Um Problema De Xadrez

História do Superpateta, de 1975.

O Xadrez era o esporte predileto de papai, e ele chegou a ser bom nele, inclusive ganhando alguns pequenos campeonatos. Tínhamos um tabuleiro em tamanho tradicional com as peças em casa, em madeira, e ele chegou a fazer suas próprias peças em argila, um pouco maiores. Ele também gostava muito da ideia dos jogos de xadrez “gigantes”, com peças de até 1 metro de altura que ele chegou a ver em um parque, e é daí que vem a inspiração para esta história.

Giant-Garden-Chess-Set

Inanimadas na vida real, papai transforma suas peças imaginárias em robôs para adicionar mais movimento à história. De fato, deve ser um pouco difícil mover peças tão grandes por um tabuleiro (a não ser que sejam feitas de material leve) e rodinhas, ou quem sabe até um controle remoto, podem ser boas ideias para facilitar o jogo.

Original em matéria de quadrinhos, esta história também serve como uma pequena aula de Xadrez, ensinando ao leitor os nomes das peças, algumas expressões usadas no jogo, e até mesmo as funções de algumas das peças no tabuleiro, como o Rei e a Rainha.

Assim, temos o nome do vilão, Dr. Gambito, que é o nome do movimento de abertura do jogo, e expressões como “Xeque”, que é um ataque direto ao Rei, e “casa de fuga”, que é uma técnica para se retirar o Rei do Xeque, movendo-o para um quadrado (a casa) seguro do tabuleiro. O nome da história também é uma referência a uma das características do jogo, que é o uso de “problemas“, situações propostas que demandam uma solução lógica de acordo com as regras.

SP xadrez

Já a função da Rainha, a peça com mais mobilidade no jogo, é liderar os ataques ao Rei adversário, e é justamente isso que ela faz nesta história.

SP xadrez1

Por fim, com a inevitável prisão do vilão, temos um trocadilho com o nome do jogo e seu uso na gíria como uma expressão para significar “cadeia”. O bandido, que tanto gosta de Xadrez, acaba indo jogar Xadrez… no xadrez.

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Um Assalto Das Arábias

História dos Irmãos Metralha, de 1982.

Cansados de sempre se darem mal ao tentar assaltar a Caixa Forte do Tio Patinhas, os bandidos resolvem “mudar de ares” e tentar assaltar outra pessoa. E essa pessoa é um Xeque árabe que se mudou para Patópolis com palácio e tudo. É uma história cheia de surpresas e reviravoltas, onde nada é o que parece ser. O palácio dá uma ideia de grande riqueza, mas seu cofre está vazio.

O Xeque, para piorar, se chama “Mustafá Lihdo” (um jogo de palavras com “falido”), o que insinua que ele pode ser um membro da “nobreza empobrecida”. Geralmente, são famílias que já viram tempos muito melhores, mas que agora se veem às voltas com um “elefante branco” na forma de um castelo antigo nas terras de sua propriedade e poucos recursos financeiros, até mesmo para fazer a manutenção dessas grandes residências.

Metralhas Arabias

Mas de qualquer modo, mesmo que não haja um quadro antigo e valioso esquecido no sótão, como o que foi descoberto recentemente na França, a família sempre pode usar seu castelo como centro de convenções, hotel e espaço para festas.

Não parece ser este o caso de Mustafá Lihdo, apesar de tudo. Aos Metralhas, ele diz que gastou toda a sua fortuna para construir seu palácio em estilo oriental. Mas, será isso mesmo? E esse Xeque, aparecido não se sabe de onde? Será que ele é mesmo quem diz ser?

Metralhas Arabias1

Além disso, entrar no palácio foi fácil. O problema vai ser conseguir sair com o tesouro, que no fim das contas existe e está escondido à vista de todos. Surpreendentemente, o velhote Mustafá revela-se um pato esperto, muito esperto mesmo, afinal. Tão esperto quanto um certo pato muquirana que tem sua Caixa Forte bem ao lado, na verdade…

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A Escola De Bandidos

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

O tema da “escola de bandidos”, ou “escola do crime” é uma clássica inversão de valores que, em outros tempos, era engraçada porque a ideia flertava com o absurdo. É também algo que papai usou algumas vezes para vários vilões, desde os Metralhas até o Sr. X. A ideia vem da literatura infanto-juvenil e dos livros prediletos de papai, como “Oliver Twist“, de Charles Dickens.

