A Grande Tourada

História do Gordo, personagem de Ely Barbosa, composta em maio de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista número 7 do personagem em outubro do mesmo ano.

Esta é uma variação um pouco menos convencional do tema “brincadeiras de criança”: o Gordo assistiu às “Touradas de Madri” na TV e resolveu imitar o que viu, completo com capa e roupa de toureiro.

Mas por trás disso há também um plano, que vai aos poucos se tornando recorrente nas histórias de papai para este personagem: a intenção por trás dessa exibição toda é tentar conquistar a Lena, a menina popular da turma.

Apesar de ainda não haver, há 30 anos, toda essa consciência que temos hoje sobre maus tratos a animais, já naquele tempo o assunto da crueldade das touradas começava a se tornar delicado (e como sempre piadistas, os brasileiros passaram a “torcer pelo touro”).

E é com delicadeza que papai trata do tema. Assim, o “touro” (já que estamos falando de brincadeiras de crianças) também não passa de um filhote, um bezerro mansinho e amestrado com um capacete de chifres. Tudo não teria passado de uma grande brincadeira onde todos se divertem, incluindo o animal, se a malvada turma do Jarbas não tivesse achado de se intrometer e maltratar o bichinho.

Mas o próprio bicho saberá fazer a justiça necessária, quando chegar a hora. Dá-lhe, touro!

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O Circo do Gordo

História do Gordo de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista número 22 do personagem, de Junho de 1988.

Um dos temas prediletos de papai para a Turma do Gordo era o resgate das antigas brincadeiras infantis. Em uma época em que circos eram muito populares, as crianças também costumavam brincar de circo, imitando o que viam nos picadeiros e apresentando espetáculos improvisados para vizinhos, amigos e parentes.

A brincadeira muitas vezes envolvia muitas das dificuldades e complexidades de um circo de verdade, começando com a montagem da lona, quando havia. A maioria das crianças se via obrigada a dispensar esse “detalhe”, enquanto outras improvisavam como podiam com lençóis velhos, cordas de varal e galhos de árvores, o que às vezes levava a “desabamentos” inesperados sobre os espectadores.

Mas a lona é realmente só um detalhe nesta história. Mais engraçado é ver as peripécias do personagem e seus amigos como artistas circenses amadores. E, se fazer uma apresentação na frente dos amigos de vizinhos já não é fácil, a coisa fica bem mais complicada se há gente hostil na platéia.

Esse é o caso da Turma do Jarbas, os eternos rivais, que faz o que muitas crianças faziam e entram por baixo da lona para não precisarem pagar. Mas convenhamos, com o preço real do Gibi na banca naquela época a Cz$ 70,00, como se pode ver na capa desta publicação, o preço de Cz$ 50,00 para a entrada fictícia até que não está caro.

Com o nervosismo causado pelas vaias gratuitas vem a falta de confiança dos personagens em si mesmos, o que leva a hilários erros e acidentes de percurso. Mas de qualquer maneira, a graça de uma história em quadrinhos é mesmo poder ver tudo dar errado sem precisar se preocupar com possíveis consequências.

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O Aniversário do Gordo

História do Gordo, de Ely Barbosa, composta em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista O Gordo e Cia número 12 mais tarde naquele mesmo ano.

Esta história é inspirada em duas mais antigas que papai fez para a Disney: Um Presente para Puff, de 1976 e O Aniversário do Tio Donald, de 1977, ambas já comentadas aqui.

Do Donald ele tira a noção da data de aniversário no dia 13, uma sexta-feira. Só não se sabe qual é o mês, mas a julgar pela época na qual a história foi composta, pode-se ter uma ideia sobre de onde veio a inspiração. (Se bem que, em 1987, o 13 de agosto não foi uma sexta-feira, mas sim uma quinta).

Já do Puff vem a questão dos presentes. Do mesmo modo como todo mundo acha lógico dar mel ao ursinho, o presente óbvio para o Gordo são as bolas, de todos os jeitos, tipos e tamanhos. Somente o Tio Bembém, o excêntrico, costuma presentear com outras coisas, como bonecas para um menino, por exemplo.

