Eh, eh, eh, Fumacê

História da Fofura, de Ely Barbosa, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Fofura número 2 em julho do mesmo ano.

O tema é ambiental, com um grande enfrentamento entre os bons, eternos defensores da floresta e de seus amigos bichinhos, e os maus, que querem instalar uma fábrica de fazer fumaça no meio da mata. Nem é preciso dizer quais seriam as nefastas consequências de uma coisa dessas, não é mesmo?

O conceito de “fábrica de fazer fumaça” é uma tentativa de mostrar as fábricas em geral pelos olhos de uma criança. Afinal, o “produto” mais visível que sai de muitas dessas instalações é mesmo a fumaça, pelas chaminés. A criança geralmente não vê o que é feito dentro desses prédios.

Como em toda boa história do tipo, a tensão entre os grupos adversários é crescente e os maus parecem invencíveis, mas só até o momento em que são vencidos pela astúcia e trabalho em equipe dos bons.

Já a inspiração para o nome da história vem de uma antiga canção dos Golden Boys, de 1970. A letra parece ingênua o suficiente, mas há quem já a tenha relacionado com tipos menos inocentes, e até mesmo ilegais, de fumaça. Em todo caso, o público alvo da revista é jovem demais para conhecer a música e suas possíveis interpretações, restando a eles somente a interpretação mais literal.

Hoje em dia o termo “fumacê” está mais relacionado com o combate ao mosquito Aedes aegypti, se bem que aquilo não é exatamente fumaça, mas um composto químico bastante controverso.

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O Caso Do Rabo Desaparecido

História do Ursinho Puff, de 1976.

Trata-se de um mistério no estilo policial, com direito a uma investigação do tipo “Sherlock Holmes” e tudo, mas sem perder o caráter mais ingênuo e infantil das histórias com estes personagens.

O fato é que, com exceção do coelho Abel e do Corujão, todos os outros bichos nesta história são na verdade brinquedos de pano ou pelúcia, que ganham vida na imaginação de seu dono, o menino Christopher Robin. (Qualquer semelhança, aliás, com a posterior série “Toy Story” não terá sido mera coincidência, pelo jeito.)

Já na imaginação de papai, os bichinhos não gostam de serem lembrados de que não são animais de verdade, e esta é uma das principais piadas da trama, além, é claro, da running gag com o pote de mel, que servirá para abrir e também para fechar a história.

Puff rabo

A solução do mistério nem é tão importante quanto o processo seguido para se chegar a ela, com uma investigação muito lógica e profissional feita pelo Corujão, que inclui as costumeiras perguntas à vítima (e a comicidade das respostas meio atravessadas) e até o proverbial rastro de pegadas a ser seguido.

Mas o leitor atento que conhece este tipo de história, e os personagens em questão, não vai ter dificuldade em deduzir quem é, afinal, o culpado. É bem óbvio, até.

Outro detalhe interessante é o uso da onomatopeia na primeira página. Há um interessante “jogo de sons” entre “Puff”, o nome do ursinho, e “paf”, a palavra escolhida para representar o som do pote de mel ao se quebrar. Às vezes, o que torna uma história interessante ou engraçada está em pequenos detalhes que podem até passar despercebidos, mas que surtem seu efeito assim mesmo.

Puff rabo1

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