Cadê a Trapaça?

História do Palhaço Sacarrolha, de Primaggio Mantovi, composta em novembro de 1974 e publicada na revista do personagem número 26 pela Editora Abril em Setembro de 1975.

Neste universo de personagens temos dois circos rivais: o Gran Circo Kabum, ao qual pertencem o Sacarrolha e seus amigos do bem, e o Circo Trapassa, composto por encrenqueiros que se dedicam (mais do que à arte circense) a atrapalhar as atividades do primeiro grupo, inclusive seguindo-os para todo lado.

Assim, onde quer que estejam, os integrantes do Circo Kabum sabem que seus rivais trapaceiros estarão sempre por perto e cheios de más intenções. Ou será que estarão, mesmo? E, se não estiverem, isso será um alívio, ou mais uma preocupação?

Quando a turma do bem olha em volta e não vê os maus, a incerteza aparece e começa a crescer. Afinal, onde estarão os trapaceiros? O que será que eles estão tramando? Tudo parece calmo demais… Onde está a trapaça? A tensão chega a crescer tanto, que acaba paralisando as atividades normais dos artistas.

Tão incômodas quanto sejam algumas pessoas e situações na vida, elas certamente são mais fáceis de aguentar quando a gente sabe com o que está lidando e consegue ver o problema com clareza. Por pior que seja, uma certeza é sempre “menos ruim” do que uma incerteza.

Ao mesmo tempo, papai vai nos mostrando alguns dos elementos dos bastidores de um circo: a montagem da lona, a preparação dos animais (eram os tempos, fazer o quê?), e até mesmo coisas como o avião que alguns circos têm e fazem circular sobre as cidades com uma grande faixa, tocando uma buzina, e anunciando com alto-falantes.

Quando os personagens chegam ao auge da preocupação, de repente tudo se resolve de maneira surpreendente, o que causa alívio em todos e faz o leitor rir. Às vezes, as preocupações nos fazem ver problemas onde eles não existem, e sofrer por antecipação com uma tragédia que talvez só exista em nossas cabeças.

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O Circo Voador

História do Zé Carioca, de 1984.

Inaugurado em outubro de 1982 no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, o “Circo Voador” é um daqueles espaços culturais tão importantes e benéficos para a população em geral que chegou a ser fechado por vários anos por um prefeito de Ego frágil.

Mas, me adianto. Voltando um pouco no tempo, na época em que esta história foi escrita ele havia acabado de abrir as portas, atiçando a curiosidade e a imaginação de todas as pessoas que se interessavam por espetáculos de circo, dança e música de todos os estilos em nosso País.

Mas acima de tudo, o nome do espaço cultural era o que mais intrigava as pessoas. Afinal, por quê “Circo Voador”? Papai, é claro, oferecerá sua própria explicação, que certamente causará muitas risadas ao leitor.

Outra definição com a qual ele brinca é a de “trapézio voador“, uma popular atração de qualquer circo que se preze. Quando bem executadas, as acrobacias desta modalidade podem ser realmente emocionantes. Mas não será este o caso, hoje.

Seria de admirar bastante se uma construção de fundo de quintal, feita por duas crianças com os aparatos de cama, mesa e banho da família para uma brincadeira, tivesse uma atração dessas.

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O Circo do Gordo

História do Gordo de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista número 22 do personagem, de Junho de 1988.

Um dos temas prediletos de papai para a Turma do Gordo era o resgate das antigas brincadeiras infantis. Em uma época em que circos eram muito populares, as crianças também costumavam brincar de circo, imitando o que viam nos picadeiros e apresentando espetáculos improvisados para vizinhos, amigos e parentes.

A brincadeira muitas vezes envolvia muitas das dificuldades e complexidades de um circo de verdade, começando com a montagem da lona, quando havia. A maioria das crianças se via obrigada a dispensar esse “detalhe”, enquanto outras improvisavam como podiam com lençóis velhos, cordas de varal e galhos de árvores, o que às vezes levava a “desabamentos” inesperados sobre os espectadores.

Mas a lona é realmente só um detalhe nesta história. Mais engraçado é ver as peripécias do personagem e seus amigos como artistas circenses amadores. E, se fazer uma apresentação na frente dos amigos de vizinhos já não é fácil, a coisa fica bem mais complicada se há gente hostil na platéia.

Esse é o caso da Turma do Jarbas, os eternos rivais, que faz o que muitas crianças faziam e entram por baixo da lona para não precisarem pagar. Mas convenhamos, com o preço real do Gibi na banca naquela época a Cz$ 70,00, como se pode ver na capa desta publicação, o preço de Cz$ 50,00 para a entrada fictícia até que não está caro.

Com o nervosismo causado pelas vaias gratuitas vem a falta de confiança dos personagens em si mesmos, o que leva a hilários erros e acidentes de percurso. Mas de qualquer maneira, a graça de uma história em quadrinhos é mesmo poder ver tudo dar errado sem precisar se preocupar com possíveis consequências.

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A Maior Atração

História do Palhaço Sacarrolha, de Primaggio Mantovi, publicada pela Editora Abril na Revista Sacarrolha número 26, de Setembro de 1975.

