Os Olhos do Tigre!

História de terror escrita em 1961 e publicada pela editora Taika em “Histórias Sinistras – Seleções de Terror”.

Tenho aqui apenas as páginas da história recortadas da revista original, e por isso não sei o número da edição. Além disso, também não há sinal dos nomes dos artistas. Em nenhum lugar das páginas consta o nome do autor, desenhista ou letrista, como era costumeiro. Estou portanto me guiando pelas anotações de papai na velha lista de trabalho.

Já o estilo da história é dele, sem dúvida. Esta é mais uma variação sobre o tema “olho da deusa”, Diamante Hope, e lendas urbanas semelhantes. De acordo com essas lendas, certas pedras preciosas trazidas para o ocidente da ásia (e especialmente da Índia) pelos britânicos teriam sido na verdade roubadas da decoração de objetos religiosos variados.

Elas são parábolas para a arrogância dos britânicos frente à religiosidade “primitiva” dos nativos, que a moral cristã (convencida de sua própria suposta superioridade) considera meras superstições. Mas o ato de se arrancar olhos, mesmo que seja de estátuas inanimadas, causava uma profunda má impressão e certamente horror e remorsos até mesmo nos próprios ladrões.

A história se passa na Inglaterra, mas se refere a acontecimentos de um passado recente na Índia. Um homem atormentado por visões procura outro que ele conheceu no navio que tomou para voltar da Índia à Inglaterra, no tempo em que o país asiático era colônia do europeu. No decorrer das páginas da história o primeiro vai desfiando uma história inacreditável de ganância e sacrilégio enquanto o outro o encoraja a “contar tudo e não esconder nada”, adotando uma postura paternalista, como a de um médico ou psiquiatra.

Mas é só quando o supostamente racional “doutor” dá completo crédito à história, no final da penúltima página, que o leitor atento começa a desconfiar que algo está mais errado do que o pobre atormentado ladrão de jóias se dá conta. Mas aí, como sempre, já é tarde demais.

A moral da história, além da advertência contra a arrogância religiosa, é que não se deve ir logo acreditando ou confiando em estranhos. Eles nem sempre são o que dizem ser.

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Prisioneiro de Guerra!

História de guerra publicada na revista Almanaque do Combate Nº 14, da editora Taika, com argumento de Ivan Saidenberg, letras de Marcos Maldonado e desenhos de Salatiel de Holanda.

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O início se passa na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, com o enfrentamento entre os nazistas da SS e os guerrilheiros da resistência. É sabido que muitos dos membros da resistência eram jovens judeus que conseguiam escapar de serem capturados e que, muitas vezes sob nomes falsos, decidiam fazer o que pudessem para se opor aos nazistas. Mas guerra é guerra, e muitos desses partisans, como eram chamados, acabavam capturados novamente e enviados a campos de trabalho ou extermínio.

Nossa história já começa na frente do pelotão de fuzilamento dos nazistas, que estão tentando extrair confissões dos capturados. Um deles é Iohan Kolek, “nom de guerre” de Iohan Koler, um judeu da resistência. Atemorizado, ele acaba confessando e entregando seus líderes aos nazistas.

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Por isso, ele passa a história toda cheio de remorsos, torturando a si mesmo por sua “covardia”, e sendo maltratado pelos seus colegas sobreviventes. “Iohan”, aliás, é um nome europeu que tanto pode ser traduzido por João quanto por Ivan. Outro nome citado, o do líder delatado por Iohan, é Karl Krugek.

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Durante a história toda, sempre que os partisans tentam uma ação contra os nazistas, eles percebem que foram delatados por alguém, e que os vilões já estão sabendo de seus planos de antemão, o que faz com que eles sejam derrotados todas as vezes. Apesar de toda a carnificina, alguns poucos sobrevivem para ver o final do conflito.

A história termina anos após a guerra, quando o sobrevivente Iohan já está morando e trabalhando em São Paulo, no Brasil. Ao ir para o trabalho, certa manhã, ele se depara com um “fantasma” de seu passado, o ex líder partisan que ele achava que havia traído covardemente e enviado para a morte. Era Karl Krugek, ou melhor, Karl Kruger, na verdade o agente duplo que os estava entregando aos nazistas toda vez, durante a guerra.

