O Sucessor

História do Zé Carioca, de 1979.

Já que o Pedrão não pode, este ano, ser o Rei Momo da Escola de Samba Unidos da Vila Xurupita por motivo de viagem, a turma vai precisar arranjar outra pessoa para substituí-lo. O problema vai ser, em um lugar tão pobre, encontrar alguém gordo o suficiente para a função.

É então que, diante da absoluta falta de outro candidato, e por não querer usar enchimentos que poderiam cair durante o desfile e tirar pontos da Escola, o Zé resolve fazer o “sacrifício” de engordar (e aproveitar para tirar a barriga da miséria) às custas do caixa da agremiação.

Pode-se argumentar que hoje em dia existem muito mais pessoas obesas nas favelas do Brasil, e há quem possa se sentir tentado a relacionar o fenômeno com algum tipo de melhora nas condições financeiras das populações mais pobres, mas a verdade é que, no final dos anos 1970, o brasileiro em geral não tinha o tipo de acesso a tantos alimentos industrializados e calorias vazias como o que temos atualmente.

Interessante será o método usado para fazer o nosso amigo ganhar peso. Nos quadrinhos, a crítica de livros de auto ajuda e de dietas, por exemplo, é a de que os métodos ensinados neles no mínimo não funcionam, quando não acabam tendo o efeito contrário.

Assim, a cada nova história de Carnaval papai vai examinando um aspecto diferente da festa, a cada vez sob um novo enfoque.

Apesar de não estar ainda creditada no Inducks, ela é dele, sim. O que aconteceu foi que ele só se lembrou de anotar seu nome na Lista de Trabalho quando ela foi republicada, em 1988.

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A Coroa Do Rei

História do Sr. X e seus capangas, de 1983.

Histórias de Carnaval com o Zé Carioca são legais, retratam muito bem como são as festividades no Rio de Janeiro, representam a “nata” e o “luxo” das histórias do gênero, mas esta aqui ganha no quesito criatividade.

Papai hoje traça uma correlação entre o pretenso “Rei do Crime”, candidato fracassado a bandido, mas com uma megalomania de dar inveja, e o Rei Momo, que também não é rei de nada no mundo real. Com a diferença, é claro, que o Momo pelo menos é reconhecido como “Rei” de alguma coisa por exatos três dias no ano. O Sr. X, nem isso. A canção que os capangas do vilão cantam no início vem justamente de uma antiga marchinha que faz alusão ao Rei Momo e às ilusões de grandeza da festa.

Coincidindo com o Baile de Máscaras do Patópolis Palace Hotel (que equivale mais ou menos ao do Teatro Municipal no Rio), o Clube dos Fora da Lei da cidade estará coroando seu novo Rei, ou seja, aquele que fizer o assalto mais audacioso inteligente. E o Sr. X decide que esta é a oportunidade ideal para realizar seu sonho maléfico.

SrX Coroa

Pior, ele realmente consegue realizar seu plano de roubar o Patacôncio, que estará no baile fantasiado de Pantaleão. O próprio bando de vilões usará fantasias de Arlequim, Pierrô, Polichinelo e Colombina. (Papai não perdia a chance de usar referências dos antigos Carnavais).

SrX Coroa1

Mas não se esqueça, leitor, de que estamos falando de Carnaval e de bailes de máscaras, onde tudo é ilusão, e nada é o que parece ser. Conseguirá o Sr. X se sagrar, finalmente, “Rei do Crime”? E em pleno Carnaval?

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Um Paulista Na Corte Do Rei Momo

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1973.

A três dias do Carnaval, o Zé Paulista chega à rodoviária já procurando onde comprar ingressos para o famoso Baile de Gala Oficial da cidade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

É realmente a primeira visita do papagaio paulista ao Rio, já que ele foi criado por Renato Canini em 1971, e esta é apenas a quarta história do personagem. As outras duas histórias, que separam a do Canini desta, também são de meu pai.

O Baile do Municipal, como era chamado coloquialmente, foi o maior acontecimento do Carnaval do Rio de Janeiro desde sua criação, em 1932, e até 1975, quando os peritos concluíram que o som estava prejudicando as estruturas do edifício histórico, e ele precisou mudar de local.

