A Escalada

História da turma da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 5 em dezembro de 1987.

Ela é inspirada em duas histórias Disney do início dos anos 1980: “Escalando a Duras Penas” e “A Montanha Enfeitiçada”, já comentadas aqui.

Da primeira história papai aproveita a noção da “montanha que nunca foi escalada” e da “informação requentada”. Neste caso o problema não é uma reportagem mal feita, mas sim a revista de alpinismo em si, que já é antiga. Da segunda, papai adapta o nome da montanha de “Pico do Rola-Rola” para “Pico do Caio Rolando”.

Mas hoje não veremos bruxarias ou pássaros hostis. O grande obstáculo é mesmo a montanha em si, apesar dos esforços dos meninos e dos engenhosos equipamentos adaptados pelo Sócrates, o inventor da turminha.

E o “crime” que levará os meninos à derrocada final é a insistência em excluir as meninas das brincadeiras sob a premissa de que existiriam “brincadeiras de menino” e “brincadeiras de menina”. O que existe são vários métodos diferentes de se subir e descer de uma montanha. Desde que adaptados às intenções e às capacidades físicas de quem participa da aventura, todos são válidos.

Nem todo mundo precisa fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, nem achar que somente um jeito de fazer uma coisa está certo, ou que todos os outros tenham de fazer aquela coisa daquele exato mesmo jeito. O que importa é alcançar o objetivo de maneira honesta, e se divertir.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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Escalando A Duras Penas

História do Peninha, de 1980.

Com a participação especial dos Escoteiros Mirins, esta história é precursora de “A Montanha Enfeitiçada”, já comentada aqui e que seria lançada dois anos depois. A expressão “a duras penas” tem a ver com as dificuldades pelas quais as pessoas passam. Mas, no caso da Família Pato, ela assume todo um novo significado, em um pequeno jogo de palavras.

Hoje não há magia envolvida, mas coisas misteriosas estão acontecendo no Pico do Quá-Quá-Quá. Intrépidos, os sobrinhos do Donald resolvem ir lá investigar, juntamente com o tio e o jornalista abilolado. O pico tem esse nome, aliás, por causa de uns pássaros que lá vivem. Treinados por um ermitão local, eles são muito atrevidos e atacam a todos os que tentam escalar a montanha. E os pássaros têm o nome que têm por causa de seu canto, que parece uma rizada de zombaria.

A aventura é toda sobre a escalada e o enfrentamento com os pássaros, até a heroica chegada ao cume. Mas será que eles são, mesmo, os primeiros a chegar lá, como o Donald leu no jornal naquela manhã? A história é uma advertência para que as pessoas não acreditem logo de cara em tudo o que leem no jornal (e, em nossos dias, também na Internet).

Afinal de contas, o conceito de “fake news” é na verdade bem “old news”. É sempre interessante continuar pesquisando mais um pouquinho, nem que seja para confirmar as informações. E lembrem-se: se algo parecer bom demais para ser verdade, provavelmente é mesmo.

Interessantes são duas cenas, dois quadrinhos que serão reconhecidos por qualquer pessoa que já leu com atenção o Manual do Escoteiro Mirim.

A primeira vem da página 189, onde está a ilustração para o verbete intitulado “Se Você Vai à Montanha”, e a segunda está na página 193, acompanhando o verbete chamado “Vocês Estão Servidos?”, que apresenta três receitas de refrescos que os leitores podem preparar. Um deles, inclusive, contém leite.

Não são inserções do desenhista. Isto certamente já fazia parte do rafe, em mais um “aceno” de papai ao Manual e aos Escoteiros. Ele participou como colaborador da preparação da primeira publicação do Manual no Brasil, provavelmente traduzindo e fazendo pesquisas adicionais, mas nunca recebeu os créditos por isso. Na verdade nem ele, e nem outros que possam ter também participado. Esta é uma maneira que ele encontrou de “reivindicar” sua participação na publicação.

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A Montanha Enfeitiçada

História dos Escoteiros Mirins, de 1982.

Voltamos à Floresta Negra, onde (pelo menos nas histórias de papai) acontece a maioria das coisas misteriosas nas cercanias de Patópolis. Como todos sabem, é uma floresta enfeitiçada habitada por bruxas e outras pragas, na qual se passa boa parte da história da Branca de Neve e onde até as árvores costumam agarrar e morder os desavisados.

A missão dos meninos é chegar do Pico do Rola-Rola, que nunca foi escalado com sucesso. (No processo descobriremos também por que a montanha tem esse nome.) Os alpinistas que já tentaram juram que a montanha é enfeitiçada, mas os nossos racionais Escoteiros não acreditam em bruxarias. (O problema é que não acreditar nunca protegeu ninguém delas…)

Me parece que papai é um dos poucos que usam sempre os títulos de “G.E.N.E.R.A.L” e “C.H.E.F.E” como código para uma descrição bem mais detalhada das patentes dos adultos. O primeiro é “Grande, Enérgico, Nobre Escoteiro, Realmente Apto a Liderar”. O outro é “Combatente Heroico e Entusiasta Formidável do Escotismo”.

Uma vez iniciada a escalada coisas estranhas começam a acontecer, como pedras e tocos de árvores rolantes  que aparecem do nada, e vão machucando e tirando menino após menino da aventura. À medida que os obstáculos vão ficando cada vez mais misteriosos e perigosos, o leitor começa a se sentir convidado a investigar o que está acontecendo.

Mas é só quando os meninos são atacados por um misterioso pássaro que o leitor atento vai matar a charada. Há uma determinada bruxa que é mestra em transformações, mas que nunca consegue disfarçar muito bem a sua cabeleira cor de lavanda. E se nem os Escoteiros conseguem identificar o tipo do pássaro, é porque boa coisa não pode ser:

Escoteiros Montanha

Desta vez papai coloca o General e o Chefe para trabalhar também, eles que na maioria das histórias só ficam de longe observando com seus binóculos e distribuindo medalhas ou broncas. Que façam um pouco de esforço, para variar. E que, de quebra, deem de cara com aquelas mesmas coisas nas quais eles não acreditam. Afinal de contas (e como diz o velho ditado) “não creio em bruxas, mas elas existem sim”.

Escoteiros Montanha1

E agora, uma palavrinha de “nossos patrocinadores”: na revista Edição Extra número 137, onde esta história aparece pela primeira vez, temos um anúncio em forma de história em quadrinhos das Meias Lupo, de duas páginas. Esta história, e todo o desenvolvimento do personagem Coelhinho de Mola, também é de papai. Pelo que me consta, ele escreveu três destas peças promocionais, intituladas “A Lebre e a Tartaruga”, “Uma História de Amor” e “O Bicho Saltador”.

Lupo Bicho Lupo Bicho1

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Minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam. E não percam também a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

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