Vizinhos Do Barulho

História do Pato Donald e seus sobrinhos, de 1976.

Esta história foi escrita quase um ano antes de “Campistas Vigaristas”, outra história sobre o tema, e se passa no exato mesmo camping.

Como eu já disse quando comentei a história dos Metralhas, o “Acampamento das Pedras” existe de verdade, e fica na região de Itu/SP. Que eu me lembre, nossa família chegou a acampar algumas vezes em alguns desses lugares, e uma vez até mesmo no Rio de Janeiro, e todos eles eram muito seguros e pacatos (à exceção da aventura no Rio, que terminou em tempestade tropical com direito até a tromba d’água no mar, mas essa é outra história).

Tenho a impressão que esta modalidade de turismo estava na moda naquele tempo, por ser barata e oferecer uma aventura de baixo risco para famílias, e que muitos dos nossos amigos também visitaram este acampamento e voltaram com histórias para contar, que meu pai ouvia ávidamente e depois aproveitava em suas criações.

Portanto, não sei dizer se realmente houve alguma confusão por lá enquanto estivemos acampados, ou se foi algo que aconteceu com algum amigo de papai, ou se foi simplesmente uma maneira que ele encontrou de “fazer uma propaganda engraçada” do lugar onde passou um final de semana agradável com a família.

Mas, se é que isso pode ser alguma indicação, quem for dar uma olhada nas tarifas do referido camping vai notar que o preço por pessoa para casais e famílias é a metade do que é praticado para grupos compostos apenas por rapazes. De resto, o local é bonito e bem organizado, e vale pelo menos uma visita para passar a tarde.

Hoje os bagunceiros no acampamento são o Donald e o Silva, que tiveram a mesma ideia como solução para se afastarem um do outro e conseguir parar de brigar, com uma pequena “ajuda” dos membros de uma banda de Rock formada por valentões.

Além disso, como papai gostava de fazer nas histórias dos brigões, parte da diversão (dele, principalmente) era induzir o leitor a tentar descobrir quem estava xingando a quem de quê.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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Ciência E Escotismo

História dos Escoteiros Mirins, de 1980.

Esta história é inspirada em outra, feita nos EUA e publicada no Brasil pela primeira vez em 1979. Isso mostra que papai lia frequentemente as histórias de outros autores, e se inspirava nelas (entre outras coisas) para suas próprias criações.

Em “O Mentiroscópio”, o Pascoal inferniza a tropa com um detector de mentiras. É uma boa ideia, é claro, mas não tem lá muito a ver com escotismo, necessariamente. O sobrinho do inventor mais maluco de Patópolis poderia ter aplicado seu invento em qualquer reunião de pessoas, com efeitos semelhantes.

Por outro lado, as invenções que papai apresenta aqui, nesta volta do Pascoal à tropa, são certamente mais adequadas a um ambiente de acampamento no meio do mato. Entre as ideias que vemos, algumas mais práticas, como uma super lanterna, e outras mais esdrúxulas, como a corda helicóptero (claramente inspirada, aliás, na corda com asinhas do Morcego Vermelho) está uma que acabou se tornando realidade com o passar dos anos, a barraca instantânea para Camping.

Escoteiros ciencia

Isso, por si só, já coloca a história de hoje no campo do futurismo e da ficção científica e revela papai como um “designer conceitual” de mão cheia. Ao longo dos anos ele “inventou” o conceito do canudinho de refresco dobrável, da caneta impressora 3D, da barraca instantânea e certamente muitas outras coisas úteis, revelando um jeito de pensar que estava pelo menos 30 anos à frente de seu tempo.

Escoteiros ciencia1

O resto da história dá conta do conflito entre a ânsia por conforto do cidadão comum, que usa a tecnologia – muitas vezes indiscriminadamente – para simplificar até o que já é simples, e a visão de mundo dos fãs da vida rústica, que vêem vantagens em aprender a fazer as coisas à moda antiga, justamente para que não fiquemos dependentes demais dessa tecnologia toda.

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Acampamento Ideal

História do Peninha, de 1975.

O outro personagem principal da história é o Ronron, que segue o Peninha até o Acampamento Municipal de Patópolis porque acha que viu uma vara de pescar entre os apetrechos do pato, e espera conseguir roubar um peixe.

Mas só espera, pois o que ele realmente encontra é uma situação bem diferente. Como ele está fazendo algo errado em seguir o Peninha, já que os dois realmente não se bicam, é claro que os planos do Gato não podem dar certo.

