A Fazenda Modelo

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Uma “fazenda modelo”, por definição, é uma instalação agrícola cuja estrutura e métodos servem de exemplo (ou modelo) para outras. Há fazendas desse tipo que prestam serviços, como o de locação para festas e eventos, outras são centros de acolhimento de animais abandonados e outras ainda praticam várias formas de agricultura experimental.

A fazenda onde meu avô, pai de papai, trabalhou como engenheiro agrônomo em Tietê/SP e onde meu pai passou parte da infância era uma dessas fazendas experimentais nas quais árvores frutíferas de todos os lugares do mundo eram aclimatadas para cultivo em grande escala no Brasil.

Já a fazenda do Tio Patinhas, que será atacada hoje pelos Metralhas, é uma fazenda experimental em um sentido mais tecnológico: em mais uma “profecia futurista” de papai, todo o trabalho, do plantio à colheita, e incluindo os cuidados com os animais e a ordenha do leite, é feito por máquinas e robôs autônomos de tipos variados. As fazendas atuais, aliás, já estão quase lá, com muitas de suas atividades feitas por grandes máquinas.

Dentre essas máquinas todas o destaque vai para o robô gigante de nome Ciclópton, que serve de segurança do local. Assim, enquanto as outras são programadas apenas para trabalhar, mas não para se defenderem ou reagirem se forem atacadas, o robô de um olho só faz o “trabalho sujo” de montar guarda e lidar com ladrões.

Papai deixa claro que a referência é à mitologia grega e à lenda de Ulisses: durante a Odisseia, a épica viagem de volta para casa depois da guerra de Troia, o herói e sua tripulação vão dar com os costados em uma ilha habitada por gigantes devoradores de homens de um olho só chamados Ciclopes. Para não servirem eles também de comida de gigante, os marinheiros primeiro cegam o gigante, ferindo seu único olho, e depois se agarram aos carneiros criados pelo monstro para conseguirem sair da caverna onde estão presos.

Assim, o plano é usar disfarces de ovelha para tentar entrar na fazenda, na esperança de conseguir enganar o robô. Mas é só esperança, mesmo: é óbvio que o plano vai dar espetacularmente errado, para a diversão do leitor.

Esta história contém também uma das piadas recorrentes mais engraçadas que eu já vi nas histórias de meu pai: cada pessoa que tenta contar as ovelhas cai no sono imediatamente. Primeiro o Donald, e depois o Tio Patinhas. E se acordam e tentam contar as ovelhas de novo, caem no sono outra vez, todas as vezes. Isso, é claro, não é somente mais uma piada engraçada, mas terá uma função decisiva no desfecho da trama.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Planeta Mithos

História do Fantasma do Espaço, escrita e publicada em 1977 na revista Heróis da TV, primeira série, Ano III, Número 29.

Na semana em que a existência de um planeta “semelhante à terra” foi anunciada, esta história vem bem a calhar. A lista de trabalho de papai mostra que, antes de escrever a versão final, ele fez uma pesquisa e resumo com a proposta da trama, e só depois que a proposta foi aprovada escreveu a história como nós a conhecemos.

Em um planeta que consta como “inabitável” nos mapas estelares, o Fantasma do espaço e seus ajudantes encontram uma atmosfera convenientemente rica em oxigênio, rios, montanhas, florestas, e tudo o mais necessário à vida. Estariam os mapas errados? Ou será que algo muito estranho estaria acontecendo?

Descendo à superfície para investigar, eles começam a encontrar diversos seres oriundos da mitologia grega, como centauros, faunos, e até um ciclope e a temida Medusa. O nome “Mithos” é uma referência a mitologia, é claro, bem ao estilo de papai, aliás.

Mithos

Como, exatamente, o planeta foi “terraformado” permanece um mistério, mas o nome do vilão responsável pela proeza é Mutor. Ele é, portanto, um “mutador” (ou “mudador”), um especialista em mutações e ilusões armado com poderosos “raios mutantes” de natureza tecnológica. Nada do que ele cria dura muito tempo, mas a espetacular explosão do planeta inteiro, no final, é algo bem real.

Mithos1

Ainda em 1977 papai escreveu uma história parecida para o personagem Falcon, “As Garras do Abutre”, sobre um vilão que escraviza pessoas com um raio hipnotizante em uma ilha misteriosa, e em 1981 ele voltaria ao tema com a história “Perigo na Ilha”, do Capitão Valente, ambas já comentadas aqui.

Esta história também tem semelhanças com “Os Doze Trabalhos do Morcego Vermelho” e “É de Arrepiar os Cabelos”, também já comentadas aqui, entre outras. Como já deu para perceber, o tema é um dos favoritos dele.

Mithos2

 

A diferença, aqui, é que ele trocou a ilha deserta por um planeta inteiro, e o aviador aventureiro por um astronauta, adicionando uma pitada de mitologia para “temperar”. Já bruxaria e tecnologia são certamente intercambiáveis nas histórias em quadrinhos, ambas com efeitos semelhantes.

****************

Quem ainda não leu está convidado a ler minha biografia de papai, à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Superpateta Na Terra Dos Marotos

Continuando nossa saga de 1975 o Pateta, sem super poderes e quase sem super-amendoins, é salvo das Cavernas Escuras por mais um estranho habitante da Terra Oca.

Mas enquanto esses novos seres moram num verdadeiro parque de diversões e só pensam em se divertir, o vilão continua com seus planos malignos de dominação, manipulando os Ciclopes para fazerem o trabalho sujo de invadir os domínios dos outros povos.

E o Pateta tem seus próprios problemas para resolver, como por exemplo achar um meio de voltar a ser super para continuar combatendo o vilão. Quando tudo parece perdido ele consegue recuperar os seus poderes e capturar o Dr. Kanhestro, no melhor estilo dos antigos filmes de mocinho e bandido.

super foca

Só que isso, é claro, não é o fim da saga. O melhor ainda está por vir.