Vizinhos Do Barulho

História do Pato Donald e seus sobrinhos, de 1976.

Esta história foi escrita quase um ano antes de “Campistas Vigaristas”, outra história sobre o tema, e se passa no exato mesmo camping.

Como eu já disse quando comentei a história dos Metralhas, o “Acampamento das Pedras” existe de verdade, e fica na região de Itu/SP. Que eu me lembre, nossa família chegou a acampar algumas vezes em alguns desses lugares, e uma vez até mesmo no Rio de Janeiro, e todos eles eram muito seguros e pacatos (à exceção da aventura no Rio, que terminou em tempestade tropical com direito até a tromba d’água no mar, mas essa é outra história).

Tenho a impressão que esta modalidade de turismo estava na moda naquele tempo, por ser barata e oferecer uma aventura de baixo risco para famílias, e que muitos dos nossos amigos também visitaram este acampamento e voltaram com histórias para contar, que meu pai ouvia ávidamente e depois aproveitava em suas criações.

Portanto, não sei dizer se realmente houve alguma confusão por lá enquanto estivemos acampados, ou se foi algo que aconteceu com algum amigo de papai, ou se foi simplesmente uma maneira que ele encontrou de “fazer uma propaganda engraçada” do lugar onde passou um final de semana agradável com a família.

Mas, se é que isso pode ser alguma indicação, quem for dar uma olhada nas tarifas do referido camping vai notar que o preço por pessoa para casais e famílias é a metade do que é praticado para grupos compostos apenas por rapazes. De resto, o local é bonito e bem organizado, e vale pelo menos uma visita para passar a tarde.

Hoje os bagunceiros no acampamento são o Donald e o Silva, que tiveram a mesma ideia como solução para se afastarem um do outro e conseguir parar de brigar, com uma pequena “ajuda” dos membros de uma banda de Rock formada por valentões.

Além disso, como papai gostava de fazer nas histórias dos brigões, parte da diversão (dele, principalmente) era induzir o leitor a tentar descobrir quem estava xingando a quem de quê.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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Inventos Fraudulentos

História do Professor Pardal, de 1983.

O tema, aqui, é definitivamente “fraude”. Não apenas os inventos que estão sendo vendidos na rua são fraudulentos, porque são inventos defeituosos vendidos baratinho como se fossem bons, mas também a própria pessoa que os está vendendo, apesar de se parecer perfeitamente com o Pardal, é um tipo de fraude.

Mas isso é algo que, em um primeiro momento, o leitor não vai saber. Nem o leitor, e nem os personagens, que serão todos levados no bico, e não por acaso. A coisa começa a se esclarecer quando vão, todos os cidadãos lesados de Patópolis, ao mesmo tempo até a porta da casa do inventor para reclamar. É aí que o leitor atento verá uma silhueta que pode muito bem passar despercebida por olhos menos alertas, e que é a chave para tudo.

Pardal inventos

Já a pista do que possa ser o “invento secreto”, roubado do laboratório assim que a porta se abre, está nos nomes do cliente que o encomendou e da cidade onde ele mora. “Nitrus” e “Glicerius” vão lembrar, para quem conhece um pouco de química, tem bons conhecimentos gerais, ou era fã de quadrinhos e dos desenhos animados que passavam na TV naqueles tempos, a palavra “Nitroglicerina“, e também não por acaso.

Outro detalhe interessante nesta história, que já é alicerçada em tantos deles, é uma rara trégua entre Donald e Silva. Eles chegam a concordar, enquanto colaboram com o inventor e o resto da turma para tentar entender o que havia acabado de acontecer.

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E como também acontece frequentemente, há toda uma ação secundária protagonizada pelo Lampadinha, enquanto a trama principal se desenrola. Isso tudo junto, com toda certeza, fará o leitor voltar atrás e folhear a história várias vezes, em busca de todos os detalhes que deixou escapar, alguns deles bastante discretos, mas não menos engraçados.

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A Ave-Do-Paraíso

História do Pato Donald versus o Silva, publicada pela primeira vez em 1973.

Mesmo quando resolvem tentar fazer as pazes, Donald e Silva ainda assim conseguem brigar. O problema da vez é um enorme e barulhento pássaro africano que o Silva coloca numa gaiola em seu quintal, sem se importar se a ave irá perturbar o sossego da vizinhança, ou até mesmo esperando que perturbe.

Silva ave

Donald tenta várias abordagens ao problema: primeiro tenta ignorar, depois esbraveja na janela, passa o dia na casa da Margarida, e por fim invade o quintal do vizinho e solta o pássaro da gaiola, na esperança que ele fuja e suma. O fato é que nenhuma das coisas que ele faz para tentar resolver o problema funciona e no fim o Silva, que é o criador do problema em primeiro lugar, vence a batalha.

Muito se diz sobre o Donald ser tão culpado da guerra de vizinhos quanto o Silva, mas desta vez o que fica é a impressão que um grave ato de bullying foi perpetrado pelo Silva sobre o Donald, que já havia até aceitado a ideia de não brigar mais com o vizinho.

Se o Donald é rabugento e talvez um pouco impaciente demais com o Silva, este muitas vezes parece ser conscientemente mal intencionado. Pelo menos, essa é a abordagem geral que papai dá a este tema, nas 10 histórias que escreveu para os dois. É sempre o Silva que começa, geralmente por inveja do Pato,  chatice, ou pura intolerância.