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Esse é o “problema” que dá início à história e também a solução no final de tudo, já que o Tio fará o papel do desavisado que salvará a pátria sem querer, como na solução da história do Ursinho, dez anos antes. Papai, aliás, deixa a pista (de modo consciente ou não) da inspiração na própria história:

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Mas aqui o presente “alternativo” não são roupas, e sim produtos de higiene pessoal, como loções e perfumes. No meu tempo de adolescente não havia ofensa pior: dar coisas como sabonetes e xampus, por mais finos e perfumados que fossem, era o mesmo que “mandar tomar banho” a alguém. Até ganhar um par de meias era menos humilhante do que isso.

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Arqueiro Arteiro

História do Gordo, de Ely Barbosa, composta em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril no mesmo ano, na revista O Gordo e Cia número 14.

O arqueirismo, arqueiria, ou tiro com arco é um esporte que deriva de antigas técnicas de caça e pesca. O arco era usado também como arma em guerras, mas ficou obsoleto após o aparecimento das armas de fogo.

Hoje em dia tem grande prestígio como esporte olímpico, mas sua prática (especialmente a amadora) requer alguns cuidados que crianças em geral costumam não tomar ao fazer suas primeiras experiências com o que ainda é, para todos os efeitos, uma arma.

Para começar, é preciso muita concentração para atirar flechas com o arco, e esse é um dos aspectos que papai aborda: a cada vez que o Gordo vai tentar atirar alguém o atrapalha, o que gera alguns bonés e chapéus atravessados por flechas. Mais uns centímetros para baixo e não seriam apenas os chapéus, e isso já é uma advertência para as crianças: não façam isso em casa, pelo menos, não sem a supervisão de um adulto.

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Uma das melhores piadas da história é também a mais sutil: depois de atrapalhar o Gordo e testemunhar as consequências, o Fininho vai saindo… de fininho.

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Mais ou menos nesta época papai comprou um arco simples e flechas e trouxe para nós crianças brincarmos, e ele conosco. Por sorte nosso quintal era grande e tinha muros altos, assim não havia muito perigo de acidentes. A brincadeira proposta por ele foi fazermos um torneio atirando em latas de conserva vazias, empilhadas no outro lado do quintal.

O que ele provavelmente não nos disse é que isso tudo já era uma espécia de “pesquisa”, ou “laboratório” para a história que ele queria escrever. Evidência disso é o torneio que acaba acontecendo entre o Gordo e a turminha rival, a do Jarbas, que também tem um pouco a ver com histórias Disney como “O Torneio de Aeromodelos”, “A Corrida de Vassouras” e “A Grande Corrida de Tartarugas”, todas já comentadas aqui.

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Os Oito do Forte

História do Gordo, de Ely Barbosa, escrita em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista número 13 do personagem em janeiro de 1988.

Brincadeiras infantis da infância de papai eram um tema recorrente em suas histórias, e ele usou várias vezes a brincadeira do “Forte”, para vários personagens, como o Pena Kid e o Mickey, por exemplo. A diferença, aqui, é que o Forte não se propõe a ser Apache nem da Legião Estrangeira, mas faz referência a um episódio da História do Brasil.

Gordo forte

A “Revolta dos 18 do Forte de Copacabana” aconteceu em 1922 para expressar um descontentamento dos soldados de baixa patente das Forças Armadas com o modo de governo da época.

A trama, aqui, mistura um pouco da malandragem que o Gordo, na versão de papai, “herdou” do Zé Carioca, com uma briga entre moleques e um pequeno mistério sobre os reais motivos da briga. Há, também, um pouquinho de desconstrução do machismo, mostrando que não existem brincadeiras “de menino” e “de menina”.

Gordo forte1

Papai aproveita, como costumava fazer sempre que possível, para citar os nomes de todos os personagens ao longo das páginas, para que o leitor que não conhecesse os personagens não se sentisse alienado. Mas, mesmo colocando a turma toda, e incluindo a turminha rival e bichos de estimação como o Bode Cheiroso e o chihuahua El Tigre, o máximo de integrantes que papai consegue reunir para defender o Forte é oito. Dez a menos. Daí o título da história.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook