O Roubo Do Ursinho

História do Superpateta, de 1979.

Esta é mais uma variação sobre o tema do cientista maluco com o canhão de raios de controle mental, como trabalhado nas já comentadas aventuras do Falcon e do Capitão Valente. Desta vez o vilão é o Professor Gavião em colaboração com os Metralhas, o que adiciona também o elemento da falta de honra entre ladrões.

Eles realmente têm todos o mesmo objetivo, que vai além da mera colaboração para o roubo: tapear o outro lado para não ter de dividir o produto do crime também faz parte, inclusive com a arrogância de se achar esperto por sua deslealdade.

A particularidade do raio maligno da vez é a indução de um sentimento de profundo tédio (para não dizer de depressão) em suas vítimas, o que faz com que elas percam o interesse em bens materiais e se sintam “cansadas de tudo”. Assim, entregam o que os vilões demandam e também perdem a vontade até mesmo de dar queixa na polícia.

Como sempre o plano parece infalível, o crime perfeito, mas a sua implementação terá uma falha pequena e aparentemente inconsequente que acabará levando o herói até o esconderijo do bando e à prisão dos bandidos.

Papai só anotou o nome da história na lista de trabalho na data da republicação, em 1983. Por isso, ao que tudo indica, ela ainda não está creditada no Inducks. Mas é dele sim, podem confiar.

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O Planeta Dos Autômatos

História do Professor Pardal, de 1975.

Esta história é um resumo de todos os anseios de papai no que diz respeito à existência de vida em outros planetas, à possibilidade de que nossa civilização se encontre com civilizações alienígenas no futuro e às consequências desse encontro.

Ao contrário das visões apocalípticas de muitos, que temem que esses seres sejam hostis e que possam querer nos aniquilar para tomar nosso lugar sobre a Terra, ele acreditava que esse contato poderia ser amigável e trazer grandes avanços tecnológicos a todos os envolvidos.

Para que isso acontecesse, ainda segundo suas teorias, bastaria que a humanidade alcançasse um nível suficiente de capacidade tecnológica que viesse a nos permitir encontrar com eles já no espaço, ou descobri-los antes que eles nos descubram. Essa teoria, aliás, é a base que rege séries de TV de ficção científica como Star Trek, por exemplo.

Isso, mais aliás ainda, difere bastante da tecnofobia exibida em outras histórias de ficção científica criadas por ele, nas quais não há alienígenas envolvidos. O porquê de haver essa confiança tão grande na suposta tecnologia alienígena e tão pequena na tecnologia humana é um paradoxo que eu não sei explicar. Muito provavelmente, é algo que tem mais a ver com os clichês dos quadrinhos do que realmente com as ideias pessoais de meu pai.

Representando a humanidade como um todo, ao fazer o “test drive” de uma nova e revolucionária tecnologia para foguetes, o Professor Pardal acaba encontrando uma civilização de pequenos robôs muito parecidos com o lampadinha. Eles a princípio são hostis, e têm a intenção de invadir o nosso planeta.

Já que, para evitar essa catástrofe, uma guerra está fora de questão, somente a cooperação tecnológica poderá resolver o problema. A grande sacada de papai é a de que, se os seres são artificiais, criados por um inventor alienígena (e nesse ponto temos também um “aceno” às teorias de “Eram os Deuses Astronautas” de Erich Von Daniken), por quê o planeta deles também não pode ser?

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A Volta Do Conde Cordeiro

História do Mickey, de 1977.

Chefe de uma perigosa organização criminosa e outro dos arqui-inimigos do Mickey e do Esquálidus, o Conde Cordeiro é mais um daqueles personagens promissores mas mal aproveitados criados no exterior e adotados por papai para mais uma aventura, pelo menos.

A inspiração veio da história “Esquálidus Contra O Conde Cordeiro”, com roteiro de Bill Walsh e desenho de Floyd Gottfredson, originalmente publicada em tiras entre 1949 e 1950, que papai provavelmente leu na Edição Extra 67, de 1975.

Esta é uma daquelas batalhas épicas cheias de reviravoltas surpreendentes, grandes sustos e boas risadas, com tentativas de assassinato bem sérias, muito suspense e forte inspiração da história original. Algumas das armas não letais usadas na história são bastante futuristas e muito usadas nas histórias de meu pai, como a arma grudenta, por exemplo, que já existe hoje em dia.

Na companhia do amigo Esquálidus e seu gazecaradraursa Pflip, e apesar dos esforços de proteção por parte da polícia de Patópolis em uma ação comandada pelo próprio Coronel Cintra (para que o leitor sinta a gravidade do drama), o nosso herói se vê sequestrado e levado ao covil dos bandidos, onde ficará cara a cara com um perigoso tigre de bengala e ajudará a libertar alguns cientistas aprisionados.

Um dos cientistas, aliás, de nome Professor Zarrolhos, devido ao destaque que recebe, pode até mesmo ser uma representação do próprio autor, já que papai também gostava de se colocar nas histórias para poder contracenar com os personagens.

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Um Monte de Abobrinhas

História da Patrícia, de Ely Barbosa, escrita entre setembro e outubro de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista “Patrícia” número 12, do mesmo ano.

Na lista de trabalho consta que foi mamãe quem deu a ideia. “Abobrinhas”, naquela época, era a ubíqua gíria da criançada (e também de gente que nem era mais tão criança assim) para “bobagem”, ou “besteira”. Não me lembro exatamente como surgiu mas, de repente, era só isso que se ouvia em todos os lugares, do pátio da escola aos programas de TV.

