Ih, Deu Bolo!

História da Turma da Fofura, de Ely Barbosa, escrita em maio e publicada na revista da personagem de número 8, em outubro de 1987.

Hoje em dia “dar bolo” significa algo como “faltar a um encontro”, mas, naquele tempo, “bolo” tinha a conotação de “embolado”, de confusão, de “tudo junto e misturado”.

Com ideia da minha mãe, a história é ao mesmo tempo mais uma defesa da tese de que não existe brincadeira “de menino” e “de menina”, e uma hilária aula de como (não) se faz algo.

E a ideia da minha mãe foi inspirada em um bolo que fizemos juntas naquele tempo. Ao ler a receita, eu fiquei imaginando como seria se as instruções fossem levadas ao pé da letra e alguém tentasse fazer “chá de açúcar” e “sopa de manteiga”.

(E é por isso que a página dos créditos, no final das revistas do Ely, citava a nós quatro como colaboradores: chegamos a um ponto no qual tudo o que fazíamos em família servia como ideia para papai transformar em mais um roteiro engraçadíssimo.)

Rimos muito. O bolo ficou delicioso. E o mundo dos quadrinhos ganhou mais uma história engraçadíssima.

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Eh, eh, eh, Fumacê

História da Fofura, de Ely Barbosa, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Fofura número 2 em julho do mesmo ano.

O tema é ambiental, com um grande enfrentamento entre os bons, eternos defensores da floresta e de seus amigos bichinhos, e os maus, que querem instalar uma fábrica de fazer fumaça no meio da mata. Nem é preciso dizer quais seriam as nefastas consequências de uma coisa dessas, não é mesmo?

O conceito de “fábrica de fazer fumaça” é uma tentativa de mostrar as fábricas em geral pelos olhos de uma criança. Afinal, o “produto” mais visível que sai de muitas dessas instalações é mesmo a fumaça, pelas chaminés. A criança geralmente não vê o que é feito dentro desses prédios.

Como em toda boa história do tipo, a tensão entre os grupos adversários é crescente e os maus parecem invencíveis, mas só até o momento em que são vencidos pela astúcia e trabalho em equipe dos bons.

Já a inspiração para o nome da história vem de uma antiga canção dos Golden Boys, de 1970. A letra parece ingênua o suficiente, mas há quem já a tenha relacionado com tipos menos inocentes, e até mesmo ilegais, de fumaça. Em todo caso, o público alvo da revista é jovem demais para conhecer a música e suas possíveis interpretações, restando a eles somente a interpretação mais literal.

Hoje em dia o termo “fumacê” está mais relacionado com o combate ao mosquito Aedes aegypti, se bem que aquilo não é exatamente fumaça, mas um composto químico bastante controverso.

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Gostosuras e Travessuras

História do Nenê, de Ely Barbosa, escrita no início de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Turma da Fofura número 2 mais tarde no mesmo ano.

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Todo bebê passa pela fase de brincar com a comida, ou de jogar no chão tudo o que consegue pegar nas mãos (incluindo alimentos) só para ver onde e como cai. Como tudo o mais que pode acontecer durante o desenvolvimento de uma criança, isso também vai passar, mas algumas mães (e pais também) têm dificuldade de lidar, o que pode levar a situações francamente cômicas (ainda que, na hora, pareçam trágicas).

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A história tem influências mais óbvias, como a participação especial da turma das frutas e verduras do próprio Ely Barbosa, combinada com referências ao trabalho anterior de papai, como a história “Uma Tarde em Quidocelá”, ao conto de fadas João e Maria, ao Dia das Bruxas, e ao folclore brasileiro, com a presença do Bicho Papão em horripilante pessoa na forma de um dragão.

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Outra influência talvez menos óbvia vem do gato Garfield, de Jim Davis, na frase “não brinque com sua comida, a não ser que você possa comer os seus brinquedos”. Acho que foi mais ou menos nessa época (ou alguns anos antes) que meu irmão e eu lemos isso nas tirinhas do gato gorducho e rimos muito.

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Papai Noel Existe?

História do Nenê, da turma da Fofura de Ely Barbosa, composta em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista “Turma da Fofura em Quadrinhos” número 7 em dezembro do mesmo ano.

É uma história bem mais simples do que outras sobre o mesmo tema escritas para outros personagens, mas certamente não é menos charmosa. É o Natal visto pelos olhos de uma criança bem pequena, que ainda não sabe direito se Papai Noel existe, ou se quem dá os presentes é mesmo o pai de todos os dias.

Aqui vemos o carinho pelo ursinho de pelúcia, o amiguinho e presente ganho no Natal do ano anterior. Para uma criança de mais ou menos 2 anos de idade como o Nenê, um ano é uma vida inteira. Essa é a importância do brinquedo para ele.

E além de mostrar a casa no “Polo Norte da Terra da Fantasia” e a “logística de entregas” do Papai Noel, completa com computadores, trenó a jato e uma explicação simplificada sobre fusos horários, para tentar ensinar algo de útil aos leitores, a história também terá um pequeno suspense ao redor do desaparecimento do ursinho, de nome Caquinho.

