A Repórter Mais Simpática

História da Margarida, de 1974.

Toda profissão tem seus “ossos do ofício”, e o jornalismo não é diferente. A competição entre os profissionais pode ser acirrada, e nem todos jogam limpo.

A isto papai adiciona o mito da rivalidade entre mulheres, uma fantasia machista que estava muito arraigada na cultura brasileira da época, e que é, até hoje, encorajada como mais uma das maneiras que existem de se tentar controlar o comportamento das mulheres para benefício dos homens. (Lembrem-se, mulherada: isso não precisa ser assim, e nós ganhamos muito mais unidas do que separadas.)

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Há também o problema da competição que é organizada de propósito para que apenas o participante “da casa” tenha chance de ganhar, de preferência humilhando os adversários no processo. A tarefa do pessoal do bem da história será conseguir ter uma chance justa, usando de alguma engenhosidade e astúcia, mas de preferência sem trapacear também. Papai usou isso várias vezes, mais notoriamente em histórias como “A Copa do Morro é Nossa”, e outras semelhantes.

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O desafio principal da competição será fazer uma entrevista agradável com “a pessoa mais antipática de Patópolis”. Por sorte da Margarida, a definição de antipatia é algo um pouco subjetivo, e é a chance que ela terá de “virar o jogo” com sutileza e elegância.

São os “truques” do jornalismo para se conseguir informações, algumas vezes até mesmo não deixando que o objeto da entrevista perceba que está sendo entrevistado.

O editor J. Rata Zana e a repórter Malu Tadora (ambos de A Patranha) aparecem apenas nesta história e são, portanto, criações de papai.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

 

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Iau! Que Susto!

História do Zé Carioca, de 1975.

Em mais um “cross-over” entre personagens de universos diferentes, hoje a Madame Min está tentando assustar dois incautos aleatórios como tarefa em algum tipo de competição, como um concurso ou gincana.

É obvio que, para manter o suspense, a presença da bruxa vai sendo revelada aos poucos. Mas quem realmente conhece a Min vai perceber que ela está lá desde o primeiro quadrinho, na forma de um siri roxo como seus cabelos, e de enormes olhos verdes. Esta é também uma variação do “duelo de magia” contra o Mago Merlin, da história do Rei Artur na versão da Disney.

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A pergunta que parece ser o ponto de partida da trama é: o que realmente apavoraria dois folgados preguiçosos como o Zé e o Nestor a ponto de eles saírem correndo desembestados da praia? Obviamente, a resposta não está relacionada com coisas sobrenaturais. Aliás, há coisas bem reais no mundo que despertam mais medo em algumas pessoas do que qualquer assombração.

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Interessante é o que parece ser uma colaboração entre dois desenhistas na confecção da história que iria para a gráfica, de acordo com os registros no Inducks. O Canini, para a história em si, e o Sérgio Lima nas cenas onde aparece a bruxa propriamente dita. Papai realmente dava um trabalhão aos desenhistas de suas histórias, com sua fértil criatividade.

Em compensação, este sistema dos Estúdios Disney da época representa uma vantagem sobre os autores de quadrinhos independentes que costumam produzir uma história inteira sozinhos, do roteiro à arte final. Raros são os que convidam outro desenhista (um especialista em outro estilo de desenho) para colaborar com suas criações e torná-las visualmente mais ricas, preferindo tentar assumir o papel de “artista completo” ou “gênio solitário” com taxas variadas de sucesso.

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A Má Magali

História das bruxas, de 1978.

Toda bruxinha boazinha também pode ter seu dia de malvada, e hoje á a vez da Magali. O expediente usado para “transformar” a menina é um dos clichês mais usados de todos os tempos, mas que nunca sai de moda: a “velha e boa” (só que não) pancada na cabeça.

Aparentemente, este é o único modo de fazer a bruxinha ficar má, porque, como sabemos, de acordo com as “leis da magia” das histórias em quadrinhos, não é possível mudar a índole de alguém por meio de magia. Ou a pessoa se convence a ser má por vontade própria, ou nada feito. E para que o efeito seja apenas temporário, já que não se pode mudar as características dos personagens de nenhuma maneira permanente, uma amnésia passageira é a melhor pedida.

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Tudo isso por causa de uma poção que, ainda de acordo com as caprichosas leis da magia, não pode ser exposta à presença de uma pessoa boa. A poção, por sua vez, está sendo preparada para mais um dos frequentes concursos de bruxaria organizados pelo Bruxomestre. E o mais engraçado é que, mais uma vez, todas as participantes inventaram de apresentar um mesmo feitiço velho, cada uma de uma maneira levemente diferente. Assim não há concurso que aguente…

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E hoje temos a primeira (e única, por sinal) aparição de mais uma personagem criada por papai, a Bruxa Malvina. Ela é apenas uma coadjuvante sem muita importância, mas o nome começado com “mal” é bastante sugestivo para uma bruxa brasileira.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

A Eleição De Miss Bruxa

História das bruxas, de 1974.

A Madame Min não se dá com espelhos mágicos, decididamente, especialmente aqueles do tipo “espelho, espelho meu, quem é mais bela”, etc., etc. O espelho ou cai na gargalhada e é quebrado de raiva, ou já vai se quebrando sozinho logo de uma vez, de susto.

