A Descoberta do Brasil

História do Terremoto, da turma da Patrícia de Ely Barbosa, composta em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia em Quadrinhos número 8 em janeiro de 1988.

Mais uma vez papai usa os personagens da turminha para tentar ensinar um pouco de História do Brasil ou, pelo menos, despertar a curiosidade da criançada para que prestem atenção na aula, quando a professora mencionar o assunto.

O Terremoto de papai tem um pouco de Patinho Biquinho da Disney com algo da personalidade do meu irmão quando era pequeno, mas elevado ao cubo, é claro. Ele era arteiro, mas nem tanto. Em todo caso, isso certamente faz parte da percepção que os adultos têm das crianças, e da tendência que temos de interpretar a exuberância delas como “traquinagem”. A frase abaixo é algo que o meu irmão disse um dia ao ser confrontado por causa de alguma “arte”.

O resto da história é uma brincadeira com a tendência que algumas crianças têm de levar o que os adultos dizem ao pé da letra e com a percepção que a televisão passa sobre como são os índios, sempre ao estilo norte-americano. Assim, quando a professora diz que “Cabral partiu de Lisboa à frente de 13 naus”, é isto que o Terremoto imagina:

É esse jogo de percepções de lado a lado e a representação das falhas de comunicação entre adultos e crianças que tornam a história engraçada. Enquanto as crianças têm seu próprio modo de pensar e ver o mundo e ainda não aprenderam que ele não é o único possível, é preciso que os adultos procurem ter a sensibilidade de entender as crianças e dar a elas o carinho e o apoio dos quais elas necessitam para ter um desenvolvimento saudável.

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A Guerra Que Não Houve

Publicada na Revista Crás! de 1974 juntamente com Vavavum, esta é mais uma abordagem à História do Brasil. A pesquisa foi feita por Paula Dip e Márcia Dias, o texto é de Ivan Saidenberg, e os desenhos de Ivan Washt Rodrigues.

Que o Brasil foi descoberto no ano de 1500, isso todo mundo sabe. O que menos gente sabe é que em 1503 Fernando de Noronha e Gonçalo Coelho estabeleceram no que se chamou de Cabo Frio, no litoral da região à qual se deu o nome de Rio de Janeiro, uma “feitoria“, ou seja, um assentamento e entreposto comercial. A intenção era exportar Pau Brasil a Portugal, já que a resina da madeira, de cor vermelho vivo, era usada para tingir tecidos, entre outros usos.

Mas o que menos gente ainda sabe, e que pode não ser lá muito verdade mas é uma boa história, é o que aconteceu ou poderia ter acontecido entre 1500 e 1503, com início em 1501. Nesta história papai propõe a teoria de que um suposto renegado português de nome Pero Camargo (é sabido que membros da família Camargo estiveram entre os primeiros europeus a se estabelecerem no recém descoberto Brasil) teria chegado à praia sozinho, lançado ao mar como punição por alguma indisciplina a bordo de um navio português, e feito amizade com os nativos, chegando inclusive a se casar com uma índia em 1503.

A primeira parte da história é uma representação da vida pacífica dos índios na bela Pindorama (que era o nome que os nativos davam à terra), enriquecida pelos belíssimos desenhos de Rodrigues e pelas inserções de papai de palavras do idioma Tupi. Papai faz, ao longo de toda a história, um grande esforço para mostrar ao leitor o máximo possível da cultura e idioma dos habitantes originais do Brasil.

A segunda parte nos mostra a chegada de mais “caris” (homens brancos), ávidos por riquezas e dispostos a tudo para tentar encontrá-las. Uma invasão de dois marujos à aldeia dos índios causa uma escaramuça e um nativo morto a tiros, o que quase desencadeia a primeira guerra entre índios e brancos no Brasil. Quase, mas só quase, porque Pero Camargo intervém como mediador e intérprete entre os dois lados, e acaba por estabelecer o diálogo e fazer reinar a paz, ao menos temporariamente.

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Pero Vaz De Peninha

História do Peninha, publicada pela primeira vez em 1983.

Este é um “relato alternativo” do descobrimento do Brasil, com o Peninha no papel de um hipotético “segundo escrivão” da armada de Pedro Álvares Cabral, em adição a Pero Vaz de Caminha, este sim figura histórica que escreveu o que é considerado a “certidão de nascimento” de nosso país.

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A trama funciona também como uma aula de História (ou, mais exatamente, um convite à pesquisa histórica mais séria um pouco por parte do leitor), uma aula de idiomas (Português de Portugal, Tupi e Francês) em nível bastante elementar, é claro, mas está valendo, e finalmente, mas não menos importante, como uma grande piada de português.

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Papai começa fazendo o personagem principal citar alguns trechos da carta original de Caminha, nos primeiros quadrinhos, e em seguida continua compondo uma engraçadíssima variação sobre o tema, com o peninha descrevendo (e escrevendo) o que vê enquanto se depara com todo tipo de desventura e aventura.

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Quando Pero Vaz de Peninha já está perdendo as esperanças de voltar à terrinha, ele é finalmente resgatado por seus compatriotas e vai à Torre do Tombo entregar seus manuscritos ao editor real Dom Patinhel, o antepassado português do Tio Patinhas, onde leva a primeira “patada” da qual se tem registro e descobre o porquê do “tombo” no nome da torre.

História hilária, educativa e imperdível, que deveria ser republicada todos os anos em Abril ou Setembro. 😉