A Babá-Morcego

História do Morcego Vermelho, de 1976.

O nosso herói tem sido tão eficiente no combate ao crime em Patópolis que nem acontecem mais assaltos pelas ruas, o próprio Morcego mal tem tido o que fazer, e os bandidos estão se sentindo muito frustrados.

A sensação de segurança é tão grande, na verdade, que quando “Cara de Bebê” e “Cara de Babá” resolvem agir na tentativa de desmascarar o Morcego, o herói nem desconfia de que pode estar correndo perigo.

E a inocência dele, como sempre acontece em histórias Disney (aliada ao seu grande talento para trapalhadas) será sua própria proteção e salvação.

Hoje temos um novo vilão, o “João Ratão”, usado somente nesta história. Ele é similar ao Zé Ratinho, comparsa do Dr. Estigma, e seu nome lembra o de um dos personagens da História de Dona Baratinha, o Doutor João Ratão, o noivo guloso e afoito que tentou comer antes da hora e caiu na panela do feijão, desgraçando a si mesmo e à noiva.

Nesta história a função do João Ratão é ser o interlocutor do Cara de Babá enquanto o “bebê” está agindo, já que o diálogo entre os dois é parte integrante (e importante) da narração. É, em grande parte, por meio da conversa deles que o leitor fica sabendo dos detalhes do plano.

Papai poderia ter deixado o vilão grandão sozinho e usar balões de pensamento, por exemplo, mas aí a coisa toda não seria tão divertida.

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“A Confederação Dos Fora-da-Lei”

Segunda história da revista de lançamento do Morcego Vermelho, de 1973.

Uma vez apresentado o herói, faz-se necessário apresentar os bandidos, é claro. Mas, antes de mais nada, papai nos apresenta a “Lata de Lixo Morcego”, uma variação sobre o tema da lata de lixo na primeira história do Morcego Vermelho, comentada aqui na quinta feira passada.

Dizem que a Lata foi ideia do Herrero, mas como uma lata já estava lá na primeira história que papai rascunhou em casa e apresentou na redação, acredito que tudo o que ele fez foi dar um nome, transformando uma “running gag” que já existia em algo mais permanente.

MOV Lata

Voltando à nossa história principal, estamos às voltas com várias tentativas de fuga dos bandidos da cidade. A onda começa com o Mancha Negra, mestre em fugas e em disfarces, que acaba topando na rua com o Morcego e suas trapalhadas. Mas como o Mancha não é de fritar bolinho, ele logo resolve “declarar guerra” ao Morcego. Preso novamente, ele lança as bases de uma “confederação de proteção aos fora da lei”, que no futuro seria o embrião da criação da “Classe dos Profissionais Sem Classe”.

Nesta história vemos pela primeira vez a moto morcego e o pula pula morcego, e o início da “running gag” das multas: a cada vez que o nosso herói sai às ruas com um veículo pouco convencional (e eles vão se tornando cada vez mais esdrúxulos com cada história), ele leva uma multa de um guarda de trânsito patopolense.

MOV pulapula

Aqui vemos também a primeira vulnerabilidade do Morcego Vermelho: ele não tem proteção alguma contra disparos de arma de fogo. Isso é parte da graça aqui, mas o problema logo seria sanado nas histórias seguintes, graças a uma “capa invulnerável” inventada pelo Professor Pardal, que é também quem inventa todos os outros equipamentos do Morcego. Assim, podemos supor que, com o passar do tempo, a maioria das peças da fantasia original de morcego vinda do sótão do Donald será substituída por outras, mais sofisticadas.

E por falar em Donald, é graças às reportagens dele para A Patada que o Morcego ganha, finalmente, a estátua no parque que o Peninha sonhava. E nem foi preciso cair num tanque de cimento, para isso.

MOV estatua

Confusão No Clube Feminino

História da Margarida, de 1974.

Esta história foi publicada exatamente um ano antes da outra de mesmo tema, que eu já comentei aqui. A situação é mais ou menos a mesma: as moças estão em seu clube fofocando enquanto tentam começar um reunião séria, quando são surpreendidas por bandidos entrando pela porta.

Cara de Bebê e Cara de Babá viram da rua a casa cheia de mulheres e resolveram entrar na esperança de roubar algumas roupas femininas, já que acabaram de fugir da cadeia e precisam se disfarçar.

Desta vez, pelo menos, as sócias do clube conseguem contornar a situação por si mesmas, sem ter de esperar pela ajuda de algum homem. Usando seu charme feminino e flertes, elas conseguem inflar tanto o Ego dos bandidos, que eles vão enfrentar a polícia só para se exibirem, e acabam presos.

Clube feminino

Para terminar, papai “junta as pontas” da história, com a retomada da reunião que havia sido tão rudemente interrompida, no início, e que agora serve para dar o ponto e o nó finais, com uma decisão envolvendo uma “ação beneficente” que afeta os bandidos dentro da cadeia mesmo, só para chatear.