Olimpíadas Na Selva

História do Pena das Selvas, de 1984.

Em 1984 tivemos os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Para marcar a ocasião, como era seu hábito, papai nos brinda com mais uma paródia.

Hoje não teremos nenhuma trama muito dramática, nenhuma pretensão épica, nem roubos de nenhum tipo, e muito menos episódios proféticos. Em compensação, vão sobrar graça e motivos para que o leitor ria desbragadamente.

A exemplo de algumas histórias sobre esportes do Pateta, esta também é um “manual” sobre como *não* se fazer algo.

E apesar de todos os esforços do Pena das Selvas, da Glorijane e do Biquinhoboy, nada, absolutamente, vai sair ao menos remotamente parecido com uma olimpíada de verdade.

A selva, decididamente, ainda não está preparada para sediar uma olimpíada. Isso, aliás, conhecendo meu pai como eu conheço, foi também uma crítica as pretensões do Brasil, que já existiam na época, de sediar um dia os jogos olímpicos.

E mesmo depois de tudo o que vimos nas Olimpíadas do Rio, quem há de dizer que o Brasil esteve mesmo preparado algum dia?

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A Festa Dos Vampiros

História do Pena das Selvas, escrita em 1982 e publicada pela primeira vez em 1987.

Dizem que os mais assustadores filmes de terror começam com alguma situação bem tranquila, idílica mesmo. Esta história não é diferente. A paz da floresta é interrompida pela chegada de um bando de vampiros, magicamente transportados para o cume do monte “Kilomanjaram” com castelo e tudo.

O nome do monte já foi comentado aqui, e foi usado algumas vezes por papai como trocadilho para Kilimanjaro. Mais interessante é o nome do vampiro invasor que ameaça tirar a paz dos habitantes da floresta: “Ivan Pyro” é mais uma maneira que papai encontrou para “assinar” sua obra.

PS Vampiros

A história toda é inspirada no clássico filme de terror “A Dança dos Vampiros”, de 1967. O próprio Pena das Selvas faz o papel do “fearless” (destemido) caçador de vampiros, em uma alusão ao título original do filme em inglês. Outros elementos do filme citados aqui são os espelhos que só refletem os vivos, mas não os mortos-vivos, e a imunidade de alguns deles a clássicas “armas” anti-vampiro. No filme original era o crucifixo, mas aqui (para evitar símbolos religiosos, que não “cabem” no estilo Disney) o alho é usado.

PS Vampiros1

Outra coisa que não se pode usar em histórias Disney são balas de prata e estacas de madeira no coração (violentos demais, não pode haver sangue ou mortes), e assim papai recorre a uma solução criativa: ele dá ao Pena a ajuda de um “feiticeiro das selvas” e suas poções. É uma solução “pouco ortodoxa”, mas por isso mesmo bastante engraçada. Quem disse que só se pode lutar contra os seres das trevas (e principalmente vencê-los) da maneira tradicional?

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O Pena Das Selvas Ataca Novamente

História do Pena das Selvas, criada em 1978 e publicada em 1981.

A princípio, este deveria ter sido mais um dos personagens da linha de quadrinhos do Peninha na redação de A Patada, em adição ao Pena Kid, o Xaxam e a Assombração do Porão. Com o passar do tempo, porém, o elemento de meta quadrinhos deixou de ser usado para ele.

Em todo caso, na trama de hoje ainda temos o Peninha em sua mesa de trabalho, às voltas com o lápis, o papel e o esquadro de ângulo reto, como eu vi meu próprio pai fazer tantas vezes ao longo dos anos.

Pena das Selvas

A história em si é propositadamente meio tosca, já que está sendo escrita pelo Peninha, mas tem alguns elementos interessantes que são a marca registrada de papai. O primeiro é a menção a uma “Cachoeira de Tangananika”, um trocadilho com as palavras “tanga” e “nanica”, e uma referência ao Lago Tanganica, na África.

Além disso, temos um “guerreiro africano” que foi contratado para participar da história montando guarda no acampamento dos caçadores (como se contrataria um figurante de um filme de Tarzan) no Rio de Janeiro, mais exatamente no Morro do Pavãozinho (que, como todos sabem, é a inspiração para o “Morro do Papagaio”, morada do Zé Carioca).

Pena das Selvas1

Para finalizar voltamos ao Peninha em sua mesa de desenho, mais uma vez mostrando ao leitor como se faz uma história em quadrinhos ou filme B com tema de selva. O argumentista tem uma lista de elementos “selvagens” que ele pode combinar para montar sua aventura. Até aí, tudo bem. O problema é que o Peninha peca pelo excesso, combinando elementos demais e tumultuando a história.

Pena das Selvas2

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Perdido Na Cidade Perdida

História do Penas das Selvas, de 1983.

Nosso herói tenta se exibir para o povo da selva e acaba caindo no rio, no fundo do qual encontra uma passagem para uma misteriosa cidade romana perdida na selva.

Ao contrário de outras cidades romanas perdidas que papai já colocou em suas histórias, esta é mais moderna, quase (mas não muito) civilizada, apesar do modo de vestir e das armas no estilo antigo. Também ao contrário de outras representações de romanos, a intenção aqui não é ensinar palavras em Latim, mas simplesmente brincar com o tema.

Assim, eles têm carros, circuitos de TV, na arena se joga futebol, e “alimentar os leões” não é exatamente o que pode parecer a princípio.

PdS romanos

Nemone, que é o nome da rainha do lugar, é uma alusão a uma outra rainha vilã de um clássico dos quadrinhos, Tarzan e a Cidade de Ouro (1933) de Edgar Rice Burroughs. Uma evidência disso pode ser a criação de leões da rainha em nossa história, que o Pena das Selvas acaba indo alimentar.

Nemone

E no meio disso tudo, agindo como um irritante elo de ligação que primeiro coloca, e depois tira o nosso herói de sucessivas encrencas, está uma cacatua verde, que chama o Pena de “boboca” o tempo todo. Provavelmente porque ela o faz de, bem, boboca, o tempo todo.