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Como ele próprio, Karl havia adotado um sobrenome falso, mas com intenção inversa: a de se passar por judeu para melhor traí-los. Assim que ele entende o que realmente havia acontecido, tudo o que ele passou durante a guerra volta à sua memória, e faz seu sangue ferver. É nessa hora que ele ataca o verdadeiro traidor de sua causa a socos e pontapés no meio da rua paulistana. Nesse dia, o colaborador nazista recebe o que merece, e Iohan lava sua alma com o sangue do verdadeiro traidor covarde.

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O Gato Preto

História publicada na revista Clássicos de Terror número 6, pela Editora Taika em 1973.

As três primeiras histórias desta revista são adaptações de contos de Edgard Allan Poe, um dos incontestes mestres do terror na literatura do Século XIX. Suas histórias são de um terror que começa sutil e vai se tornando cada vez mais acentuado, todas baseadas nas mais humanas das fraquezas das pessoas, e por isso mesmo são até os dias de hoje algumas das mais horripilantes que existem.

Esta história em particular descreve o conturbado relacionamento de um homem com seu gato preto de estimação ao longo dos anos, que termina da pior maneira possível, como é de se esperar em uma história de terror.

Como a história em si não é de autoria de meu pai, não vou entrar no mérito do roteiro. Mas pelo que me consta, foi papai quem adaptou o texto desta que é a terceira na revista para os quadrinhos, apesar de já estar trabalhando com quadrinhos Disney na época, para que meu tio, Luiz Saidenberg, pudesse aplicar a ela o seu maravilhoso estilo de desenho.

Na primeira página consta apenas a assinatura de meu tio, mas papai desde sempre tratou a obra como tão dele quanto do irmão, sempre com muito orgulho, e não vejo motivos para discordar disso. Note-se, inclusive, as marcas de fita adesiva e a anotação a lápis feita por papai no topo da primeira página, destinada a fazer a marcação para que uma facsimile dela fosse publicada num jornal de Campinas nos anos 1980.

E mesmo que esta adaptação seja mesmo somente de meu tio, fica aqui então o registro e o tributo à parceria deles em várias outras histórias do gênero nos anos 1960.

Tenho a impressão que, por causa da leitura deste conto quando era mais jovem, papai sempre foi meio desconfiado de gatos, enquanto eu desde sempre os adorei. Foi somente depois de adulto que ele resolveu “se dar por vencido”, aceitar meus gatos e se esforçar por gostar deles, já que não tinha mesmo muita alternativa. 😉

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O Irlandês Brigador

História de Guerra, publicada na revista Almanaque de Combate AM-1, Mês 7, de 1971.

Esta revista tem 6 histórias. Destas, 4 são adaptadas por papai de contos de guerra que ele leu naqueles tempos. Esta vem de “Um Diário de Guerra”, com letras de Antonio Maldonado. Já a assinatura do desenhista, discreta e apenas na última página, não está clara para mim.

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Hoje temos os britânicos contra os japoneses, lutando seus combates mortais nas selvas da Ásia. O que esta história tenta mostrar é que o termo “britânicos” está longe de descrever um tipo só de pessoas, e que em tempos de paz essas pessoas todas, e tão diversas, nem sempre se dão bem. Aqui se explora a rivalidade cultural entre ingleses e irlandeses.

Na trama temos dois rapazes, britânicos mas de nacionalidades diferentes, que foram rivais no amor antes da guerra, e que por acaso, destino, sorte ou azar, terão de lutar juntos, lado a lado mesmo, contra o inimigo asiático. São antes de mais nada seres humanos, com suas paixões e fraquezas, metidos numa encrenca de proporções mundiais.

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O inglês com o seu jeito contido mas petulante, é tenente. O irlandês, de boca suja e encaixando um “diabos” a cada 3 ou 4 palavras, é sargento. Mas não é por isso que o soldado vai levar desaforo para casa, mesmo que vindo de um oficial.

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No decorrer da guerra, e da batalha desesperada, que é lutada pela própria vida e a dos companheiros – mais do que por um país ou ideologia – os dois homens vão aprendendo a reconhecer o valor um do outro, e a se respeitar. Se tornarão, após um “batismo de fogo”, onde chegam a ver a morte de perto, mas acabam salvos por um regimento indiano – também eles britânicos, afinal de contas – verdadeiros “brothers in arms”, as diferenças de outrora perfeitamente perdoadas e esquecidas.

