O Retrato Enfeitiçado

História do Tio Patinhas contra Maga Patalójika, de 1973.

É o seguinte: a revista está na coleção, e o estilo é dele (a forte influência de Barks dos primeiros anos e o uso de um tema da literatura mundial). Mas me parece que ele se esqueceu de anotá-la na lista de trabalho. Eu tenho 99% de certeza de que a história é dele, mas se alguém tiver 100% de certeza de que não é, por favor me avise.

Então: a inspiração vem de “O Retrato de Dorian Grey”, de 1891, escrito por Oscar Wilde. Na história original o retrato vai envelhecendo no lugar de seu dono, um aristocrata hedonista, amoral e tão moralmente corrupto quanto fisicamente jovem e belo, enquanto ele mesmo se mantém misteriosamente jovem e belo por muitas décadas.

Aqui, o quadro vai ficando “mais rico” à medida que uma maré de azar magicamente induzida pela Maga Patalójika vai fazendo o Tio Patinhas perder dinheiro e ficar “mais pobre”.

A solução é recrutar um velho inimigo da Maga, um obscuro tio dela com aparência de Leprechaun chamado Nicodemo que só aparece nesta história, para lançar um contrafeitiço. Um leprechaun parecido, de nome “O’Doom” (Nicodemus), é uma criação italiana e pode muito bem ter sido a inspiração para este da história de hoje.

O interessante é que esta é uma figura do folclore irlandês. O autor Oscar Wilde também era irlandês, e consta que a mãe dele, Lady Jane Wilde, era poetisa, nacionalista irlandesa e estudiosa do folclore da Ilha Esmeralda.

E isto também é uma sutileza muito característica do estilo de meu pai de compor histórias.

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A Boneca!

História de terror, publicada pela Editora Taika na revista Almanaque do Além 130 (Nº AM-2, Mês 7) de 1970.

O Argumento é de papai (de uma ideia de Newton Barreto) a arte é de Edgard de Sousa e as letras são de Dolores Maldonado.

Esta história me parece ser uma adaptação um pouco modificada de “O Retrato de Dorian Gray“, só que “em 3D”, no sentido que o centro da trama não é uma pintura, mas um objeto mais palpável. Uma menina ganha uma boneca, e desenvolve uma obsessão por ela. Não quer mais comer, nem dormir, começa a ir mal na escola, e por fim até falta às aulas, tudo para poder ficar brincando por mais tempo no fundo do quintal com a sua boneca.

Trata o objeto como se estivesse vivo, fala com a boneca, e se ressente profundamente quando é forçada a separar-se dela por qualquer motivo. Para acabar com a fixação da menina pelo brinquedo, seu pai finalmente resolve escondê-lo, e a menina fica gravemente doente, tamanha a ligação psíquica entre ela e sua boneca.

Mas a menina sobrevive, e como era de se esperar, acaba esquecendo o brinquedo: volta a estudar, comer, enfim, a ter uma vida normal. Cresce, se casa, e a vida segue. Seria uma história banal, se não fosse o surpreendente desfecho, aquele último quadrinho dramático e macabro que é a razão de ser da história toda, e a serviço do qual estão todos os outros acontecimentos da trama.

Em seu leito de morte, o pai finalmente revela qual foi o destino da boneca que tanta confusão causou e a moça, encorajada pelo marido, resolve procurá-la no sótão “mal assombrado” da casa onde cresceu, só para ter a surpresa mais horripilante de sua vida:

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