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O problema é que, em um lugar cheio de brinquedos como a casa do Bom Velhinho na véspera do Natal, é fácil fazer confusão. Mas o sumiço do brinquedo querido terá um efeito bastante forte no Nenê, a ponto de deixá-lo em estado de choque e fazê-lo “regredir” e não conseguir mais falar.

Isso é algo que acontece mais vezes do que pode parecer com crianças dessa idade, e até mesmo um pouco mais velhas: um trauma, por menor que seja, como um susto ou a perda de um brinquedo querido, pode ter consequências bem graves, mas geralmente a criança também se recupera com relativa facilidade.

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O milagre de Natal será, é claro, o reencontro com seu brinquedo de estimação e a volta à normalidade falante do Nenê. Afinal, não se deixa um nenem sem seu amiguinho em uma noite como essa.

(A propósito, esta é a última história de Natal “não Disney” que eu tenho aqui. Segundo a lista de trabalho, papai escreceu também histórias de Natal para o Bionicão e o Scubidu mas, se foram publicadas, as revistas não estão na coleção.)

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Histórias do Arco da Velha

História da Turma da Fofura, de Ely Barbosa, composta em setembro de 1987 e publicada pela Editora Abril na Revista da Fofura número 11 ainda no mesmo ano.

Hoje completamos sete anos sem Ivan Saidenberg. Peço a quem estiver lendo estas linhas que dedique alguns momentos de contrição em sua memória, obrigada

A trama é inspirada no filme “O Mágico de Oz”, com personagens como o Homem de Lata e o Espantalho, o Leão Medroso e o Mago, por exemplo. A ação se passa “além do arco-íris”, e para o papel de vilão é escalado o Mago Carranca, personagem da turminha.

Há até mesmo uma pitadinha de “Little Nemo in Slumberland” na primeira página, com a queda do Nenê da cama, acordando de um sonho. Papai não gostava de terminar histórias desta maneira, mas não via nada de errado em começá-las assim. Especialmente se o sonho em seguida se “derramasse” para a realidade, misturando-se com ela.

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Outro detalhe interessante está na última página, que é uma volta ao início da história. Este era o modo predileto dele de terminar histórias, mas aqui temos uma variação inusitada: o último quadrinho, cópia fiel do primeiro, é deixado sem cores e com um convite para que os leitores buscassem seus lápis de cor e soltassem a imaginação.

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A Casa Maluca

História da Fofura, de Ely Barbosa, criada e publicada no final de 1987 na revista Fofura número 14, da Editora Abril.

Ela lembra bastante uma história do Morcego Vermelho de 1973, já comentada aqui, sobre o mesmo tema. Mas, é claro, não é uma cópia, e sim uma variação.

Para começar, durante uma visita ao parque de diversões, temos um leve “conflito” entre o Nenê e seus pais porque ele é novo demais para certos brinquedos como a montanha russa e o trem fantasma. Vetados os brinquedos mais perigosos, sobra o carrossel. Não é exatamente a aventura que o Nenê quer, mas é o que temos para hoje.

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Enquanto isso, disfarçada de gente, a “família coelho” composta por Fofura, Escovão e Escovinha também está passeando no parque. Como eles são um pouco maiores, podem ir a outras atrações, como a casa maluca, por exemplo.

O caldo engrossa quando se revela que a casa maluca é na verdade uma armadilha projetada pelos vilões Capitão Biruta e Tantã para capturar os coelhos. É neste momento que o Nenê precisa decidir como sair em socorro de seus amiguinhos sem desobedecer (demais) seus pais.

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As cenas dentro da casa adicionam movimento e humor à trama, com os heróis sendo chacoalhados e enganados de todas as maneiras possíveis, para a diversão do leitor.

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O Supernenê

História do Nenê, personagem de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril em 1987.

Essa coisa de gritar “Xazam!”, pular na esperança de sair voando e se estatelar no chão é uma memória de infância de papai. Talvez seja por causa desse “trauma de infância” que a maioria dos heróis criados por ele não tem super poderes nem pode voar, embora sonhe com isso.

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Acho que toda criança pequena já acreditou “um pouco demais” em histórias em quadrinhos e contos fantásticos em geral, e já sonhou em ter todo tipo de super poder. Mais recentemente, se tornou comum encontrar crianças que sonham em receber uma carta de Hogwarts nos meses que antecedem seu décimo primeiro aniversário.

Hoje é a vez do Nenê ter esse sonho e ser ajudado pelo Escovinha (que é – filho? Sobrinho? – do Escovão, o coelhinho da floresta seu amigo). Com a escova voadora por baixo da capa, nosso pequeno sonhador consegue, de maneira limitada, ter parte dos poderes que tanto deseja. Mas isso já é o suficiente para que ele passe a se sentir realmente “super”, pelo menos por algum tempo. Até mesmo o grito de guerra do Morcego Vermelho o Nenê imita, em seu modo de falar infantil.

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Em todo caso, isso é tudo o que o pequenino precisa para conseguir viver algumas aventuras, e até mesmo enfrentar, e igual para igual e com sucesso, uma dupla de super vilões. A surpresa final da história fica por conta do ceticismo e racionalidade da Mamãe, e do susto ao ver seu Nenê voando de verdade.

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