Perdido Na Cidade Perdida

História do Penas das Selvas, de 1983.

Nosso herói tenta se exibir para o povo da selva e acaba caindo no rio, no fundo do qual encontra uma passagem para uma misteriosa cidade romana perdida na selva.

Ao contrário de outras cidades romanas perdidas que papai já colocou em suas histórias, esta é mais moderna, quase (mas não muito) civilizada, apesar do modo de vestir e das armas no estilo antigo. Também ao contrário de outras representações de romanos, a intenção aqui não é ensinar palavras em Latim, mas simplesmente brincar com o tema.

Assim, eles têm carros, circuitos de TV, na arena se joga futebol, e “alimentar os leões” não é exatamente o que pode parecer a princípio.

PdS romanos

Nemone, que é o nome da rainha do lugar, é uma alusão a uma outra rainha vilã de um clássico dos quadrinhos, Tarzan e a Cidade de Ouro (1933) de Edgar Rice Burroughs. Uma evidência disso pode ser a criação de leões da rainha em nossa história, que o Pena das Selvas acaba indo alimentar.

Nemone

E no meio disso tudo, agindo como um irritante elo de ligação que primeiro coloca, e depois tira o nosso herói de sucessivas encrencas, está uma cacatua verde, que chama o Pena de “boboca” o tempo todo. Provavelmente porque ela o faz de, bem, boboca, o tempo todo.

 

É Isso Aí: Bichos!

Pode-se dizer que esta história do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1976, é até mesmo futurista. Já o título é mais uma brincadeira com a cultura hippie, que estava em alta naqueles tempos.

O Zé, a Rosinha e os sobrinhos Zico e Zeca vão fazer um piquenique em alguma floresta próxima à cidade do Rio de Janeiro, e surpreendentemente começam a dar de cara com todo tipo de bicho, e pior: a maioria deles nem nativa do Brasil é. São africanos.

Aí vem a primeira, e talvez maior referência às clássicas histórias do Tarzan, que colocam esses animais africanos dentro de frondosas florestas que têm mais a ver com a selva amazônica do que com as savanas africanas, terras semi áridas de vegetação rasteira e poucas árvores, onde esses bichos realmente vivem.

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Papai uma vez me disse que achava isso um absurdo, mas que até entendia como as misteriosas florestas podiam ser bem mais interessantes, do ponto de vista dos quadrinhos e do cinema, do que as amarelas savanas.

ZC sanduiche

O Zé, em um comportamento também clássico, primeiro tenta começar a comer antes dos outros, e depois se faz de valente, até mesmo para tentar esconder o próprio nervosismo.

ZC valente

E quando eles se veem cercados de bichos por todos os lados, finalmente aparece o dono do lugar, que é prontamente apelidado pelo Zé de Jim das Selvas, em mais uma referência aos clássicos quadrinhos de aventuras na selva.

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O interessante é o tamanho do controle remoto dos bichos (sim, são autômatos) que o homem usa: mais parece uma caixa de fósforos. Certamente um prodígio da técnica para aqueles tempos de máquinas analógicas e enormes. É por isso que eu digo que esta história é “futurista” controles remotos como esse não existiam até bem pouco tempo atrás.

ZC bichos

Mas havia um lugar no mundo onde esses animais mecânicos existiam, já naquele tempo: a Terra da Aventura, no Disney World, com os seus animais mecânicos movidos por barulhentos motores hidráulicos, e esta é certamente mais uma das referências desta história.

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