Todo mundo que queria ser alguém no Carnaval do Rio não poderia faltar. O baile era frequentado por artistas, políticos, diplomatas, e todos os tipos de gente rica e influente. Estar lá dentro significava pertencer à mais alta sociedade, e por isso ninguém queria ficar de fora. O concurso de fantasias, por exemplo, era um luxo só, com plumas e pedrarias de deixar no chinelo os mais luxuosos destaques dos carros alegóricos de hoje em dia.

ZC Paulista

Por isso não admira que o Zé Paulista, bem sucedido empresário circense, ache que lá é o lugar para estar, uma vez no Rio. Mas o Zé Carioca, humilde pobretão, nunca sonharia sequer chegar perto de um lugar tão nobre. Em todo caso, para não deixar a peteca cair, o papagaio malandro desvia sutilmente a atenção do primo paulista que, de tão entusiasmado em participar de um desfile de verdade pelas ruas do Rio, nem percebe que não está, exatamente, na “Av. Marquês de Sapecaí”.

ZC Paulista1

A letra “Tengo Tengo, Santo Antônio e Chalé” vem do samba enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro de 1972, e estava no auge da popularidade quando esta história foi escrita.

ZC Paulista2

E haja entusiasmo! O Zé Paulista mergulha de cabeça no espírito da festa, para a diversão do leitor. Afinal, seja no luxo do Theatro Municipal ou no humilde “Clube Municipal” no Morro do Papagaio, o Maior Carnaval do Mundo é um só, e acontece no Rio de Janeiro.

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Vila Xurupita Na Avenida

História do Zé Carioca, de 1983.

Lançada em um de vários especiais de Carnaval publicados ao longo dos anos, esta história é um prenúncio dos desfiles de carnaval de verdade com o tema “quadrinhos”, que passaram a acontecer desde 1997.

Enquanto o time de futebol da Vila Xurupita nunca ganhou um campeonato, quando o assunto é a Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita, a coisa é bem diferente. Isso pode, até inconscientemente, refletir o fato de que papai gostava bem mais de música do que de futebol. E, com o sucesso e a vitória, veio a oportunidade de desfilar na avenida “Marquês de Sapecaí” (um trocadilho entre o famoso endereço do Sambódromo e a expressão “sapeca aí”, que talvez não queira dizer muita coisa, objetivamente, no contexto desta história, mas é certamente engraçado).

Papai, como sempre (e especialmente em histórias de Carnaval), não perde a oportunidade de citar e/ou parodiar velhos sambas. Além disso, ele também faz, nesta história, alusão a uma outra, “O Tesouro da Vila Xurupita”, já comentada aqui. Desta vez papai conseguiu se entender com o desenhista para não deixar a referência visual escapar.

ZC Avenida

O resto da história gira em volta dos preparativos para o desfile, ideias para a confecção das fantasias com alusões ao carnavalesco Joãozinho Trinta, tudo sob o comando da Rosinha, e do extremo segredo que as escolas de samba do mundo real costumam fazer de seus carros alegóricos antes do desfile. Este último detalhe vai servir, no enredo da história, de oportunidade de ação para o Zé (para movimentar a história um pouco e dar um “teaser” sobre as alegorias, conservando o interesse) e surpresa final para o leitor.

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A Infância Do Zé Carioca

História do Zé Carioca, de 1982.

Esta é uma tentativa de explicar como é que o Zé nasceu e depois iniciou a amizade de uma vida inteira com o Pedrão e o Nestor, coisa que, até então, nunca havia sido feita.

A noção de que o Zé teria nascido em pleno Carnaval durante o desfile da Escola de Samba Berço de Ouro lembra um pouco uma antiga canção de Roberto Carlos, chamada “Maria, Carnaval e Cinzas” que descreve uma situação parecida, mas um pouco polêmica pela associação meio “torta” com o Catolicismo.

Se bem que papai não deixa escapar aqui uma referência religiosa, já que as iniciais do nome da “Escola Berço de Ouro” formam no estandarte a expressão “EBÓ“, que nas religiões afro-brasileiras significa uma oferenda aos deuses.

ZC infancia

Ele voltaria ao tema do “nascido em berço de ouro” em 1993, quando escreveu mais uma história sobre as origens do personagem, que permanece inédita. Nela papai retrata a si mesmo contracenando com o Zé, enquanto rascunha a biografia em quadrinhos do papagaio malandro.

