Zé Bolinha

História do Zé Carioca, de 1975.

(Ao escrever esta história mal sabia papai que, após deixar os quadrinhos, ele próprio se veria trabalhando como segurança, inclusive no turno noturno.)

Mas ao contrário do Zé, ele não fazia a “proeza” de acordar de hora em hora para bater o ponto. Sempre foi um segurança muito sério, e gostava de sua nova profissão. Mas é claro que os quadrinhos sempre foram a paixão de sua vida.

Já no caso do Zé, parecia o trabalho perfeito. Mas só parecia. Patrão nenhum gosta de ver seus empregados dormindo em serviço, o Tio Patinhas que o diga.

O fato é que, logo após ser demitido, o papagaio malandro começa a engordar misteriosamente. Quem prestar bastante atenção ao primeiro quadrinho, como em um jogo dos 7 erros, já vai ter uma ideia do que pode estar acontecendo.

ZC bolinha

A história segue entre as gozações da turma da Vila Xurupita, que logo o apelida de “Zé Bolinha” por conta do formato da barriga, e os esforços da Rosinha para tentar ajudar o Zé a emagrecer. Interessante é o nome de um impresso que cai de suas mãos quando ela entra no barraco do namorado.

Anos mais tarde, em 1982, mamãe viria a colecionar os fascículos de um livro publicado pela Editora Abril e chamado, justamente, “Coma e Emagreça”. (Se eu ainda tivesse alguma dúvida de que papai era, além de tudo, “meio vidente”, agora não teria mais.) Este livro, completo e já encadernado, está em nossa estante até hoje.

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Ao que parece não foi só papai que achou que este seria um nome sugestivo para um livro de receitas “light”, dado o aparente paradoxo entre os conceitos “comer” e “emagrecer”.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

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Taca Sal no Sapo

História da Turma da Patrícia, publicada na Revista Patrícia número 5, em 1987.

Na lista de papai há um (L) antes do nome da história, o que indica que fui eu quem deu a ideia, e foi isso mesmo. Papai gostava de ouvir qualquer nova gíria ou expressão que meu irmão e eu aprendêssemos com os colegas na escola, e na época os meninos de minha escola em Campinas se saíram com essa, para perseguir e fazer bullying com qualquer pessoa que eles não quisessem ouvir.

Patricia sal

Essa pessoa era então tachada de “chata” e de “sapo”, e calada e afugentada na marra sob muita gritaria de “taca sal no sapo”. Era uma maneira muitíssimo antipática e mal educada de se calar os outros, menos “populares” na turma, e ainda tinha o “conveniente” de poder ser passada por “brincadeira”, se a vítima reclamasse. Mas a minha sugestão parou por aí. A história em si é 100% obra de papai.

No universo da Patrícia temos o Sapo Urucubaca, que diz (sim, ele fala) ter sido um marinheiro transformado em sapo por uma bruxa. Como se não bastasse, ele tem fama de ser muito azarado, mais ou menos como um certo membro da família Metralha no universo Disney. E é justamente esse sapo que o menino praguinha chamado Terremoto resolve perseguir, saleiro na mão, aos gritos de “taca sal no sapo”, por puro preconceito e antipatia. É claro que a falta de educação do Terremoto não passará impune no final.

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A palavra “urucubaca” é sinônimo de “mau agouro”, “azar”, etc. Além disso, papai usa outras expressões populares e mais antigas, mais conhecidas dele, como “sapo de fora não chia”, para enriquecer um pouco mais o tema “sapo” da história.

Mas a verdade é que a mensagem, hoje, é justamente “não jogue sal no sapo”, pois eles são animais inocentes dos nossos preconceitos, e o sal em contato com suas peles de batráquio pode até matar. Fazer isso é uma maldade imensa com o bichinho. Eles são feios, mas não merecem tamanha tortura. E, é claro, também não se deve calar pessoas na marra por bullying, já que isso é uma falta de educação e uma grosseria das grandes.

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Um Gosto E Três Cruzeiros

Esta história de 1979 volta ao tempo em que o Tio Patinhas era apenas um patinho engraxate, e a inspiração para ela veio a papai de uma HQ norte americana do pato.

Para ganhar mais dinheiro, o jovem Patinhas inventa um novo e engenhoso método de engraxar sapatos que rende a ele mais moedas pelo mesmo trabalho. Mas é claro que todo trabalho honesto atrai inveja, e ladrões. Neste caso um jovem Metralha, que anos mais tarde viria a ser o Vovô Metralha, resolve atacar.

A história é um bom exemplo de finanças aplicadas a crianças trabalhadoras, uma triste realidade que até algum tempo atrás era vista como normal, e que ainda hoje existe, apesar de tudo: há o bully, o valentão do bairro, que rouba o dinheiro dos meninos na rua, e talvez até na fila da cantina da escola, por exemplo. E há o preconceito dos adultos, que não acreditam que um menino tão novo vá ter a disciplina de manter uma caderneta de poupança por muito tempo.

TP3moedas

A todos o futuro Tio Patinhas vence e convence com sua esperteza, esforço e capacidade de trabalho, no melhor estilo das histórias de Carl Barks, por exemplo.

Nota para a “participação” da moedinha número um, que realmente parece dar muita sorte ao jovem Patinhas desde o início de sua vida.

E a curiosidade é a caricatura de papai no último quadrinho, se aproximando ao volante de um carro antigo.

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