O Roubo Da Coroa Do Rei

História do Zé Carioca, de 1977.

É Carnaval, e o Pedrão é o Rei Momo da Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita. A trama é menos sobre o desfile em si, e mais sobre uma tentativa de sabotagem de um grupo rival, que rouba a coroa para que o Pedrão não possa desfilar.

A história tem como ponto de partida uma antiga marchinha de Dircinha Batista cujo tema é a coroa do Rei Momo. A letra da canção menciona justamente a falta de valor material da coroa de fantasia feita de lata, que qualquer um que tenha as características corretas pode usar, e que geralmente é usada por uma pessoa diferente a cada ano.

O resto da trama fica por conta do engenhoso plano que a turma coloca em prática para reaver a coroa roubada e prosseguir com os planos para o desfile, se bem que não exatamente da maneira pretendida em um primeiro momento.

Hoje temos a adição por papai de mais alguns personagens à turma do morro, entre eles o Bernardão, o Jair e o Ratão, que aparecem somente nesta história.

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Reunião Anual Dos Metralhas

História da Família Metralha, de 1975.

A sorte dos Metralhas é que o Superpateta costuma ser mais “pateta” do que “super”, na maior parte do tempo, o que dá a eles algum espaço para manobras. O azar deles é que, mais cedo ou mais tarde, os dois neurônios do herói acabam chegando a um acordo.

Hoje os malfeitores têm uma ideia para sair às ruas sem despertar a suspeita do Super, mas não têm um plano definido. Se, mesmo com um plano pensado nos mínimos detalhes eles conseguem fazer confusão, imagine só a bagunça causada por um “arrastão” a esmo de roubos do tipo “pé-de-chinelo”.

Além disso, papai também nos apresenta mais uma das festividades oficiais do calendário anual de Patópolis: a “Grande Festa”. Marcada por fantasias, desfiles em blocos, pandeiros e tambores, ela se assemelha bastante ao Carnaval. Assim, temos mais uma festa além do Natal (que não poderia faltar), o desfile do Dia do Aniversário da Cidade, e o dia do “Adivinhe quem vem para jantar” (uma espécie de Dia de Ação de Graças).

Interessante é a “participação especial” do Sr. X e sua quadrilha, em um quadrinho apenas. Seria muito fácil colocar meros figurantes desconhecidos para fazer este papel mas, convenhamos, é muito mais engraçado quando eles são conhecidos do leitor. E ainda mais se também forem bandidos. “Parece” que esse bairro não é lá muito bem frequentado.

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O Sucessor

História do Zé Carioca, de 1979.

Já que o Pedrão não pode, este ano, ser o Rei Momo da Escola de Samba Unidos da Vila Xurupita por motivo de viagem, a turma vai precisar arranjar outra pessoa para substituí-lo. O problema vai ser, em um lugar tão pobre, encontrar alguém gordo o suficiente para a função.

É então que, diante da absoluta falta de outro candidato, e por não querer usar enchimentos que poderiam cair durante o desfile e tirar pontos da Escola, o Zé resolve fazer o “sacrifício” de engordar (e aproveitar para tirar a barriga da miséria) às custas do caixa da agremiação.

Pode-se argumentar que hoje em dia existem muito mais pessoas obesas nas favelas do Brasil, e há quem possa se sentir tentado a relacionar o fenômeno com algum tipo de melhora nas condições financeiras das populações mais pobres, mas a verdade é que, no final dos anos 1970, o brasileiro em geral não tinha o tipo de acesso a tantos alimentos industrializados e calorias vazias como o que temos atualmente.

Interessante será o método usado para fazer o nosso amigo ganhar peso. Nos quadrinhos, a crítica de livros de auto ajuda e de dietas, por exemplo, é a de que os métodos ensinados neles no mínimo não funcionam, quando não acabam tendo o efeito contrário.

Assim, a cada nova história de Carnaval papai vai examinando um aspecto diferente da festa, a cada vez sob um novo enfoque.

Apesar de não estar ainda creditada no Inducks, ela é dele, sim. O que aconteceu foi que ele só se lembrou de anotar seu nome na Lista de Trabalho quando ela foi republicada, em 1988.

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O Afonsinho Da Vila

História do Zé Carioca, de 1983.

