O Inventor Eletrônico

História do Professor Pardal, de 1974.

Cansado de tanto inventar inventos, o nosso inventor freelancer resolve inventar um invento de inventar inventos, para que a máquina faça o seu trabalho inventivo por ele, que assim poderá descansar um pouco.

Com um formato de caixa quadradona, a hilária máquina tem o mesmo chapéu, corte de cabelo, bico e óculos do Pardal.

Pardal eletronico

Mas mais engraçada ainda, aos olhos dos leitores de hoje, é a totalmente obsoleta tecnologia dos cartões perfurados usada para programar – neste caso alimentar, literalmente – o aparelho com os dados dos inventos a inventar.

A linha criativa, aqui, se baseia numa pergunta bastante óbvia, e que talvez por isso mesmo as pessoas naquele tempo não se faziam muito: se todas as máquinas são programadas por meio desses cartões e fitas de papel perfurados, desde as máquinas de telex aos computadores dos bancos e da loteria esportiva, o que aconteceria se os cartões de uma máquina fossem inseridos em outra? Seria possível “fundir a cuca” de um computador dessa maneira?

Outra premissa da história é baseada no velho preconceito contra as máquinas inteligentes, e no medo que temos de que elas venham a tomar o nosso lugar no mundo do trabalho e emprego, um dia. Ao fazer uma máquina de inventar, o Pardal não estaria tornando a si mesmo obsoleto? Será que é por isso que ela se parece tanto com ele próprio?

O caldo engrossa, e por fim entorna completamente quando o Pateta passa pela casa do inventor e, ao vê-lo desmaiado de sono no chão, pensa que a máquina é uma caixa de correio e entrega os papéis que trouxe a ela. O pobre inventor eletrônico bem que tenta acordar o seu mestre, mas quando não consegue joga o professor para fora de casa e começa a inventar sozinho, tresloucadamente.

Pardal eletronico 1

Como todo bom criador de monstros, o Pardal tem um trabalhão para conseguir entrar novamente (com uma “ajudinha” da Cia. Elétrica de Patópolis) e desativar o aparelho, que realmente havia feito os inventos encomendados, mas todos misturados. É aí que o Pateta volta e revela o que aconteceu, para a suprema frustração do inventor, num final tão óbvio quanto surpreendente e engraçado.

Resultado “Chutado”

História do Zé Carioca e Nestor, publicada pela primeira vez em 1973.

Como explicar a Loteria Esportiva para quem não faz ideia do que seja isso? (Algum tempo mais tarde, aliás, o papel desempenhado aqui pelo Nestor cairia como uma luva para o Afonsinho).

A trama aborda todo o folclore que cerca esse tipo de aposta, desde a profunda decepção de quem faz 12 pontos e tem de ver outra pessoa ganhar o prêmio que passou tão perto e ao mesmo tempo tão longe, até a “sorte de principiante” de quem “chuta” todos os resultados na base do palpite e se dá bem, passando pelos prognósticos e cálculos matemáticos de quem tenta prever o imprevisível.

Já pior do que acertar 12 palpites, ou não acertar nenhum (e dizem que isso é matematicamente mais difícil até mesmo que fazer todos os pontos), é acertar todos os 13 e ainda assim não ganhar porque não pagou pela aposta. Isso, aliás, é até hoje desesperadoramente comum, e volta e meia vemos nas notícias casos de gente que deixa de ganhar uma bolada porque os funcionários da lotérica cometeram algum erro, ou do azarado que por acaso ficou de fora de um bolão do qual ele sempre participava, só para ver os amigos ganharem o prêmio sem ele.

Mas o mais pitoresco nesta história é o registro histórico de um tempo em que o funcionário da lotérica precisava perfurar manualmente o volante para poder depois passá-lo pelo “jurássico” computador que iria então registrar a aposta.

Nestor volante