Patos E Sapatos

História do Peninha, de 1975.

Patos usam sapatos? A resposta a esta pergunta vai depender de quem são esses patos, é claro. Em Patópolis, por exemplo, a maioria dos patos não os usa. Donald e Peninha andam descalços, o Tio Patinhas usa polainas (um tipo de proteção para as pernas, feita de lã ou até mesmo de couro, que geralmente fica sobre os sapatos) nos pés nus, e somente o vilão Patacôncio anda calçado.

A coisa toda é uma brincadeira com as palavras “sapato”, “pato” e “chato”. Por exemplo: o Patacôncio usa sapatos, é pato, e também é muito chato. Será que ele poderia ser considerado um pato “chato de galochas“?

Outro elemento da história é a espionagem industrial, com o Peninha como publicitário das Indústrias Patinhas e alguns figurantes no papel de equipe criativa do Patacôncio (um dos quais, de cabelo comprido e liso, lembra um pouco as representações feitas de papai em várias outras histórias).

Isso, aliás, é algo recorrente nas histórias de papai: para conseguir copiar (e de maneira medíocre) o que o Patinhas faz com a ajuda de um sobrinho ou dois, seja no campo dos quadrinhos ou da publicidade, o Patacôncio precisa contratar toda uma equipe de profissionais renomados.

O principal espião desta história, o Zé Ratinho, é uma ratazana falante que participa de exatas quatro histórias, todas de autoria de meu pai, e contracena geralmente com o Doutor Estigma contra o Morcego Vermelho, mas também já foi parceiro de malfeitos do Professor Gavião. Ao que parece, ele não é o ajudante fixo de nenhum vilão, mas sim um malfeitor “de aluguel”.

Interessante (e hilária) é a decisão do Peninha de “pagar espionagem com espionagem”. Mas a “espionagem” do pato é feita menos para saber o que o vilão está planejando, e mais para infiltrar e causar confusão, quase como uma espécie de punição.

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A Volta Do Conde Cordeiro

História do Mickey, de 1977.

Chefe de uma perigosa organização criminosa e outro dos arqui-inimigos do Mickey e do Esquálidus, o Conde Cordeiro é mais um daqueles personagens promissores mas mal aproveitados criados no exterior e adotados por papai para mais uma aventura, pelo menos.

A inspiração veio da história “Esquálidus Contra O Conde Cordeiro”, com roteiro de Bill Walsh e desenho de Floyd Gottfredson, originalmente publicada em tiras entre 1949 e 1950, que papai provavelmente leu na Edição Extra 67, de 1975.

Esta é uma daquelas batalhas épicas cheias de reviravoltas surpreendentes, grandes sustos e boas risadas, com tentativas de assassinato bem sérias, muito suspense e forte inspiração da história original. Algumas das armas não letais usadas na história são bastante futuristas e muito usadas nas histórias de meu pai, como a arma grudenta, por exemplo, que já existe hoje em dia.

Na companhia do amigo Esquálidus e seu gazecaradraursa Pflip, e apesar dos esforços de proteção por parte da polícia de Patópolis em uma ação comandada pelo próprio Coronel Cintra (para que o leitor sinta a gravidade do drama), o nosso herói se vê sequestrado e levado ao covil dos bandidos, onde ficará cara a cara com um perigoso tigre de bengala e ajudará a libertar alguns cientistas aprisionados.

Um dos cientistas, aliás, de nome Professor Zarrolhos, devido ao destaque que recebe, pode até mesmo ser uma representação do próprio autor, já que papai também gostava de se colocar nas histórias para poder contracenar com os personagens.

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Os Espiões Que Entraram Em Fria

História do Zé Carioca, de 1975.

Trata-se de mais um “encontro” de “turmas” diferentes, ainda que os integrantes desses dois universos mal se encontrem.