Ao que parece, um circo é como qualquer outra empresa: funcionários são contratados, demitidos, saem de férias, etc. Há, também, algum tipo de hierarquia, com atrações “maiores” e “menores”, e uma amigável e discreta rivalidade entre eles, que hoje será trazida para debaixo dos holofotes, por assim dizer.

A maior atração do Circo Kabum é, no pensar do próprio dono, o Dom Pepe, o Palhaço Sacarrolha. É certamente para ver as suas palhaçadas que o público vem ao circo. Com a chegada das férias dele, o espetáculo será desfalcado e um substituto temporário precisará ser encontrado.

Isso causa, a princípio, mais problemas, que acabarão levando a uma solução inesperada. Para começar, quem, dentre os vários artistas, seria o “segundo maior”? O domador de feras Gambini ou o mágico Xaveko? Para decidir eles começam uma divertida competição na qual, obviamente, quem ganha (principalmente em risadas) é o leitor.

É aqui que papai coloca o elemento da trama que vai distrair discretamente o leitor e fazê-lo esquecer um pouco do problema principal: entre truques de mágica e de adestramento de animais, cada um deles é muito bom em sua especialidade, obviamente, mas não se esqueçam de que quem está saindo de férias e precisa ser substituído é o palhaço.

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O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

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Dançando na Corda Bamba – Inédita

História do Zé Carioca, criada em 17 de maio de 1993 e nunca publicada.

De todos os planos do Zé Carioca para levantar uma graninha com pouco esforço, este é certamente o “menos honesto”, e isso dá a esta história um estilo um pouco mais “alternativo” do que à maioria das outras criadas por papai.

É provavelmente por isso mesmo que ela nunca foi comprada, nem na primeira e nem na segunda vez em que foi apresentada à turma da Abril.

Mas, como diziam os antigos, “a mentira tem asas, mas tem pernas curtas, e a verdade é uma velhinha que mora no fundo de um poço”. Quando a verdade finalmente consegue sair do poço, sempre escalando as paredes com muito esforço, a mentira perde suas asas e, por ter pernas curtas, não consegue mais fugir.

A trama de hoje, mais do que ser somente sobre o plano do Zé, é inspirada por um antigo samba de Ismael Silva chamado “Antonico“. O nosso anti-herói canta a primeira estrofe todinha na primeira página. “Dançar na corda bamba” era uma antiga gíria que queria dizer “passar por grandes dificuldades na vida”.

Já a cena mais engraçada desta história certamente está na página 05: os Anacozecos não apenas nunca conseguiram cobrar o Zé, como desta vez darão dinheiro (!) a ele. No final, é tudo um grande elogio e uma homenagem ao Nestor, o amigo fiel para todas as horas, pois aqui vemos o quanto ele é querido por todos na Vila Xurupita.

O Nestor é, aliás, tão “boa praça” que em momento algum nesta história fica bravo com o Zé por causa da trapaça que o papagaio tentou aprontar.

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Mistério À Paulista

História do Zé Carioca, de 1973.

As primeiras histórias do Zé são caracterizadas pela falta de outros personagens para contracenar com ele. Papai ia inventando um figurante aqui, outro ali, todos muito interessantes, mas sempre “personagens de uma história só”.

Quando o Canini inventou o Zé Paulista, papai viu nele uma bela oportunidade de diversificar os personagens e ao mesmo tempo tornar as aventuras menos aleatórias, com um grupo mais ou menos fixo de coadjuvantes.

Nesta história a Vila Xurupita ainda não existia, e vemos que o Papagaio Verde mora em um casebre com endereço e tudo, à Rua da Dureza, número 25-A. Coincidentemente ou não, “25A” é um grau de dureza de materiais na “escala Shore“, e equivale a plásticos moles, como borrachas, por exemplo. Seria esta uma sutil indicação de que a vida do nosso amigo malandro não é assim tão dura, afinal?

O nome da história é tanto uma referência ao primo Zé Paulista quanto a um prato típico da culinária do Estado de São Paulo, o “Virado à (moda) Paulista”, e a trama em si é um mistério policial bastante parecido com a dos “Herdeiros Trapaceiros”, já comentada aqui, e que foi a segunda história do Zé Paulista, e primeira de papai. Esta é a terceira, e a segunda de papai para o personagem.

Chamado às pressas pelo primo e seguido o tempo todo por misteriosas figuras vestidas de preto que tentam atrapalhar, em meio a pistas falsas e personagens que não são o que parecem ser, o Zé Carioca vai exercitando os seus dotes de detetive, que seriam úteis no futuro para a “Agência Moleza de Detetives”.

Sujo por causa da acidentada viagem até o circo do primo, o Zé vai tomar um banho antes de mais nada, e assim somos brindados com mais um “nu implícito” do papagaio. Isso era algo que papai gostava de fazer, com a cumplicidade de seus desenhistas, para brincar com o puritanismo das regras da Disney. Em 1977 ele voltaria a criar uma cena de nudez para o personagem na história “Zé Crusoé”, também já comentada aqui.

ZC misterio

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