Que 10-Leal

História dos Irmãos Metralha, composta em 1978 e publicada em 1980.

O Tio (aqui chamado por papai de Primo) 10-Leal foi criado no exterior em 1967 e usado por lá em uma história só. Após 11 anos papai o descobriu e o adotou para mais uma.

Adotar personagens era prática frequente no processo criativo de meu pai. Para ele não havia personagem tão “fraco” ou “insignificante” que não merecesse pelo menos mais uma história, e alguns ele inclusive alçou ao estrelato, como o Metralha Azarado 1313, a principal de suas vítimas na família Metralha.

Semelhante ao 10-Leal (cuja alcunha soa como a palavra “desleal”) e igualmente usado em pouquíssimas histórias é o Primo Dedo-Duro 123. Juntar os dois nesta história é uma maneira de dar a ambos um castigo merecido e definitivo antes de devolvê-los ao esquecimento.

Ao contrário da Tia Ana, que é realmente honesta, esses dois são apenas pilantras que colaboram (ou fingem que colaboram) com a polícia para chantagear seus primos. Não existe, aliás, coisa pior do que ter falsos amigos dentro da própria família, diga-se de passagem.

É por isso que, mais do que ser preso, e mais do que levar uma surra dos primos, o real castigo do 10-Leal será ter de engolir o próprio apito “de chamar o guarda”.

Já o “Presídio da Rua Frei Caneca”, citado por um dos Irmãos como sendo onde os dois Metralhas trapaceiros teriam “morado” por algum tempo, existiu realmente e ficava no Rio de Janeiro. Era o mais antigo do país, construído ainda no tempo do Império, tendo sido demolido com uma implosão em 2010. No tempo em que esta história foi publicada, se encontrava em pleno funcionamento.

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É Duro Ser Dedo-Duro

História dos Irmãos Metralha, de 1977.

O Metralha Dedo Duro é um chato de galochas, mas nem sei se é possível chamá-lo de “ovelha negra” de uma família que já é composta por tantos bandidos. Ele não é honesto, como a Tia Ana, mas assim mesmo se arvora a “dedo duro” da polícia, sempre consultando o Código Penal e pronto a entregar seus primos por qualquer motivo.

Este é mais um dos “adotados”, de papai. Foi criado no exterior em 1975 e usado lá em exatas duas histórias. Aqui no Brasil foi usado em mais duas, ambas escritas por meu pai. (Sim, apesar de ainda não estar creditada no Inducks, a história chamada “Que 10-Leal” também é dele, e será comentada aqui algum dia).

Metralha dedo duro

Nesta história ele “chega chegando”, e vai logo começando a querer dedurar. Na verdade, isso é somente um método para chantagear os primos e conseguir algumas vantagens, como um bom tratamento, por exemplo. Mas é claro que nenhum plano maléfico pode ter muito sucesso em uma história Disney, nem mesmo quando todos os personagens são vilões.

A presença do jogo de bolas de gude é mais um resgate de antigos jogos e brincadeiras brasileiros que papai gostava de fazer, como o jogo de palitinho nas histórias do Zé Carioca, as gincanas das crianças, e por aí vai.

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