Hotel Meio Assombrado

História da Maga e da Min, de 1974.

Quando alguém começa um grande empreendimento, duas das primeiras regras são definir quem é seu público alvo e o que o novo negócio irá oferecer aos clientes. Além disso, é muito recomendável ter uma boa política de contratação e gestão de RH, para que o negócio tenha alguma chance de sucesso.

Mas, obviamente, a Maga Patalójika e a Madame Min, como bruxas que são, não entendem nada disso. O “Hotel Assombrado”, um casarão caindo aos pedaços no alto de um monte, fica realmente mais próximo da rota das vassouras voadoras do que da trilha dos turistas humanos, mas, a princípio, são estes últimos que a Maga quer atrair.

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Assim, quando o estabelecimento começa a atrair uma clientela mista de bruxos e humanos, cada grupo com suas próprias ideias sobre o que esperar da experiência, o leitor já vai perceber que a coisa toda não pode dar lá muito certo. Junte-se a isso a insatisfação dos “funcionários” Perereca e Peralta, e temos a receita certa para uma grande confusão.

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O “Primo Felizardo” (ou Cousin Lucky), é um personagem criado em 1964 no exterior para ser, no mundo das bruxas, o equivalente ao que é o Primo 1313 dos Metralhas em Patópolis. Foi usado em apenas três histórias, duas delas brasileiras: a de criação, esta, e outra de Arthur Faria Jr.

Realmente, parece que este personagem não tem mesmo muita sorte… apesar de fazer uma curta participação aqui, não conseguiu “emplacar” nem mesmo como “adotado”, ao contrário do que aconteceu com o Metralha Azarado, que passou de obscuro a “estrela” sob o lápis de papai.

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O Irmão Gêmeo Do Biquinho

História do Biquinho, publicada pela primeira vez em 1987.

Esta é mais uma boa sacada de papai: a maioria dos sobrinhos dos personagens Disney existe aos pares e até mesmo às trincas. Os sobrinhos do Donald são 3. As sobrinhas da Margarida, também. Até os vilões têm sobrinhos múltiplos, como por exemplo os Metralhinhas. Os sobrinhos do Mickey e do Zé Carioca são 2 para cada tio. As bruxas também têm sobrinhos de sobra, com as bruxinhas Perereca e Magali (era uma bruxinha só, mas papai acabou desdobrando a personagem em duas) representando o tema “gêmeos”.

Os que têm um sobrinho só são o Pateta, com o Gilberto, o Professor Pardal e seu sobrinho Pascoal, o Gastão com o Trevinho, e por fim o Peninha que, com o Biquinho, foi provavelmente o último a ganhar um sobrinho.

O interessante é que a descrição do personagem, o patinho nascido de um ovo abandonado ao sol e criado por porcos-espinho, em uma alusão ao Tarzan, o órfão criado pelos macacos da floresta, deixa espaço para a interpretação que é feita hoje: se havia um ovo abandonado ao sol, será que não poderia haver outros? Afinal, pássaros como galinhas e patas costumam botar um ovo por dia, às vezes até dois.

Muitas crianças, aliás, já sonharam em ter um irmão gêmeo só para poder “aprontar” melhor. Esse parece ser o caso do Biquinho, que acaba vendo o seu desejo ser realizado logo na esquina de casa. A história tem toques de temas como o “gêmeo mau” (se bem que, aqui, é difícil dizer quem é o pior… o Trambique que o diga) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”.

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O Cisquinho, patinho parecido com o Biquinho e seu tio Penald (uma mistura dos nomes do Peninha e Donald) são, por definição, “personagens de uma história só”, criados especialmente para esta história.

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O Exame Final

História das Bruxas, de 1976.

Crianças vão à escola, no universo Disney. Faz parte da visão de mundo da marca. E crianças bruxinhas vão, é claro, à escola de bruxarias. Mas, como toda criança sabe, nem tudo são flores no ambiente escolar. Além da convivência forçada com coleguinhas nada simpáticos e professores exigentes, ainda há o temido exame final anual. E, se exames escritos já são temidos, os orais são perfeitamente apavorantes. Nestes, não apenas não é possível colar facilmente, como também o aluno tem menos tempo para pensar em uma boa resposta. Adicione-se a isso o nervosismo natural de uma criança na frente de uma figura de autoridade, e temos a receita certa para um desastre.

Em todo caso, sempre que papai está envolvido, nada é o que parece e até mesmo o desenvolvimento de tramas aparentemente simples, como esta, pode render boas piadas e um final perfeitamente surpreendente, e eu não estou falando do resultado do exame. Qualquer leitor com um mínimo de imaginação e conhecimento sobre como as histórias Disney funcionam sabe que o bem sempre vence o mal, não importa o quanto pareça impossível.