Zé e Ivan

Nesta história vemos também que o Nestor e o Pedrão, quando foram “adotados” pelo Zé, eram um pouco mais velhos do que ele. Se ele tinha então três anos de idade, de acordo com seu próprio relato, o Nestor aparenta uns 10, e o Pedrão uns 12, mais ou menos.

ZC infancia1

Depois de feitas as apresentações, a história passa então a descrever as primeiras desventuras dos três amigos, a alergia bastante precoce do Zé pelo trabalho formal, e seus planos sempre mirabolantes e fadados ao fracasso de levantar uma graninha mais ou menos fácil, como apresentações de circo e outros bicos e pequenos empreendimentos.

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Viva Eu, Viva O Entrudo!

História do Zé Carioca, publicada em 1983.

Passada durante um baile de Carnaval, é talvez a melhor história de papai sobre o tema. Ele começa nos ensinando que o antigo Carnaval de rua se chamava Entrudo, e nos ambienta numa recriação dos antigos Carnavais do Rio de Janeiro, organizada pela Rosinha para um baile beneficente.

A história toda é meio cantada, e meio falada, quase como em uma “opereta em quadrinhos”. Já de início papai nos presenteia com a letra original de uma marchinha que, com o desuso do Entrudo, mudou de letra ao longo das décadas. Aquilo que nós poderíamos cantar, hoje em dia, como “viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo” era originalmente cantado “viva eu, viva o Entrudo” etc.

Mas nem tudo é alegria nesta festa, e logo a turma descobre que os Anacozecos também estão no salão, de olho no cachê que o Zé ganhou para tocar bumbo e fazer o papel de Zé Pereira no baile a fantasia. Hoje também aprendemos que seus nomes são Arnaldo, Arlindo, Tadeu e Asdrúbal. Além disso, temos um novo personagem, o J. J. Peli Cano, um enorme pelicano que é o novo tesoureiro da Anacozeca.

Assim começa uma grande correria pelo salão no meio da festa, entre tropeços, encontrões, trocas de fantasias e cantigas de Carnaval, muitas cantigas de Carnaval. São tantas, na verdade, que nem dá para citar todas aqui.

ZC Entrudo

As cantadas pela turma do Zé são clássicas marchinhas, ora escolhidas a dedo pelo conteúdo de suas letras, ora com as letras modificadas para fazer troça dos cobradores, enquanto que as dos Anacozecos têm as suas letras invariavelmente trocadas, para que tenham todas, como tema, “cobrar o Zé”.

ZC Entrudo1

Apesar da confusão, há pouco lugar para o Zé fugir, mesmo dentro de um salão tão grande, e ele acaba sendo pego. Será que o Zé vai ser finalmente cobrado? Em pleno Carnaval?

O Carrinho Fantástico

História infantil publicada na Revista Recreio número 189, de 21/02/1973.

Escrita por papai e desenhada por Brasílio, esta é a história de um menino chamado Valtinho, que tem um carrinho de madeira todo incrementado, com direção, breque, farol, buzina e banco. Um dia o carrinho ganha também um motor de bicicleta, presente do irmão de Valtinho.

É o sonho de todo menino: ter um carrinho que não apenas desce a ladeira no embalo, mas também tem um motor para dar mais velocidade! (Taca-le pau, Valtinho!) Só que Valtinho acelera tanto, mas tanto… que acaba viajando no tempo e indo parar na época dos índios e dos bandeirantes, onde encontra dois meninos da sua idade, um índio e um bandeirante, e faz amizade com eles.

Recreio 189

Valtinho então os traz de volta para o futuro em seu carrinho, e quer levá-los à TV para provar que viagens no tempo são possíveis. Mas eles acabam indo parar no meio de uma banda de Carnaval que passava na rua (afinal, é fevereiro), cheia de meninos e meninas fantasiados de índios e de bandeirantes, tornando bastante improvável que alguém vá acreditar na história dele.

Papai voltaria a esta ideia no ano seguinte ao criar o Vavavum, uma versão mais adulta do menino com o carrinho, em uma aventura também um pouco mais adulta, para a revista Crás!