Na “nova” Vila Xurupita (depois da passagem do Gênio Eugênio), os membros da turma podem até ter casas novas de alvenaria para morar, mas continuam desempregados e sem dinheiro.

Mas uma turma alegre dessas, ao invés de ficar pelos cantos se lamuriando e com vergonha por estar sem trabalho, resolveu fazer uma roda de samba. Era uma cena comum, em bairros da periferia naqueles tempos: juntavam-se os amigos, principalmente os desempregados, e passavam o dia em um quintal, batucando.

É claro que essas reuniões logo ficavam mal faladas, com os vizinhos passando na rua e apontando os “desocupados”. Assim, para não sofrerem críticas, os batuqueiros logo inventavam um “importante e urgente ensaio da escola de samba”, ou algo “sério” do gênero. Do mesmo modo, o Zé e sua turma têm a criativa ideia de fazer uma roda de samba “beneficente” em prol dos desempregados da Vila que, no final das contas, são eles mesmos.

Como a Rosinha deixa claro em sua indignação ao saber do detalhe, fazer festa beneficente em causa própria não vale. A desaprovação da namorada do Zé é a “deixa” que papai usa para mudar de assunto: já que o plano dos desempregados da Vila não “colou”, e de qualquer maneira eles estão precisando de um cantor, entra em cena o Afonsinho.

Quer dizer: a “cena” vai até ele, que está cantando paródias de antigas marchinhas de carnaval em casa, dentro de uma banheira cheia de água e sabão. E não é que o pato canta bem? O problema, como veremos adiante, é que ele só canta bem quando está na banheira.

Isso também é algo muito comum: o momento do banho diário é de relaxamento, e a pessoa, sozinha por trás da porta fechada (essa é, frequentemente, a única chance que algumas pessoas têm de passar alguns momentos sem ninguém por perto observando e julgando), se descontrai e se permite até cantar um pouco.

A acústica de certos banheiros, com bastante eco, também ajuda, e a pessoa chega até a se convencer de que canta bem. Mas depois, ao sair, a timidez e a insegurança tomam conta, o eco desaparece, e o cantor de chuveiro volta a ser o desafinado de sempre.

Mais importante, para a história, do que a bagunça criada em volta do Afonsinho nas páginas seguintes, é a solução que o Zé vai encontrar para conciliar o “cantor de banheira” com a roda de samba.

“Afonsinho da Vila” é uma referência clara a Martinho da Vila, de Vila Isabel (e da Escola da Samba Unidos de Vila Isabel) no Rio de Janeiro.

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Minha Vida Tá No Gibi! – Inédita

História do Zé Carioca, escrita em 26 de maio de 1993, e nunca comprada pela Abril.

Lápis na mão direita, esquadro no papel sob a mão esquerda, a borracha do lado, ao alcance da mão… Eu conheço bem a imagem no “splash pannel”. Era papai em ação.

Esta é a primeira de três “histórias-testamento”, por assim dizer, que ele escreveu nesta série de inéditas, talvez já pressentindo que não teria mais muitas chances de trabalhar com os personagens Disney. A condição de freelancer era bastante incômoda para ele. A ideia de que a qualquer momento as encomendas poderiam cessar o contrariava bastante. Assim, ele acabou colocando nessa última série muitas das coisas que ele sempre quis ver em suas histórias, mas nunca pode fazer antes.

O jogo de palavras “tá no gibi, não tá no gibi”, usado em pelo menos duas das histórias desta série, é uma referência a uma antiga gravação dos Originais do Samba cujo refrão é: “Herói sou eu, irmão / Herói sou eu, aqui / Dou um duro danado / E não saio no gibi”. A canção é uma brincadeira com os heróis dos quadrinhos e também uma ode ao homem comum, que trabalha muito, mas nem sempre recebe o reconhecimento merecido.

Em algumas das margens tempos algumas anotações de papai ao desenhista, onde ele pedia que os quadrinhos que representavam as memórias do Zé fossem desenhados “sem cores”, para tornar mais clara a distinção entre “passado” e “presente”.

A história toda é uma homenagem aos amigos e colegas Carlos Herrero, Roberto Fukue e Júlio de Andrade Filho, além de ser uma retrospectiva dos momentos marcantes da “vida” do personagem. Assim, temos referências a histórias anteriores, como “A Infância Do Zé Carioca”, já comentada aqui, à cena na qual o Zé conhece a Rosinha, e até uma menção à Anacozeca.