A intenção desta história é demonstrar, mais uma vez, que o crime não compensa, que não adianta se esmerar e tentar aprender novas técnicas de desonestidades, e que os bons sempre serão mais espertos que os maus. É um conto moralizante que, fiel ao estilo Disney de se fazer quadrinhos, tenta ensinar a honestidade enquanto diverte ao ridicularizar os desonestos.

O nome do dono da Escola de Bandidos, Istélio Natus, é um trocadilho com a modalidade criminosa “estelionato“. É o famoso Artigo 171 do Código Penal Brasileiro, que já virou até gíria. Além disso, “natus” é uma palavra em Latim que significa “nascido”. Este seria, então, um personagem “desonesto de nascença”.

Metralhas escola

Como sempre acontece nesses casos, os bandidos têm um “plano de aula” (na verdade, de assalto) que à primeira vista parece muito bom, mas que contém um grave erro fundamental que os levará à inevitável ruína. O leitor atento, ao bater o olho no “jornal grátis”, logo vai perceber qual é.

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Os Minimetralhas

História da Maga Patalójika, de 1977.

Esta é uma daquelas histórias que papai mais gostava de fazer, nas quais o final é exatamente igual ao início. Existem, aliás, duas histórias de papai com o mesmo nome. (Esta, com 11 páginas, de 1977, e outra, com 9 páginas, publicada em 1981.) Pode-se considerar que são variações sobre um mesmo tema. Talvez seja por isso que o pessoal do Inducks ainda não deu os créditos por esta, mas basta verificar com atenção a lista de trabalho para ver que são duas histórias distintas.

A vasta fortuna do Tio Patinhas, toda ela amontoada em uma “cesta” só, é o maior chamariz para todos os bandidos de Patópolis. E os principais, dentre esses bandidos todos, são certamente os Metralhas e a Maga Patalójika.

Quando as regras da bandidagem (como o famoso ditado “não há honra entre ladrões”) e as da magia convergem, tudo pode acontecer. Mas, é claro, nenhum dos vilões vai se dar bem, apesar de um aparente sucesso inicial.

Maga Metralhas

O plano maléfico da vez até que é bom, mas os Metralhas põem tudo a perder por um descuido bobo, um erro crasso. E a sensação de vazio no estômago por fome vai ter um papel central nisso. Nada, em uma história de meu pai, ficava “solto” na trama. Se ele colocava alguma coisa no papel, era certamente para usar como elemento na solução da coisa toda, por menor e menos importante que pudesse parecer. E, frequentemente, por isso mesmo.

Quem conhece os personagens, e especialmente a Maga, quase sente pena dos Metralhas nas mãos dela. Mas quase, só quase. Enquanto isso, o Tio Patinhas e o Donald não são bobos, e sabem muito bem que não se deve ignorar acontecimentos estranhos, por menores que sejam.

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Puxando um pouco para uma referência do mundo real, é preciso dizer que o polimento de moedas antigas, especialmente as de coleção, é uma controvérsia entre numismatas, apesar de ser algo que o Patinhas faça todo dia com a sua mais querida moedinha.

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Azares Da Bruxaria

História da Maga Patalójika, de 1972.

Esta é uma das primeiras (a segunda, me parece) história que papai escreveu para a Maga. Dá para ver que o estilo ainda está um pouquinho “cru”, sem parte da desenvoltura que seria característica dos anos seguintes. Em alguns momentos ele “explica” um pouco demais ao leitor em palavras coisas que em outros tempos ele demonstraria de maneiras mais sutis. Mas está valendo.

Maga azares

Pois é, todos os lugares onde as pessoas escolhem morar têm seu lado bom e seu lado ruim: uma cabine na beira de um lago nas montanhas, por exemplo, pode ser agradabilíssima no verão, mas talvez tenha um pouco de vento e umidade demais no inverno. Do mesmo modo, ter uma casa na encosta de um vulcão ativo pode ser uma maneira de evitar visitantes indesejados, mas deixa o morador sujeito a tremores de terra, pedras voadoras, fluxos de lava e desabamentos.