Para começar, nesta história podemos perceber por que papai usava a “Bruxinha Criança” como se fossem duas: a Magali e uma segunda, chamada Perereca. Uma de modo geral boa (Magali), e a outra quase sempre má (Perereca). Me parece que esta foi uma tentativa de resolver um conflito que se arrastava desde 1967, no qual a bruxinha mudava de aparência e até mesmo de personalidade, dependendo do argumentista/desenhista que lidava com ela. A coisa toda estava, francamente, confusa demais. Já a solução de papai coloca frente a frente dois “casais” de bruxinhos, um bom e outro mau, o que cria um bem vindo equilíbrio de forças e uma interessante simetria.

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Então, pessoal do Inducks, conformem-se. Depois da passagem de papai pelo universo Disney, podemos dizer que não são “duas versões da Magali (Witch Child)”. São duas personagens diferentes, mesmo. A Magali e a Perereca. Pode ser que elas sejam “gêmeas separadas no nascimento”, ou talvez a existência de uma delas possa ser resultado de alguma magia que as desdobrou em duas (afinal, nesse tipo de história tudo é possível), mas as duas bruxinhas são necessárias e têm sua razão de ser, nas histórias de meu pai.

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O nome do Mago Matusalão, o examinador oficial de todos os cursos de bruxaria em todo o mundo, é inspirado no do personagem bíblico Matusalém, que teria vivido por longos 969 anos e morrido no Dilúvio Universal (ou seja, se não fosse o Dilúvio ele teria facilmente vivido 1000 anos). Matusalém, então, passou a ser sinônimo de pessoa muito velha, na verdade um pouco “velha demais”. É o tipo de velho decrépito que já está enfraquecido, meio surdo, muito míope, mas que, entra ano, sai ano, continua entre nós. Em todo caso, esse é o tipo de pessoa que também costuma ser respeitado por sua sabedoria e experiência de vida.

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A Corrida De Vassouras

História das bruxas, publicada uma vez em 1975 e outra em 1984.

Um ambiente de festa é sempre uma boa oportunidade para se colocar muitos personagens diferentes juntos, entre convidados, penetras e outros bichos.

Aqui temos personagens bem conhecidos do leitor, outros ainda desconhecidos, como os bruxos hippies da “Escuderia Feitiço”, e até mesmo duas bruxinhas muito parecidas, que alguns consideram ser uma personagem só, mas que para papai eram duas: a Magali e a Perereca. Na verdade Bruxópolis está tão cheia de bruxos de todos os tipos vindos para a grande corrida anual que até papai está na linha de largada, de chapéu de bruxo e vassoura.

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Esta história foi composta mais ou menos da mesma maneira que uma poção de bruxa, com elementos bem definidos (que aliás lembram a história “O Torneio De Aeromodelos”, de 1973, já comentada aqui): temos os personagens que vão participar da corrida, cada um com sua estratégia para vencer (desde poções tradicionais até altas tecnologias ultra modernas), os penetras que estão ali para estragar a festa, e o azarão subestimado por todos (o leitor incluso) com sua humilde vassoura voadora antiquada para os padrões dos adversários.

A competição é acirrada, e desconfio inclusive que nem a Nimbus 2000, de Harry Potter, seria páreo para algumas das vassouras “envenenadas” pelo Bruxinho Peralta. Mas os Anões Maus, que na verdade são duendes e inimigos das bruxas, resolvem estragar todas as poções de envenenamento de vassouras com ervas daninhas. As pessoas em geral olham para esse tipo de erva como se fossem mero mato, mas quem prestar atenção à semântica do nome perceberá que elas são um pouco mais do que isso.

O efeito da sabotagem é, obviamente, devastador. Precisamos lembrar que aqui, ao contrário de outras histórias de corrida e competição, todos os personagens são vilões, em maior ou menor grau. Portanto todos, de certo modo, merecem ser vítimas da bagunça. Mas isso não quer dizer, é claro, que o feitiço dos “principais vilões” não vai virar contra os feiticeiros no final.

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Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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A Faculdade De Bruxedos

História da Maga Patalójika e Madame Min, de 1974.

Décadas antes de se ouvir falar em Harry Potter e Hogwarts, Bruxópolis já tinha sua Faculdade de Bruxedos.

A escola oferece apenas cursos noturnos e ocupa um velho casarão caindo aos pedaços, contando também com aulas frontais, como qualquer escola, com direito a quadro negro e giz, e laboratório de alquimia (no lugar do tradicional laboratório de química das escolas “normais”). A Maga ministra as aulas teóricas, e a Min as práticas.

Min alquimia

Os alunos são a Bruxinha Perereca, o Bruxinho Peralta, e Jezebel, a vassoura da Bruxa Vanda, a quem o Peralta chama de “Tia Vanda”, estabelecendo aí um parentesco. Já a Perereca é sobrinha da Maga.

O elemento de instabilidade da história é o Peralta, que “toca o terror” na escola com sua máquina de fabricar monstrinhos instantâneos, e acaba indo parar no canto do castigo por isso. Mas por pouco tempo.

Maga monstrinhos

No começo da história temos uma discussão entre a Madame Min e a Bruxa Vanda sobre quem seria a mais velha, e a Min ironiza mencionando Circe, antiga e famosa bruxa da mitologia grega que se divertia transformando homens em porcos.

Vanda Min Circe