O Bicho Papão

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 10, em fevereiro de 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema da “fórmula de fazer crescer árvores” que papai criou para o Professor Pardal alguns anos antes e que foi publicada em 1980 na trama intitulada “Sementes da Confusão”. O problema básico é o mesmo: o desmatamento rápido e crescente que está acabando com a floresta e ameaçando os animais de extinção.

A solução proposta, também: uma fórmula química e meio mágica criada pelo cientista para promover o crescimento super-rápido de plantas dos mais variados tipos para recompor a floresta devastada.

Mas é claro que papai não se limitaria a fazer uma mera cópia de outra história. Aqui ele coloca elementos novos, como o Bicho Papão em pessoa (e também os Sacis, mostrados como animais da floresta, além de coelhos e outros bichos mais comuns) como vítima e queixoso do desmatamento, e a distribuição das sementes preparadas com a fórmula por via aérea.

O elemento que liga o começo ao final da história é o nervosismo de galinha da Xicória, que tem medo de tudo e de todos, pelo menos até a metade da história. Quando ela finalmente perde o medo, a situação então surpreendentemente se vira ao contrário, “contra” ela, para a diversão do leitor.

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Maus Ventos O Levem

História do Pato Donald, de 1977.

Quando o Silva, o vizinho chato do Donald, está envolvido, tudo é motivo para uma briga das feias. Hoje o problema é uma árvore já adulta que o Donald plantou em seu quintal durante o mês de férias do Silva para dar sombra e fornecer um apoio onde amarrar uma rede.

Mas a maioria das árvores dá um pouco mais do que sombra: algumas dão frutos, é certo, e muitas outras soltam uma infinidade de folhas, que acabam levadas pelo vento até onde menos se espera. Quando há arvores por perto, folhas espalhadas são um fato da vida. O problema começa quando algumas pessoas não conseguem lidar com o problema de uma maneira sensata.

Já que simplesmente cortar a árvore seria anti-ecológico e os sobrinhos escoteiros do Donald não poderiam permitir uma atrocidade dessas, então também caberá a eles encontrar uma solução. Mas essa solução é só o modo de terminar a história, e de maneira inusitada, para a diversão do leitor. O verdadeiro tema da coisa toda é a briga entre os dois vizinhos.

E briga haverá. Em certos quadrinhos, a diversão é tentar identificar quem é que está xingando a quem de quê.

Em outros a graça vem do jogo de palavras contido na altercação entre os dois briguentos.

O título da história é uma inversão da expressão “bons ventos o levem”, que, nos tempos dos navios a vela, era mais uma maneira de se desejar uma boa viagem aos navegantes.

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O Lugar Quase Perfeito

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

São só duas páginas, mas a curta aventura dos simpáticos bichinhos tem toda a força de um manifesto pela proteção do meio ambiente.

Não é de hoje que a expansão das grandes cidades, com suas obras barulhentas acompanhadas da derrubada até mesmo das últimas árvores restantes – sobreviventes – em meio ao mar de cimento, apesar de representar o “progresso” e um “avanço” para os seus moradores humanos, é um verdadeiro problema para as espécies animais que vivem (ou tentam viver) conosco no mesmo ambiente.

O que acontece “de vez em sempre” é que esses animais se vêem forçados a fugir pelo bem de suas vidinhas, abandonar suas árvores e tocas, e encontrar um novo lugar para se instalar, com resultados às vezes desconcertantes. Não é raro ver pássaros, mamíferos, insetos e até répteis fazendo seus ninhos em casas e demais construções humanas, para a surpresa e desconforto dos invasores do habitat animal.

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Esta história, aliás, contém mais uma das “sacadas proféticas” de papai, com a mudança forçada dos esquilos para um dos buracos de um campo de golfe: nas Olimpíadas deste ano no Rio, vimos, entre surpresos e divertidos, jacarés, corujas e capivaras exatamente nas imediações do local onde foram disputadas as partidas da modalidade.

A explicação, é claro, é a de que o campo de golfe olímpico invadiu o habitat dos animais, e não o contrário. Isso, aliás, porque ninguém mais se surpreende com os quero-queros nos campos de futebol.

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Natal Na Floresta

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em julho de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 8 em dezembro do mesmo ano.

O Natal é realmente uma festa mágica, e não apenas por causa da religião Cristã. Até mesmo membros de outras religiões acham difícil resistir às suas luzes, seus símbolos e à troca de presentes. Mas a celebração também carrega consigo vários problemas e dilemas que, novamente, pouco têm a ver com religião. Como já vimos em “Um Natal Bem Diferente”, costumes como o pinheiro enfeitado vêm da tradição pagã nórdica, representando a resiliência da vida no auge do inverno.