O final da história é uma maneira que papai encontrou de “castigar a si mesmo” por ter revelado um dia que o próprio Rocha Vaz era o chefão da Anacozeca, coisa da qual ele se arrependeu depois. O problema é que talvez pegue um pouco mal pro Júlio… Peço desculpas desde já.

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Um Paulista Na Corte Do Rei Momo

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1973.

A três dias do Carnaval, o Zé Paulista chega à rodoviária já procurando onde comprar ingressos para o famoso Baile de Gala Oficial da cidade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

É realmente a primeira visita do papagaio paulista ao Rio, já que ele foi criado por Renato Canini em 1971, e esta é apenas a quarta história do personagem. As outras duas histórias, que separam a do Canini desta, também são de meu pai.

O Baile do Municipal, como era chamado coloquialmente, foi o maior acontecimento do Carnaval do Rio de Janeiro desde sua criação, em 1932, e até 1975, quando os peritos concluíram que o som estava prejudicando as estruturas do edifício histórico, e ele precisou mudar de local.

Todo mundo que queria ser alguém no Carnaval do Rio não poderia faltar. O baile era frequentado por artistas, políticos, diplomatas, e todos os tipos de gente rica e influente. Estar lá dentro significava pertencer à mais alta sociedade, e por isso ninguém queria ficar de fora. O concurso de fantasias, por exemplo, era um luxo só, com plumas e pedrarias de deixar no chinelo os mais luxuosos destaques dos carros alegóricos de hoje em dia.

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Por isso não admira que o Zé Paulista, bem sucedido empresário circense, ache que lá é o lugar para estar, uma vez no Rio. Mas o Zé Carioca, humilde pobretão, nunca sonharia sequer chegar perto de um lugar tão nobre. Em todo caso, para não deixar a peteca cair, o papagaio malandro desvia sutilmente a atenção do primo paulista que, de tão entusiasmado em participar de um desfile de verdade pelas ruas do Rio, nem percebe que não está, exatamente, na “Av. Marquês de Sapecaí”.

ZC Paulista1

A letra “Tengo Tengo, Santo Antônio e Chalé” vem do samba enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro de 1972, e estava no auge da popularidade quando esta história foi escrita.

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E haja entusiasmo! O Zé Paulista mergulha de cabeça no espírito da festa, para a diversão do leitor. Afinal, seja no luxo do Theatro Municipal ou no humilde “Clube Municipal” no Morro do Papagaio, o Maior Carnaval do Mundo é um só, e acontece no Rio de Janeiro.

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Vila Xurupita Na Avenida

História do Zé Carioca, de 1983.

Lançada em um de vários especiais de Carnaval publicados ao longo dos anos, esta história é um prenúncio dos desfiles de carnaval de verdade com o tema “quadrinhos”, que passaram a acontecer desde 1997.

Enquanto o time de futebol da Vila Xurupita nunca ganhou um campeonato, quando o assunto é a Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita, a coisa é bem diferente. Isso pode, até inconscientemente, refletir o fato de que papai gostava bem mais de música do que de futebol. E, com o sucesso e a vitória, veio a oportunidade de desfilar na avenida “Marquês de Sapecaí” (um trocadilho entre o famoso endereço do Sambódromo e a expressão “sapeca aí”, que talvez não queira dizer muita coisa, objetivamente, no contexto desta história, mas é certamente engraçado).

Papai, como sempre (e especialmente em histórias de Carnaval), não perde a oportunidade de citar e/ou parodiar velhos sambas. Além disso, ele também faz, nesta história, alusão a uma outra, “O Tesouro da Vila Xurupita”, já comentada aqui. Desta vez papai conseguiu se entender com o desenhista para não deixar a referência visual escapar.

ZC Avenida

O resto da história gira em volta dos preparativos para o desfile, ideias para a confecção das fantasias com alusões ao carnavalesco Joãozinho Trinta, tudo sob o comando da Rosinha, e do extremo segredo que as escolas de samba do mundo real costumam fazer de seus carros alegóricos antes do desfile. Este último detalhe vai servir, no enredo da história, de oportunidade de ação para o Zé (para movimentar a história um pouco e dar um “teaser” sobre as alegorias, conservando o interesse) e surpresa final para o leitor.

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