As Aventuras De Pena Rubra

História do Peninha, de 1983.

Depois de fazê-los descobrir o norte do continente americano, onde Patópolis seria fundada mais tarde, papai leva seus Vikings muito loucos para mais uma aventura.

Trata-se de uma brincadeira sobre o tema, sem muita preocupação em ser fiel a verdades históricas e outros “detalhes pouco importantes”. Como sempre, o objetivo da história é menos dar uma aula e mais divertir e estimular o leitor a pesquisar um pouco sobre esses grandes bárbaros do norte.

Papai manda a realidade histórica às favas em dois pontos principais. O primeiro diz respeito à religião dos Vikings na época de suas grandes navegações: apesar do uso somente de nomes de deuses da mitologia nórdica, como Thor, Odin e Wotan (outro nome de Odin, só para variar), nas exclamações dos viajantes, quando começaram a se espalhar pelo mundo eles já haviam tido contato com a religião Cristã, e muitos já haviam se convertido.

Em segundo lugar está a tentativa de chegar à China. Os Vikings foram realmente grandes viajantes, estiveram inclusive no Oriente Médio e até mesmo na Rússia, mas os primeiros europeus a visitar a China foram mesmo os portugueses, em 1513.

Um terceiro ponto de sátira está na descoberta feita pelo Pena Rubra (cujo nome, aliás, é uma referência ao célebre Erik O Vermelho) de que a Terra deve ser na realidade redonda. Com efeito, teria sido muito difícil para os Vikings viajarem tanto pelo mundo sem saber dessa valiosa informação, e papai concordava com os pesquisadores ao desconfiar que eles sabiam, sim.

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No Tempo Dos Mandarins

História dos Irmãos Metralha Históricos, publicada pela primeira vez em 1979.

Desta vez estamos na antiga China Imperial, e os antepassados dos Metralhas, aqui chamados de Metralhins, são três honestos mercadores. Quer dizer, honestos só até as 6 da tarde. Ao anoitecer eles se transformam nos “Larápios Mascarados” e saem roubando pelas redondezas.

A brincadeira com o idioma chinês acontece no modo de falar dos personagens, que trocam os “R” por “L”, num estilo que ficou famoso com o personagem Cebolinha, do Maurício de Souza. Assim, temos os “Metlalhins”, e “Lalápios Mascalados”, por exemplo.

Papai abusou também dos trocadilhos e cacófatos nos nomes de outros personagens, como o Imperador Es-Ti-Ling (estilingue), ou de lugares, como a cidade de “Ka-Sa-Kai” (casa cai), o porto de Chu-Chu (chuchu), e a província de “Shin-Ga-Thu-Do (xinga tudo). A sonoridade exótica do idioma oriental já causou muita estranheza aos ouvidos dos brasileiros, e foi dessa maneira que passou à “memória folclórica” das pessoas, em muitos casos.

A estrutura da narrativa é parecida com a das outras histórias do tema: o Vovô está contando seu “causo” sobre os antepassados enquanto também responde às perguntas dos Metralhas, e o Metralha 1313, como sempre, tem um papel especial dentro da trama. A diferença é que hoje ele vai chegar bem mais atrasado do que o normal, depois que o Vovô já terminou sua narrativa e foi embora. Só que isso não vai impedir o 1313 de se dar mal mais uma vez, e hoje sem nem saber por quê.

Metralhins

A história, que contém um forte elemento policial e um pequeno mistério para o leitor resolver, é também pontilhada por citações inventadas de Confúcio, o grande filósofo chinês, e por uma canção também inventada por papai. Ele além disso inventou/adaptou uma melodia em estilo oriental para ela, que infelizmente não sei escrever aqui, mas que ele me ensinou e da qual me lembro até hoje.

Metralhins1