Um Mistério Muito Louco

História do coelho Escovão, da turma da Fofura de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da coelhinha número três em agosto de 1987.

Ao colocar o Escovão como detetive particular papai está desenvolvendo ideias que vêm desde detetives da literatura, como Sherlock Holmes, e passam por personagens das histórias Disney, como o Mickey detetive e a Agência Moleza do Zé Carioca.

Em todo caso, ao contrário de outros detetives dos quadrinhos, que não conseguem resolver um caso nem mesmo se a solução estiver bem na frente do nariz deles, o Escovão mata a charada de primeira e em seguida convida o leitor a fazer o mesmo.

O resto das influências vem de Alice no País das Maravilhas, com a representação do Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco, o Barrigudinho e a Lebre Maluca. Mas a pista central para o leitor é a de que todos eles, à exceção do Barrigudinho, têm cara de gente malvada.

O leitor mais atento não tardará a associá-los com os vilões da turminha, Capitão Biruta e Tantan, e deduzir que é tudo um plano deles para tentar fazer o Escovão de bobo.

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O Vulto Sinistro

História do Zé Carioca, de 1975.

Os Detetives da Moleza, Zé e Nestor, são chamados a investigar um caso envolvendo um tesouro enterrado em um casarão em ruínas no meio de uma noite escura durante uma tempestade de raios. Está estabelecido, desde o primeiro quadrinho, o cenário perfeito para uma história de fantasmas.

A história segue, de uma maneira como sempre simplificada, o roteiro clássico dos mais tradicionais contos policiais e de mistério da literatura mundial: nada é o que parece ser, os aparentemente inocentes são na verdade culpados, e os aparentemente culpados na verdade são inocentes.

A brincadeira segue com os nomes dos primos, dois macacos netos do “Barão das Bananeiras”. Micco, com dois “C” só pelo efeito cômico, e Mac Acco, em uma grafia que lembra os pomposos sobrenomes escoceses. No final das contas, “mico” e “macaco”, são praticamente sinônimos. É como “o roto falando do rasgado”, por exemplo.

Já o título “Barão das Bananeiras” serve para denotar algo ao mesmo tempo pomposo e prosaico, algo como uma oitava abaixo em relação aos “barões do café”, expressão também pejorativa. Era o título “informal” dado pelo povo aos “coronéis” que compravam esse tipo de título de nobreza para melhor poderem continuar explorando e oprimindo a população mais pobre no entorno de suas terras.

Mas ao que parece existiu mesmo um barão “Das Bananeiras”, com o título oficial de Barão de Araruna. Ele também tinha propriedades em Bananeiras/PB. Vai daí…

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Um Caso Macabro

História do Zé Carioca, escrita no finalzinho de 1982 e publicada pela primeira vez em 1985.

Trata-se de uma versão “atenuada” de “O Cão Dos Baskervilles”, um macabro romance policial de 1902 escrito por Sir Arthur Conan Doyle para os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson.

Na data da composição deste comentário a história ainda não estava creditada a papai no Inducks (tenho certeza de que alguém pulou uma linha ou esqueceu de apertar algum botão), mas com o nome na lista de trabalho e a revista na coleção, além do tema, é claro, já que fazer adaptações de grandes clássicos da literatura era um dos hábitos dele, não há dúvida da autoria.

Da história original ele usa a ambientação lúgubre, completa com um pântano e terrenos que expelem asfixiantes gases sulfurosos, o sobrenatural “cão dos infernos” (aqui um “cão fantasma” pintado com tinta fosforescente) e o “herdeiro torto” (um velho descontente que acredita ter direitos à herança) obcecado e capaz de tudo por dinheiro. Mas é claro que não poderá haver mortes nem nada de mais grave.

O Zé e o Nestor, chamados a investigar pela Rosinha, farão o papel do detetive famoso e seu ajudante, ainda que relutantemente, como sempre. O papagaio não é exatamente famoso por sua coragem, para se dizer o mínimo. Mas eles se esforçam e até mesmo conseguem resolver o mistério, na tentativa de “marcar pontos” com o Rocha Vaz. Será que desta vez ele conseguirá conquistar a simpatia do “sogrão”? Quem ler, verá.

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Os Espiões Que Entraram Em Fria

História do Zé Carioca, de 1975.

Trata-se de mais um “encontro” de “turmas” diferentes, ainda que os integrantes desses dois universos mal se encontrem.

A Maga Patalójika resolve se mudar do Vesúvio para o Rio de Janeiro (com casa e tudo, diga-se de passagem), mas não consegue despistar os dois detetives (criados em 1963 por Carl Barks) que o Tio Patinhas contratou para vigiá-la. Esta é, aliás, a primeira história brasileira na qual esses dois aparecem. A segunda (e última) história nacional na qual eles são usados data de 1981, mas não é de papai.

Enquanto isso, a Rosinha cismou que o Zé precisa arrumar um emprego imediatamente. Isso, é claro, vai acabar levando a uma situação na qual ele e o Nestor vão substituir os detetives por algum tempo, mesmo sem saber a quem estão vigiando, nem quem é o “patrão” que está pagando pelo serviço. O mais importante, aqui, é “mostrar serviço” para a Rosinha, só isso.

O título da história é uma alusão ao filme de 1965 de nome “O Espião Que Saiu do Frio”, inspirado no livro homônimo de 1963. Além disso é também uma referência aos poderes da Maga, que costuma conjurar tempestades e nevascas quando quer atacar “discretamente” a quem a incomoda.

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Por fim, o detalhe interessante é o curioso telefone sem fio dentro da maleta, um “futurismo retrô” que me parece ser também coisa do Barks mas que, como bons brasileiros trabalhando para uma grande empresa, o Zé e o Nestor vão usar para fins pessoais.

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