E se o problema nas histórias Disney tem a ver com as origens da festa, aqui o dilema está em sua adaptação para um ambiente tropical e – ainda por cima – ambientalmente correto. O Professor Pirajá e a Galinha Xicória vivem na Amazônia, com acesso limitado a certos confortos da vida moderna, como TV e coisas assim. Eles têm eletricidade, pelo menos, mas tentam viver sem agredir o meio ambiente. A intenção, é claro, é ensinar aos jovens leitores a ter alguma consciência ecológica.

Não parece, mas este é um problema ecológico sério. Todos os anos, em países como os EUA, milhões de pequenos pinheiros naturais são cortados, montados em bases de madeira e vendidos para servir de enfeite. Enquanto essas árvores são belíssimas e perfumadas, uma vez cortadas é impossível evitar que sequem e morram no processo.

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Os mais conscientes as arrancam pela raiz e plantam em um vaso, mas são grandes as chances de que a árvore ainda assim morra no final. Como são poucas as pessoas que podem ter um pinheiro plantado na frente da casa o ano todo só para servir de enfeite no final do ano, resta o problema: o que fazer com milhões de toneladas de árvores secas após as festas? Nos EUA existe inclusive um serviço de coleta de pinheiros secos, e até mesmo uma tentativa de manejo sustentável do material.

Quem opta por árvores e enfeites artificiais pode até estar poupando a vida de uma árvore natural, mas ainda assim está lidando com plásticos, que são derivados de petróleo. Não é a coisa mais “ecológica” do mundo. Há quem faça seus enfeites com galhos já secos, garrafas PET e outros tipos de materiais descartáveis, mas esta também não é a solução perfeita.

Assim sendo, fica a pergunta: como fazer uma festa de Natal sem pinheiro, já que na Amazônia não existe esse tipo de árvore na floresta nativa, e sem cortar nenhuma outra árvore? Natal sem árvore enfeitada dentro de casa ainda é Natal? Quais símbolos dessa festa são indispensáveis, e quais se pode adaptar, e como?

Após a aparição do Papai Noel de verdade, para que se cumpra o costumeiro milagre de Natal que deve acontecer nesse tipo de história, tanto o Professor como a Xicória encontrarão suas soluções criativas para o problema.

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Sementes Da Confusão

História do Professor Pardal, de 1980.

Uma coisa que todos os que gostam de árvores (seja pelo oxigênio, ou pela fruta colhida no pé e devorada ali mesmo à sombra da mesma árvore onde nasceu), observam com frequência é a desanimadora rapidez e facilidade com que se derruba uma floresta, em comparação ao longo tempo que as árvores levam para crescer e frutificar.

Sendo assim, esta história é um exercício sobre um desejo de “diminuir a diferença”. Quem sabe, se as árvores pudessem crescer tão rápido quanto são derrubadas, o meio ambiente em nosso mundo estaria em uma situação um pouco melhor.

Interessante é o fato de o Pardal se referir à sua fórmula o tempo todo por “poção”, coisa que talvez fosse mais apropriada para um bruxo, e não um cientista. Mas até aí, como já vimos antes, há quem proponha que “uma tecnologia muito avançada é indistinguível de magia”.

Pardal sementes

Enquanto isso, o Lampadinha passa a história toda às voltas com um marimbondo enfezado, enquanto dá palpites no trabalho de seu chefe. Desta vez, quase todas as suas falas são traduzidas de “bzz” para “língua de gente”. É possível observar que o marimbondo também faz “bzz”, o que me leva a pensar se o motivo dessa “cisma” toda não teria sido algo que o Lampadinha disse em “língua de Lampadinha” que o marimbondo entendeu como algo ofensivo na “língua” dele.

A “piada interna” da história fica por conta da maneira que papai achou para “assinar” sua criação, logo no primeiro quadrinho. “Saidebaixo” era uma das muitas variações jocosas (algumas mais inocentes, outras menos) que algumas pessoas em Campinas faziam de nosso sobrenome.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Tudo Em Ordem, Na Natureza

História do Professor Pardal, de 1973.

O que começa como mais uma variação do tema da “longa noite dos pernilongos” acaba tomando um viés de consciência ecológica.

Engraçada é a irritação do Lampadinha, ao ser despertado no meio da noite para ajudar o Pardal a combater os pernilongos. Por ser uma máquina, e portanto estar imune às picadas, ele não entende o porquê da comoção. É só quando o inventor faz com que os atacantes voadores tomem gosto pela solução eletrolítica do robozinho que ele sente por si mesmo qual é o problema.

lampadinha pernilongos

A princípio o professor fica empolgado com a sua mais nova invenção, mas depois percebe quais podem ser as implicações dessa intervenção para o meio ambiente:

pardal pernilongos

Outro detalhe engraçado é que ele passa  história inteira de pijama, e não se troca nem para receber o prefeito. Papai também passava muitas manhãs trabalhando em suas histórias de pijama, e recebia também de pijama algum desavisado que fosse bater lá em casa durante seu horário de trabalho.