A Maga Patalójika resolve se mudar do Vesúvio para o Rio de Janeiro (com casa e tudo, diga-se de passagem), mas não consegue despistar os dois detetives (criados em 1963 por Carl Barks) que o Tio Patinhas contratou para vigiá-la. Esta é, aliás, a primeira história brasileira na qual esses dois aparecem. A segunda (e última) história nacional na qual eles são usados data de 1981, mas não é de papai.

Enquanto isso, a Rosinha cismou que o Zé precisa arrumar um emprego imediatamente. Isso, é claro, vai acabar levando a uma situação na qual ele e o Nestor vão substituir os detetives por algum tempo, mesmo sem saber a quem estão vigiando, nem quem é o “patrão” que está pagando pelo serviço. O mais importante, aqui, é “mostrar serviço” para a Rosinha, só isso.

O título da história é uma alusão ao filme de 1965 de nome “O Espião Que Saiu do Frio”, inspirado no livro homônimo de 1963. Além disso é também uma referência aos poderes da Maga, que costuma conjurar tempestades e nevascas quando quer atacar “discretamente” a quem a incomoda.

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Por fim, o detalhe interessante é o curioso telefone sem fio dentro da maleta, um “futurismo retrô” que me parece ser também coisa do Barks mas que, como bons brasileiros trabalhando para uma grande empresa, o Zé e o Nestor vão usar para fins pessoais.

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Mas Que Bronka!

História do Peninha, de 1984.

A trama em si é a confusão de sempre feita por 00-ZÉro e Pata Hari em suas disputas contra a Bronka, que é inspirada em séries e filmes de espionagem como “Agente 86”, por exemplo. É claro que tudo está bem trabalhado, com muita ação e suspense, como nas melhores obras do gênero.

Mas a parte mais importante da história não é essa. O mais importante, hoje, está nos detalhes, a começar pelo “transplante” do Parque Taquaral, que fica em Campinas (onde morávamos na época) para Patópolis. Está tudo lá: a lagoa, a Caravela, e até o bonde turístico, que havia mesmo acabado de ser inaugurado.

Apresentado o parque, na primeira página, papai então começa a trabalhar as livres associações que vão ligar o local à trama de espionagem. Para começar, ele transforma um antigo anúncio do remédio Rum Creosotado, que com o tempo se transformou no símbolo da era dos bondes no  Brasil, em uma espécie de senha entre espiões.

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Em seguida, ele faz da Caravela o veículo mutante dos agentes secretos, como o leitor atento logo vai desconfiar, pela cor e pelos remendos metálicos no casco, que não existiam nas naus de madeira do século 16.

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Por fim, a disputa da vez é sobre um produto químico perigoso que existe de verdade, de nome hidrazina. Consta que, além de ser tóxica, ela também é explosiva e usada inclusive como combustível para foguetes. Com um pouco de calculado exagero, papai faz com que o líquido se comporte como outro explosivo famoso, a nitroglicerina.

É óbvio que toda essa correria com e atrás de uma garrafinha contendo algo tão perigoso não pode acabar bem. Mas até aí a homenagem a Campinas, cidade que o viu crescer e na qual ele desenvolveu todo o seu talento para os quadrinhos, está feita.

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O Pequeno Grande Ladrão

História do Morcego Vermelho, de 1975.

Esta é mais uma daquelas histórias onde nada é o que parece ser. O objetivo de papai aqui é confundir o leitor ao máximo para depois arrancar dele belas gargalhadas.

A inspiração para o nome da história vem de alusões que se costuma fazer a crianças ou a pessoas que são baixinhas: “fulana pode ser pequena, mas (já) é uma grande pessoa”.

Já o Pequeno ladrão e o Grande ladrão são inspirados naqueles espelhos de parques de diversão que distorcem a imagem da gente. Se bem que o herói (e o leitor) não vai ter certeza se são dois ou só um até o final da história.

A trama é caracterizada por repetidas reviravoltas, e até de calúnias o Morcego vai ser vítima.