Já a Maga Patalójica, isso todo mundo também sabe, não prima pela simpatia, e muito menos pela generosidade. Assim, quando ela aparece toda simpática no castelo da Min, se dizendo jurada de um concurso e convidando a colega para participar, com regulamento em mãos e tudo, é de se desconfiar que ela não esteja planejando nada de bom.

Miss bruxa

Nesta trama papai brinca com as percepções e com as ideias preconcebidas do leitor: quando se fala em “miss” (senhorita, em Inglês), todo mundo logo pensa em “concurso de beleza”. A própria Min pensa assim, e é com isso que a Maga está contando. Mas se o leitor for realmente atento, verá que em nenhum lugar se diz explicitamente que este é um concurso de beleza. Uma “miss” é mesmo só uma mulher solteira, nada mais. O resto é fruto de nossos anseios, desejos e ilusões.

Já os “familiares” da Min, o gato Mefistófeles e o corvo que, assim como os espelhos mágicos, não conseguem segurar o riso sempre que a bruxa tenta se achar bonita, passam a história toda sendo transformados, a cada vez que ela se enfurece.

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Realmente… quem tem amigos assim, não precisa de inimigos. Mas não fique triste não, Minzinha. Com 18, 800 ou 1000 anos de idade, ninguém precisa realmente de espelhos e concursos, ou de qualquer aprovação externa, para se sentir bem consigo mesma e com a própria aparência.

E essa é uma coisa que acontece muito na vida real, não é mesmo? Até mesmo as mulheres mais poderosas do mundo acabam caindo na armadilha dos “padrões de beleza”, e principalmente os do tipo mais inatingível. É claro que ninguém precisa andar por aí com cara de bruxa, mas também não devemos exigir de nós mesmas uma beleza que não temos.

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O Gato Que Sabia Demais

História das bruxas, de 1975.

Vai haver mais um concurso de bruxarias em Bruxópolis, e desta vez a intenção é testar o adestramento e a obediência dos gatos das bruxas. O prêmio de mil asas de morcego da Pomerânia nem é realmente a principal motivação delas, mas sim o prestígio que a ganhadora conquistará aos olhos do povo da cidade das bruxas.

A Maga Patalójika tem o seu “Lúcifer”, um gato vesgo preto e branco que é perfeitamente obediente, e é com ele que ela pretende participar.

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Já o Mefistófeles, o gato pardo da Madame Min, não está se sentindo particularmente dócil no momento. Não quer ir ao concurso, não quer participar de nada, nem colaborar com nada. Mas, chegado o grande dia, lá está ele em Bruxópolis, desacompanhado de sua dona e absolutamente bem treinado. A participação dele no concurso é espetacular, mas quem conhece bem a Madame Min sabe que algo está muito errado…

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O título da história é baseado no nome de um filme de mistério, suspense e espionagem de 1956, “O Homem que Sabia Demais”, dirigido por Alfred Hitchcock. Mas as semelhanças param por aqui. Na verdade, o “demais” no título se refere mais a algo que é “bom demais para ser verdade” do que outra coisa.

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Quem ainda não leu está convidado a ler minha biografia de papai, à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Tortas E Pastelões

História do Peninha, de 1974.

Eu já comparei, em postagens anteriores neste blog, certas histórias de papai a receitas culinárias: basta combinar as características já conhecidas dos vários personagens da maneira correta, temperar com um pouco de humor, mistério ou drama, dar uma agitada e voilà! Temos uma história em quadrinhos.

E ele também tinha plena consciência dessa analogia, e aqui não é diferente. Pense bem, leitor: se misturarmos o Peninha, o Ronrom, uma torta de peixe e um concurso de culinária, o que teremos? Uma comédia pastelão, é claro!

O concurso é concorridíssimo, e todo mundo que cozinha, ou acha que cozinha em Patópolis está concorrendo. A Vovó Donalda com sua famosa torta de maçãs, o Donald com uma torta gigante, e até o Tio Patinhas, com uma torta econômica que não leva ovos, nem leite, nem recheios caros. Cada personagem tem uma torta ao seu estilo, e que combina com a sua personalidade predefinida.

Como mais uma pitadinha de humor, os cacófatos e trocadilhos abundam nos nomes dos jurados, bem ao estilo de papai.

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Piadas recorrentes, como as várias cenas nas quais o gato é escorraçado de perto da torta do Peninha também são salpicadas aqui e ali como se fossem sal ou até algo mais fino, como lascas de trufas negras. Por fim, a ideia fixa do Ronrom por peixes vai eliminar qualquer possibilidade de que esta história não termine em confusão.

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O leitor atento já deve ter adivinhado como esta história termina, afinal, não se pode colocar uma torta salgada para assar e esperar retirar do forno um bolo doce, mas até aí isso é o de menos, e a própria previsibilidade faz parte da graça.

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Minha biografia de papai “saiu do forno” recentemente e está à espera de vocês nas melhores livrarias, sonhando em ser vendida tão facilmente quanto biscoitos fresquinhos. E faltam só dois dias para a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

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