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Afinal, existem coisas mais importantes do que o amor de uma mulher, no mundo… 😉

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O Senhor Das Trevas

Trata-se de uma edição especial da revista Seleções de Terror Nº 129, com o nome de Drácula Nº 21 e publicada pela Editora Taika em 1971. É uma história só para a revista inteira, com 30 páginas, texto de Ivan Saidenberg, desenhos de Roberto Barbist e letras de Dolores Maldonado

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A história se passa na Romênia contemporânea, anos 1970, quando o vampiro volta a atacar justamente na cidadezinha próxima ao seu antigo castelo, de onde, há séculos, ele governou a região. A polícia é chamada para investigar e no decorrer da trama o policial designado para fazer a investigação vai se transformando, de total descrente em hábil caçador de vampiros, até ficar cara a cara com o próprio conde.

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Enquanto isso, como trama secundária, somos informados acerca da história do próprio Conde Vovoide Drácula, e descobrimos como foi que ele se tornou um vampiro bebedor de sangue humano.

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Os Cobrões do Corinthians visitam a Taika

Nem só quadrinhos papai escrevia naqueles tempos das histórias de terror e de guerra.

Ele fez também esta pequena matéria e entrevista com dois antigos craques do Corinthians, que foi publicada na Revista Combate número 5 da Editora Taika, de 1971.

Fãs de quadrinhos, José Maria Rodrigues Alves e Aladim Luciano um belo dia visitaram a redação e foram recebidos com festa, até mesmo porque era aniversário de um deles. A matéria vale pelo documento histórico que é, e especialmente pelas fotos dos funcionários, diretores e artistas da Taika presentes.

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O Aventureiro em O Jaguar

História de aventura e espionagem publicada em 1971 na revista Seleções Cômicas Número 1 da Editora Taika, com argumento de Ivan Saidenberg, letras de Marcos Maldonado e desenho de Ignácio Justo e José Luiz Pinto.

A julgar pela capa da revista, desenhada pelo Ignácio Justo, a inspiração para o personagem vem claramente do Agente 007, James Bond.

Um homem está viajando ao volante de um Jaguar, chique carro esportivo, quando repentina e espetacularmente leva um tiro, perde o controle do veículo, rodopia na pista e se acidenta feio. Ao acordar no hospital, dias depois, está desmemoriado. Não se lembra de acidente algum, e não sabe ao menos quem é.

Mas pela descrição na história anterior desta revista (que é temática e contém duas histórias do personagem), ele é Tomás Toledo, um jovem brasileiro, rico e com um gosto por fazer investigações por conta própria para ajudar a polícia. Ele é forte, inteligente, bom de briga e destemido, e viaja pelo Brasil todo em busca de aventuras, daí a alcunha “O Aventureiro”. Papai dizia que criou o personagem, e pode até ser verdade, mas pelo menos um outro colega, o João Bosco, também fez um argumento para ele.

Ele recebe alta mesmo sem memória e ao sair na rua é imediatamente abordado por uma mulher num carro, que o chama de Tom, seu apelido, e também de “querido”, “amor” e “meu bem”. Ao entrar no carro ele embarca numa aventura misteriosa, em um ambiente povoado por contrabandistas e assassinos frios.

Aos poucos o herói vai entendendo o que está acontecendo, mas é só quando resolvem jogá-lo no Rio Beberibe que ele entende onde está e resolve reagir. Por fim, descobre que tudo é um caso de identidades trocadas: ele foi confundido com um agente da Polícia Federal que já estava no encalço dos bandidos e que, por coincidência, também roda por aí a bordo de um luxuoso Jaguar. (Policial brasileiro pilotando carro de luxo? Bem, pode ser um carro da polícia, usado para não “destoar” do ambiente a ser investigado, e não dele próprio.)

Mas tudo bem. Do ponto de vista de um argumento em quadrinhos, o carro é o elemento que abre e fecha a história, e o ponto em comum entre O Aventureiro, a polícia e os bandidos, que “costura” a história toda num conjunto coeso.

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