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Acontece que a única cura para a “praga de cem mil anos” é um bom amuleto. E uma das pessoas que sabidamente têm um amuleto desse tipo é o Tio Patinhas. Vai daí… Toda a sequência da Maga tentando entrar na Caixa Forte, em duas páginas, é francamente hilária e mais do que compensa pelo início meio travado da história.

As referências também são interessantes: a moeda de gesso da primeira página é algo que Carl Barks usava, se não me engano. Já a poção de maléfica que ela está preparando leva veneno de Urutu, uma das cobras mais venenosas da fauna brasileira. Azar, mesmo, de verdade, é topar com uma dessas por aí.

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A Caixa-Forte Camuflada

História do Mancha Negra, de 1975.

O bando do Sr. X, composto por pretensos criminosos, nunca conseguiu praticar crime nenhum, e nem mesmo ser fichado na polícia. Mas seu chefe não é assim tão bobo, e desta vez resolve contratar um profissional para “dar consultoria” a eles. Ele pode até ser um eterno fracasso como bandido, mas ninguém pode dizer que ele não tem determinação.

SrX Caixa

Só que o Mancha tem seus próprios planos para essa consultoria do mal, e leva os amadores até uma fábrica que ele descreve como o novo local, disfarçado, da Caixa Forte do Patinhas. Quem conhece o personagem logo vai desconfiar que há alguma coisa errada aí: atacar a Caixa Forte é coisa dos Metralhas. O Mancha é ladrão de jóias e outras coisas de valor, mas não exatamente o vil metal puro e simples. Ele é mais “sofisticado” do que isso.

Mas isso não quer dizer que vai ser fácil entrar. Mesmo não sendo este o novo local da fortaleza do pato quaquilionário, nem tendo ele as sofisticadas armadilhas anti-ladrões que tradicionalmente o cercam (e isso também é algo que o leitor atento deveria perceber), o lugar não está abandonado nem desprotegido, e realmente contém algo de valor.

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Será que desta vez o bando do Sr. X conseguirá praticar um crime e ficar famigerado? Conseguirão eles a suprema glória (no entender deles, é claro), de irem presos? Quem ler, verá.

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A Ameaça Invisível

História do Tio Patinhas, de 1975.

Esta é certamente uma das mais criativas histórias de papai para as bruxas, e uma da qual podemos extrair também várias noções das tradições da bruxaria “de verdade”.

Depois de mais uma tentativa fracassada de tomar a moedinha do Patinhas, a Maga tem uma ideia ao ouvir a propaganda de um circo que anuncia, como uma de suas atrações, um “homem invisível”. Novamente, a história tem duas fases distintas: uma para a criação da fórmula da invisibilidade e o novo ataque à Caixa Forte, e a segunda sobre tudo o que acontece lá dentro até a derrota final da vilã.

Nossa “lição de magia teórica” começa com os ingredientes da poção: “extrato de estrega” e “penas de Fênix“. Em português, “estrega” é, a rigor, um sinônimo para “esfregar”, mas a tentativa aqui é aportuguesar a palavra “Strega“, que é uma referência à bruxaria tradicional italiana. Dada a conexão da Maga com o vulcão Vesúvio, nada mais natural. E é, também, o nome de uma famosa marca de deliciosos licores.

Além disso, temos também a noção da substituição de ingredientes mágicos, que funciona mais ou menos como aquelas substituições um tanto amalucadas de ingredientes e temperos de uma certa nutricionista morena que virou meme nas redes sociais. Em magia, a ideia é a mesma: se não há um determinado ingrediente à disposição, ele pode ser substituído por algo semelhante, ou que tenha a mesma “vibração”.

Maga invisivel

Por fim, vemos que o Patinhas resolve combater fogo com fogo e contratar um caçador de bruxas para lidar com a ameaça dos ataques. Mas isso o leitor só vai saber mais tarde, porque a princípio ele se parece com tudo, menos com a imagem que fazemos de um bruxo. Disso aprendemos que nem todos os magos e bruxas andam por aí o tempo todo com roupas esquisitas e voando em vassouras.

Maga invisivel1   Maga invisivel2

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