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Mas o ponto alto da história, em minha humilde opinião, é a participação especial da Bruxa Vanda, que aparece somente em dois quadrinhos e não tem mais nenhuma participação na trama, no que talvez seja uma das situações mais insólitas já inventadas nos quadrinhos. Afinal, espera-se tudo de uma bruxa de histórias em quadrinhos. Pelo menos, espera-se que ela esteja por trás da coisa toda, manipulando tudo por magia para algum propósito maligno. Hoje, decididamente, não é o caso.

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Essa cena é inspirada em uma antiga piada de espionagem que papai costumava contar: era uma vez um espião italiano que precisava fazer contato com outro espião por meio de uma senha especial, para manter segredo, porque ninguém podia saber de nada. Então ele foi até o endereço que ele achava que era do contato dele, bateu na porta, e quando a pessoa abriu, declamou: “i campi sono pieni di fiore” (os campos estão cheios de flores).

A princípio o cidadão não entende do que se trata, para desespero do espião, e após uma conversa que pode ser tão breve ou tão longa e atrapalhada quanto a pessoa que está contando a piada quiser, ele entende e diz: “Ah! Você está procurando pelo meu vizinho! (e gritando para a porta do apartamento ao lado) Josepe espione! Visita para você!”

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O Sumiço De Lobo

História de 00-ZÉro e Pata Hari, publicada uma vez só em 1975.

O Lobo foi sequestrado enquanto estava em missão especial com o “Agente 00-3,1416”, e a história mostra como será o resgate do agente canino.

Como sempre, os agentes vão desvendando o mistério e encontrando o caminho até o amigo Chihuaua (raça, aliás, que – por coincidência ou não – tem parentesco mais próximo com os lobos do que outras, como o Golden Retriever) meio por acaso, aos trancos e barrancos, mas, pelo menos, eles sempre têm o equipamento apropriado para lidar com cada situação.

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O nome do Agente 00-3,1416, personagem criado especialmente para esta história, é uma dupla brincadeira: a primeira é com denominações famosas de espiões, como os famosos Agente 007, Agente 86, e o próprio 00-Zéro. A segunda, que papai certamente gostaria que seus leitores tivessem a capacidade de identificar logo ao ler a história, ou que pelo menos tivessem a delicadeza de pesquisar, é com o valor de PI.

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A Epidemia Maluca

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1976.

O mistério de hoje envolve um suposto caso de histeria coletiva, no qual toda a população de uma cidade, localizada em algum país exótico de aparência arabizada, endoideceu de repente. Se isso não fosse o suficiente, (mais) coisas estranhas estão acontecendo, e os chefes de nossos amigos agentes secretos acreditam que a BRONKA tem alguma coisa a ver com isso.

“Epidemias malucas” de vários tipos são mais comuns e têm existido por mais tempo do que se pensa, desde os episódios de “dançomania” durante a Idade Média e até a “epidemia de riso de Tanganika“, ocorrida já no século XX. Uma teoria que eu ouvi sobre o assunto propõe que elas acontecem mais entre populações que vivem sob estritas leis morais e religiosas, justamente aquelas onde demonstrações públicas de alegria e descontração são condenadas, e nas quais as mulheres são mais reprimidas.

Mas o caso, aqui, é menos psicológico e mais “farmacológico”. Também existiram casos de “Ergotismo“, que é o envenenamento acidental por um fungo do centeio, na História do mundo até a Idade Média, e existe até hoje o mel maluco do Himalaia, mas casos de loucura por envenenamento da água são mais comuns em filmes de espionagem e mistério do que na realidade.

Mas é claro que uma cidade cheia de gente maluca dançando nas ruas e fazendo a maior confusão é um tema muito engraçado para uma história em quadrinhos, que funciona muito bem e certamente vai fazer os leitores rirem bastante. E este, mais do que a solução de qualquer possível mistério, é o objetivo maior desta história.

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Em especial temos um coadjuvante um tanto surreal, que primeiro acredita ser Robin Hood, depois Guilherme Tell, e finalmente o Arqueiro Verde, em referência a três personagens clássicos bastante conhecidos.

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