Ronron acampamento

Em todo caso, e apesar da confusão causada pelo atrapalhado treinamento de golfe do Peninha, tudo está bem quando acaba bem e – pasmem – o Ronron acaba até ganhando um peixe do pato.

Nesta história podemos ver que o Ronron não é realmente mau: ele pode ser arisco, saber usar as unhas, mas na verdade só segue os seus instintos de gato faminto por peixes. No momento em que o Peninha se vê numa grande encrenca, o gato encontra o jeito de salvar-lhe as penas.

Na página 5 temos uma homenagem ao Jorge Kato, colega de papai na Abril, talvez inserido pelo Euclides Miyaura, que é o desenhista desta história, ou até mesmo por papai, numa de muitas “cutucadas” bem humoradas que ele dava nos amigos.

Jorge Kato acampamento

Campistas Vigaristas

História dos Irmãos Metralha, publicada em 1977.

Papai gostava de levar a família para acampar, mais ou menos nesta época. Ele apreciava muito o contato próximo com a natureza, e aproveitava as experiências para escrever suas histórias.

Neste caso, o “Acampamento das Pedras” existe de verdade, e fica na região de Itu/SP. Que eu me lembre, era um lugar muito seguro e os campistas em geral não costumavam mexer no que não era deles. Ao contrário, em todos os campings que visitamos naquela época imperava uma atmosfera geral de camaradagem entre os campistas.

Talvez por isso mesmo papai se pôs a imaginar o que aconteceria se a família Metralha escolhesse o local para passar um fim de semana. O plano, por recomendação do Vovô, é se misturar com os campistas inocentes e aproveitar eventuais episódios de descuido, numa flagrante violação do “código de ética” informal vigente nos campings.

É claro que o leitor sabe que esse plano não vai dar certo. O plano não pode dar certo, afinal, os Metralhas são os bandidos, bancando os predadores para cima dos campistas. O divertido é ver como o plano dos ladrões dá espetacularmente errado.

Para começar, os Irmãos Metralha se atrapalham na hora de armar a barraca, e quase chamam a atenção para si logo de saída. Depois, seus objetos começam a desaparecer misteriosamente. Enquanto acusam uns aos outros pelos roubos, começam eles mesmos a roubar objetos dos campistas inocentes, até para repor aqueles que sumiram da própria barraca.

Metralhas camping

O mistério e as coincidências vão crescendo como num filme de suspense, e numa virada surreal da trama, eles descobrem que não são os únicos Metralhas no acampamento. Na verdade, o lugar está cheio deles. A família toda resolveu ir para lá, todos com a mesma intenção, e todos por recomendação do Vovô, seguindo o mesmo plano.

Mas é só quando a Titia Metralha sai de uma das barracas e explica tudo, que o mistério é resolvido. O fato é que o Vovô, o mesmo que sugeriu a todos que fossem acampar, também está lá, roubando a todos. É que o Vovô, que de tão velho já está meio gagá, tem uma mania: ele rouba… e depois esquece.

Metralhas camping vovo

Mas não podemos esquecer que alguns roubos a turistas inocentes foram praticados, e os Metralhas não escaparão de ser presos por causa deles, por um policial a paisana que estava “por acaso” acampando também.

E venham ver o livro de papai, lá na Amazon.

Delícias De Um Acampamento

Acampar foi uma das coisas que nossa família fez uma vez ou duas nas férias de verão nos anos 1970, especialmente em viagens ao Rio de Janeiro, até a triste noite na qual o Camping inteiro, que ficava na Barra da Tijuca, foi varrido do mapa por uma tempestade tropical daquelas, em 1977.

Esta história do Peninha, publicada em 1978 e ambientada num Camping na “Barra do Tijuco”, retrata bem as nossas desventuras na “natureza selvagem”.

Patos demais, barracas de menos, condições um pouco rústicas demais, um puma selvagem, uma tempestade daquelas, mosquitos e estrada intransitável. É claro que papai exagera bastante os fatos, para adicionar graça à desventura dos patos.

Em todo caso, a história também retrata a desconfiança que as pessoas da cidade, acostumadas às suas residências de alvenaria, água encanada e demais confortos têm dos “perigos” de uma estadia rústica num acampamento, mesmo que o preço seja mil vezes mais barato que ficar num hotel.

Pois é, pimenta nos olhos dos outros é refresco, como se diz por aí. Para terminar a história real, após juntarmos nossas coisas de qualquer jeito e sairmos de carro do Camping devastado pelo vento e pela chuva, acabamos encontrando refúgio num hotelzinho no Recreio dos Bandeirantes, para onde voltamos várias vezes nas férias dos anos seguintes.