Está certo que a Patrícia é “meio desligada” e frequentemente esquece quais são, exatamente, as instruções que recebe de sua mãe, causando a maior confusão, mas hoje as coisas saem um pouco do normal. “Normal”, para a personagem, é sair para comprar três quilos de abobrinha, e voltar com 10 quilos de mandioquinha, por exemplo. Mas isto aqui já é um pouquinho demais:

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É só mais tarde na história que vemos a causa das abobrinhas todas: um ser estranho e sua máquina de raios dominadores da mente.

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Mas, ao que parece, o “desligamento” da menina tem um lado bom: toda essa falta de memória de curto prazo advém da incapacidade que ela tem de se concentrar por muito tempo, e isso a torna menos influenciável por esse tipo de plano maléfico.

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A Ilha Dos Super-Homens

História do Superpateta, de 1975.

É verdade que, ao se transformar, o Pateta pode até ficar “super”, mas continua “pateta”. Mesmo assim, e apesar de tudo, ele nunca é tão bobo a ponto de confiar demais em estranhos.

O Dr. Doidus (outro personagem criado por papai para uma história só), cujo nome é uma brincadeira com a palavra “doido”, é a epítome do cientista maluco que já vimos em várias outras do tipo para personagens como Falcon e Capitão Valente, por exemplo. Ele tem o mesmo plano megalomaníaco de dominação do mundo, que obrigatoriamente passa pela destruição (ou neutralização, levando-o para o “lado negro”) do herói.

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O trunfo do vilão é tentar ganhar a confiança do herói e fazer com que o Super revele a fonte dos seus prodigiosos poderes. A maioria das pessoas, ao pensar que está falando com seus iguais, frequentemente “se abre” e acaba confiando um pouco demais em completos desconhecidos.

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Mas, como eu disse antes, o “super” pode ser “pateta”, mas não é bobo. Resta saber, então, como os “super homens” da ilha se transformam, e qual será o seu destino quando o vilão for finalmente derrotado.

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O Escudo Invisível

História dos Irmãos Metralha, publicada uma só vez em 1975.

Uma coisa que o Metralha Cientista e o Professor Pardal têm em comum são as defesas esdrúxulas montadas ao redor dos respectivos laboratórios. Outra são os insistente pedidos, por parte de parentes, amigos e clientes, de invenções malucas para propósitos incomuns.

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Mas acima de tudo, esta história é mais um exemplo de como não existe honra entre ladrões. Todos tentam tirar vantagem de todos os outros, e hoje também aprendemos o motivo pelo qual os Irmãos toleram a presença do primo 1313 perto deles.

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O pontapé no Azarado, aliás, é só o terceiro golpe de uma “running gag” que vai fazer com que ele leve muitas pancadas no decorrer da história, e às vezes mais do que uma por página. Além da já esperada prisão do bando todo na última página, como não poderia deixar de ser na histórias da Disney, essa é a parte mais engraçada da história.

E novamente temos uma discussão implícita a respeito da condição do Metralha Azarado: será ele simplesmente uma vítima do bullying dos primos, uma “profecia auto realizável”, ou realmente portador de um azar sobrenatural que influencia a todos ao seu redor?

O “escudo invisível” de que fala o título é um campo de força gerado por uma máquina que tem o poder de repelir tudo o que estiver na sua frente, incluindo as balas dos revólveres dos policiais. E a princípio a máquina até que funciona. Mas, como acontece com todos os inventos experimentais, seu uso pode ter (e terá) efeitos inesperados.

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A Volta Triunfal Do Vespa Vermelha

História do Vespa Vermelha, de 1975.

Geralmente, em histórias de super heróis, ele aparece para salvar alguém ou alguma coisa de um ataque. E esse ataque pode ser desde um mero assalto e até algum tipo de ameaça envolvendo toda uma cidade, ou até mesmo o mundo inteiro.

Mas, no caso de hoje, o atacado será o próprio herói. Além disso, em mais uma inversão de papéis, ele será ajudado e até mesmo salvo por dois amigos que não são super heróis. Hoje, pelo menos, o Pateta esqueceu os super amendoins em casa.

Esta é uma história de ficção científica com um toque de tecnofobia. A ameaçadora “nuvem negra” que não depende da direção do vento para se locomover e lançar raios é na verdade um helicóptero camuflado e armado com tecnologias avançadas, e até o monte onde está esculpido o rosto de Cornélius Patus, fundador de Patópolis, foi transformado pelos bandidos para ser usado como esconderijo e também como foguete para a tentativa de fuga.

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Mas o mais surpreendente é o “chefe” dos vilões, e é nele que reside a tecnofobia da história. Ele é um cérebro eletrônico tão perfeito e tão inteligente que acabou tomando o controle do bando de seus inventores humanos, passando a mandar neles.

Esse cérebro eletrônico tem qualquer coisa do “Grande Cérebro” que manda no mundo do Esquálidus e também algo de grandes chefes mafiosos como o Grande Bronka e até mesmo o chefe da Anacozeca, ambos inspirados em O Poderoso Chefão e nos vilões dos filmes de James Bond. Principalmente, temos a relutância em aparecer, sendo visto sempre de costas, a revelação no final e a poltrona que é usada quase como se fosse um trono.

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Em todo caso não devemos nos esquecer que os computadores são apenas tão bons quanto sua programação e que algumas características humanas, como a criatividade e a capacidade de lidar com problemas imprevistos, não são o forte das inteligências artificiais. Pelo menos, não por enquanto.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook