Um Monstrengo Incomoda Muita Gente…

História do Morcego Vermelho, de 1976.

Assim como aconteceu com os superamendoins do Superpateta, a poção misteriosa do Doutor Zung também já foi distribuída por papai aos mais diversos personagens. Até o próprio Morcego já tomou uns goles dela, e hoje é a vez de todos os mais perigosos bandidos de Patópolis… juntos!

O plano, arquitetado pelo Dr. Estigma, envolve o uso da poção pelo bando para a realização de mais uma fuga espetacular da prisão, e subsequente onda de crimes pela cidade.

Vai ser um páreo duro para o nosso herói, mas nada que ele não consiga resolver. Afinal, se ele tem aquele jeitão atrapalhado em comum com o Superpateta, ele certamente não é tão bobo quanto o herói voador.

O título da história é uma paródia de uma antiga canção infantil chamada “Um Elefante Incomoda Muita Gente”, que pretende ensinar criancinhas a contar os números de 1 a 10 em ordem crescente e decrescente, enquanto usa o tema potencialmente irritante da repetição como elemento de humor. Hoje, quem canta são os próprios bandidos, mas não por muito tempo, é claro.

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O tema “cantigas infantis” continua na solução que o herói encontra para lutar contra os bandidos:

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E papai também aproveita para fazer um pouco de graça com o Telefone Morcego, que o herói atende de uma maneira um pouco coloquial demais para um “telefone de trabalho”, como se estivesse falando com um velho amigo. De quebra, ele acaba sugerindo que o Coronel Cintra pode ter uma vida que vai além da Polícia e da delegacia, inclusive com família e filhos.

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Os Profissionais Sem Classe

História do Superpateta, de 1975.

Desta vez os Profissionais Sem Classe declaram a que vieram: o objetivo de seus planos maléficos é nada mais nada menos do que a conquista do mundo.

Mas para que essa megalomania possa se tornar realidade, antes eles precisam derrotar o Superpateta. E para lutar contra um super herói, eles armam um super plano composto de várias super armadilhas sucessivas. Tudo nesta história é “super”, e ao longo das primeiras duas páginas o leitor pode até ficar preocupado. Será que o herói conseguirá escapar? E de que modo?

Como é costume de papai em histórias com múltiplos personagens, e especialmente vilões como os Sete Anões Maus e os próprios Profissionais Sem Classe, ele dá um jeito de citar ao longo das páginas todos os nomes de todos os envolvidos, de preferência em conexão com suas características principais, para que o leitor possa saber quem é quem e o que cada um faz.

Profissionais sem classe

A ideia dos vilões é vencer o super pelo cansaço, mas na verdade o máximo que os bandidos conseguem é fazer o nosso herói ficar resfriado. E isso, é claro, vai ser a ruína deles. O super espirro de um super herói super resfriado é uma força com a qual não se brinca, além de produzir uma piada em série das mais hilárias.

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Enquanto isso, meu plano de dominação do mundo começa com minha biografia de papai, que está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

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O Congresso De Super-Heróis

História do Morcego Vermelho, publicada pela primeira vez em 1975.

O nosso herói volta a Patópolis de uma viagem e se depara com uma convenção de super heróis, que está sendo organizada pelo Patacôncio e seu jornal, A Patranha.

Logo de cara, uma caricatura de papai aparece no primeiro quadrinho, como se fosse a “assinatura” dele:

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A ideia da convenção de heróis não é má. Nem é um golpe do Patacôncio, que no início, pelo menos, tinha planos de desmascarar o Morcego Vermelho. O problema é que a presença de muitos “supers” em Patópolis logo atrai a atenção dos bandidos da Classe dos Profissionais Sem Classe, que planejam roubar os poderes dos supers com uma máquina do mal e depois usar esses poderes para se tornarem super bandidos.

A graça começa com os heróis que vêm chegando, tanto da própria Patópolis, a exemplo do Superpateta, como de outras cidades: o Homem Múltiplo, de Multiplópolis (repita três vezes, bem rápido), o Minhocão, de Minhocópolis, e outros não menos curiosos, como o Mosquito Elétrico (apelido comum naqueles tempos para crianças pequenas e magrinhas que não paravam quietas).

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Interessante é o herói chamado Abutre Voador, de Urubusópolis… Ele lembra alguém muito conhecido, não é mesmo?

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Enfim: o grande desgosto do Morcego Vermelho é não ter super poderes, e seu maior sonho é ter alguns, como voar, ver através de paredes, ou ter uma super audição. Mas o que parece ser uma desvantagem, aqui acaba virando uma vantagem. Por não ter super poderes para serem roubados, ele acaba sendo o herói mais indicado para salvar a festa, ganhando inclusive a admiração e a gratidão do Patacôncio, que aqui, curiosamente, é colocado num papel positivo, sem nenhuma menção à rivalidade com o Patinhas e A Patada. Será este o fim das tentativas de desmascarar o Morcego?

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E o melhor de tudo é que nesta história papai “empresta” ao Morcego Vermelho todos os poderes possíveis, e este aproveita para fazer uma pequena festa com eles, antes de devolvê-los aos seus legítimos donos. Afinal, mais vale um gosto do que três vinténs, e o criador sabe ser generoso com suas criaturas.

O Grande Jogo

História sobre “como não se joga futebol”, de 1975.

Futebol é o esporte nacional, jogado por todos em todos os lugares do país, desde nos campos profissionais até nas mais amadoras várzeas. Assim, parece natural que se jogue futebol também no pátio das prisões brasileiras, e na prisão de Patópolis não é diferente.

Aqui temos uma partida entre os Irmãos Metralha e a Classe dos Profissionais Sem Classe. Uma vez que todos os personagens principais são vilões, é claro que a coisa toda não pode dar certo. “Escalado” para ser o juiz de um jogo “barra pesada” temos, novamente, o João Bafo de Onça, que já foi árbitro de um jogo do Zé Carioca.

Semelhante às histórias das bruxas, a trama aqui é cheia de inversões de valores, como se a cultura e forma de pensamento dos vilões fossem exatamente o contrário das que nós, pessoas boas, temos. Desse modo, o juiz entra em campo aos gritos de “ladrão” das arquibancadas, crente de que está abafando. Além disso, as regras do jogo lembram as do boxe: pancadas abaixo da linha da cintura são proibidas.

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As trapaças abundam, como o juiz comprado (pelos dois times), a bola “roubada” pelo Vovô Metralha, literalmente (que a rouba e depois esquece), a viseira do Primo Cientista e até o “gol de bengala” do Vovô, entre outras maluquices. Cada personagem usa algum atributo ou característica sua para sua vantagem, ou para simplesmente trapacear. Há até quem fique feliz em ser expulso do jogo, e depois desapontado ao ver que está sendo devolvido à cela.

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Já o Vovô lembra com saudades das bolas de capotão, que foram as primeiras bolas de futebol já feitas, com gomos de couro e câmara de ar de bexiga de boi. Certamente, uma lembrança da sua juventude.

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É claro que um jogo desses não pode terminar bem. Na verdade, ele nem termina direito. Mas a decisão do campeonato da penitenciária precisa acontecer, e a direção do presídio encontra uma solução criativa, que envolve outra “modalidade” do esporte que apresenta menos risco de dar em confusão.

Interessante é a participação de Metralhas “pouco comuns”, como o Tio Zero, o Supersensível 666 e até mesmo o Primo Cientista, todos eles personagens estrangeiros carinhosamente “resgatados” e “adotados” por papai.

A Classe Dos Profissionais Sem Classe

História do Superpateta de 1975.

Desta vez, papai inventa toda uma turma de vilões, organizados em uma espécie de sindicato ou organização com o objetivo de se contrapor ao Superpateta. Ele inclusive deixou anotado a lápis, no quadrinho de apresentação da turma, os respectivos nomes e especialidades dos bandidos. Fiz até um scan com uma resolução um pouco melhor, que é para ver se dá para ler:

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São eles: Dr. Estigma (presidente), Dr. Enigma (expulso do grupo), Dr. Temporal (especialista em refrigeração), Dr. Espectro (iluminação), Dr. Estelionato (falsificação), Dr. Zung (química), Dr. Mefisto (plásticos), Dr. Arrasarrasa (física), Dr. Biguebem (barulho), Dr. Morsa (armas), Dr. Calunga (mágica), e Dr. Versejão (também conhecido como Dr. Vivaldo).

Alguns deles foram pegos “emprestados” das histórias de outros heróis, como o Dr. Zung, originalmente um adversário do Morcego Vermelho inspirado em Dr. Jekyll e Mr. Hyde. O Morsa é inspirado em “A Morsa e o Carpinteiro” de Alice no País das Maravilhas. O nome “Temporal” tem algo a ver com tempo, ou clima. “Espectro” é uma referência ao “espectro solar”, resultado da “quebra” da luz branca nas sete cores do arco íris com a ajuda de um prisma. Diz-se que Isaac Newton, que fez a proeza pela primeira vez, achou que estava vendo um fantasma, e daí chamou a coisa toda de “espectro”. “Mefisto” é uma referência ao Diabo da tradição Cristã. De que modo isso estaria ligado a plásticos é um mistério para mim. “Biguebem” é uma referência ao Big Ben, que é o nome do sino do relógio (não do relógio, mas sim do sino, esse é o detalhe) que fica na torre do Palácio de Westminster, e que é um dos símbolos da Inglaterra. “Calunga” é um nome que vem da cultura afrobrasileira, e por isso está relacionado à mágica. E finalmente “Versejão” é um poeta sem inspiração. Versejar é fazer maus versos.

Os malvados colocam em prática um elaborado plano para atrair o herói até o esconderijo deles, onde planejam acabar com ele.

Mas a coisa não é assim tão fácil. Primeiro, o simples Pateta é um pouco, digamos “simples” demais, e demora a “se tocar” de que a poluição sonora que se abateu sobre Patópolis – na forma do toque de um sino super amplificado – precisa receber a atenção do Superpateta.

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A intenção de papai, certamente, era fazer com que o leitor ficasse angustiado com a burrice do Pateta, e torcendo pelo momento no qual ele iria finalmente se transformar e começar a investigar a coisa toda.(Aliás, note-se a sacola de compras na mão do Pateta, que saiu para comprar comida. Ele é um consumidor consciente, muito antes disso existir).

E quando o Super finalmente chega ao esconderijo dos vilões, a “poderosa” arma que ele prepararam não faz o efeito desejado, mas é o suficiente para ele finalmente perceber que alguém está tentando acabar com ele. Daí para a espetacular prisão dos bandidos é um pulo.

São tantos, e tão maus, especialistas nas mais diferentes ciências e artes malignas, mas na “hora do vamos ver” não dão nem para a saída. O bem venceu novamente, e com um pé nas costas.

Já passou pelo site da Marsupial Editora? O livro “de papai” sobre a História dos Quadrinhos no Brasil está lá esperando.

A Volta Do Monstrengo

Não postei nada ontem, porque não estava me sentindo lá muito bem, mas hoje faço questão de compensar.

No mesmo Almanaque Disney 75, de 1977, temos também esta história, do Morcego Vermelho contra o Monstrengo.

Como já sabemos, o Monstrengo é ninguém menos que o Dr. Zung, o diminuto estudioso das traças, que criou em seu laboratório uma poção para ajudá-lo a lidar com a imensa fome de bolos de chocolate que ele sente. A poção não lhe tira a fome, mas dá a ele a coragem e a força necessárias para sair por Patópolis roubando docerias.

Todas as piadas e situações características dos personagens são usadas, desde o Dr. Zung usando o fato que a poção perdeu o efeito para escapar à prisão, até os pulos errados do Morcego e suas consequências imprevisíveis.

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Também desta vez o Morcego Vermelho toma da poção por acidente e se alia ao Monstrengo, dominado ele mesmo por uma incontrolável fome de bolos de chocolate.

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Interessante é o uso de um “triplo adjetivo”, para caracterizar a tudo que é relacionado ao monstro como “terrível, horrível e pavoroso”: o monstro é terrível, horrível e pavoroso aos olhos do povo da cidade e também aos seus próprios. A fome de bolos de chocolate também é terrível, horrível e pavorosa. Ao todo, essa expressão é repetida umas 10 vezes ao longo da história.

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Outra coisa engraçada é a a atitude totalmente debochada do Monstrengo para com o Morcego Vermelho. Até o bordão do nosso herói ele rouba.

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O Monstrengo

Publicada pela primeira vez em 1973, como parte da segunda revista das três que lançaram o Morcego Vermelho.

Um herói precisa de vilões para enfrentar, e um herói divertido como o Morcego certamente tem vilões à sua altura.

O “inofensivo e pacato Dr. Zung” é um mirrado estudioso das traças que vive cercado por elas. Ele sofre de uma incontrolável fome por um único alimento, o bolo de chocolate, e para saciar essa fome cria uma poção que o transforma no “terrível e sinistro Monstrengo”. O problema é que a poção não mata a fome, mas pelo menos dá a ele a força necessária para sair por aí roubando docerias.

E essa transformação é também a “arma” do Dr. Zung para evitar ser preso: depois de passado o efeito da poção, ninguém acredita que aquele tampinha de aparência frágil e o enorme e invulnerável Monstrengo sejam a mesma pessoa.

Quanto ao que faz com que esta história seja engraçada, todos os elementos clássicos de uma história do Morcego se aplicam, desde os pulos errados, até acidentes de todos os tipos. Quanto mais o Morcego se acidenta, mais a gente ri.

As placas e outros elementos que não são, exatamente, parte da trama também adicionam ao humor. A mais engraçada é certamente a placa que está na frente da casa mal assombrada até onde o Morcego vai à procura do Monstrengo:

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O Monstrengo também parece ter uma resposta para cada equipamento do Morcego: corre mais do que o pula pula Morcego, e contra a motocicleta Morcego tem um velocíssimo velocípede monstro.

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Engraçada também é a empáfia do Monstrengo que, por ser invulnerável (as balas dos tiros dos policiais só lhe fazem cócegas) e muito forte, se dá ao luxo de literalmente sapatear sobre o Morcego Vermelho.

MOV Monstrengo

Mas é claro que esse vilão também tem um ponto fraco, e por causa dele é preso no final, pelo próprio Morcego Vermelho, ainda por cima, que finalmente dá uma dentro e o laça com a corda Morcego.