebol.

O linguajar do inspetor da rua é um convite ao dicionário. Papai sinceramente esperava que seus leitores fossem pesquisar qualquer coisa que não entendessem direito, e gostava de acreditar que estava ajudando a aumentar o vocabulário da criançada.

Gordo otoridade

“Otoridade” é uma expressão pejorativa que descreve uma pessoa que age ilicitamente como “autoridade”, ou até mesmo uma autoridade lícita que abusa de seu poder. De qualquer forma, a interferência do chato nas brincadeiras da turma atinge uma proporção tamanha que todos se unem, até mesmo os meninos que não vão lá muito com a cara do Gordo, para dar um basta na situação.

Gordo otoridade1

Seria muito fácil (e nada apropriado para uma história em quadrinhos) juntar meia dúzia de moleques e dar uma surra no intrometido, e talvez até fosse isso que aconteceria na vida real, mas a solução de papai é digna de uma história do Zé Carioca. Já que o Patuskas quer ser “autoridade”, que apite uma partida de futebol dos meninos do bairro. Só que ele descobrirá um pouco tarde demais que a partida é contra um time de brutamontes de outro bairro.

É uma fina ironia: o inspetor da rua não se furtará à prestigiosa tarefa (que afinal parece ser um afago em seu Ego), e os brutamontes do time adversário se encarregarão de dar a lição (e a surra) no Inspetor Patuskas, quando ele insistir em tentar por ordem na bagunça.

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Mais menções às brincadeiras de infância das crianças do passado podem ser lidas na minha biografia de papai, que está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Os Pulos Do Pula-Pula

História do Professor Pardal, de 1975.

A ideia por trás da trama é a de que “menos é mais”. O inventor oficial de Patópolis está às voltas com um pedido do prefeito por um veículo pequeno e leve que ajude a desengarrafar o trânsito da cidade.

Cativado pelo pula-pula do sobrinho Pascoal, o Pardal tenta “aperfeiçoar” o brinquedo, para que se pareça mais com um veículo “de verdade”. Várias tentativas são feitas, uma mais estrambótica que a outra, para a diversão do leitor. O inventor tenta de tudo, de um simples motor a pilha até um perigoso sistema atômico de propulsão, na intenção de poupar esforço aos patopolenses que usarão a engenhoca.

Pardal pula

Mas será mesmo que é preciso isso tudo?

O pula-pula, assim como o cavalinho de madeira e outros brinquedos das crianças do passado são mais uma das “marcas registradas” de papai, que procurava relembrar e promover as antigas brincadeiras sempre que podia.

Um Presente Para Puff

Esta é uma história do Ursinho Puff, publicada pela primeira vez em 1976.

É o aniversário do Ursinho, mas ele está triste. Aos amigos Tigrão e Abel ele confidencia que não está feliz porque só ganha mel, todos os anos, de todos os amigos, no seu aniversário. É verdade que os ursos gostam de mel, mas tudo o que é demais cansa.

Puff mel

Houve uma época em que os adultos costumavam dar muitas roupas às crianças como presente no aniversário e no Natal, mas com o desenvolvimento da indústria e do comércio de brinquedos nos anos 1970, a maioria das crianças passou a preferir os últimos às primeiras.

A crescente popularidade das revistas em quadrinhos, que também continham doses cavalares de páginas de anúncios de brinquedos e demais produtos infantis, certamente contribuiu para essa tendência. Esta história, então, pode ser lida como uma alusão a este fato.

O Tigrão então deduz que ele e os amigos devem dar ao Puff outras coisas que não mel, e ele acaba ganhando muitos brinquedos.

Puff brinquedos

É uma trama bastante simples e direta, adequada para uma história com personagens que são destinados a um público alvo um pouco mais jovem do que os leitores do Zé Carioca e do Morcego Vermelho, por exemplo.

A graça maior da coisa, depois da proposição do “problema” do Puff, que é engraçado por si só, fica por conta da surpresa final, o desfecho da trama.

Certo de que iria ganhar potes e mais potes de mel, nosso aniversariante comeu tudo o que tinha na despensa, para abrir espaço para os novos potes, e ficou sem nem uma gota do doce para servir às visitas. É aí que o Coelho Abel, o mais bobinho da turma, depois de não conseguir se decidir sobre o que deveria dar, chega com o presente que vai salvar o dia: um enorme pote de mel.

A mensagem para as crianças parece ser a de que ganhar brinquedos é legal, mas as roupas também são importantes, e não devem ser motivo de cara feia.

O livro do meu pai, compilado por mim, está lá na Amazon esperando a sua visita. Passe por lá e dê uma olhadinha.