A Nova Investida Dos Metralhas

História dos Metralhas, de 1975.

Esta é outra daquelas preciosidades que foram inexplicavelmente publicadas uma vez só. O plano é roubar a Caixa Forte do Patinhas (o que mais poderia ser?) mas os vilões acabam se atrapalhando tanto que vão presos (obviamente, como não poderia deixar de ser) quase sem dar trabalho à polícia e sem nem ao menos conseguir chegar perto de seu alvo.

O desencontro entre as duas partes do bando, uma chefiada pelo Intelectual, que já está esperando perto da fortaleza, e a do Vovô, que está levando a dinamite e o detonador até lá, é algo que acontecia bastante nos tempos antes da invenção do telefone celular.

E, para aumentar a confusão, temos um agravante: hoje o Vovô, que já está meio gagá e às vezes (na maior parte do tempo, na verdade) se comporta como uma criança, está com uma hilária fixação por máquinas de chiclete.

Ele começa comprando os doces com uma moeda, como qualquer pessoa, mas ao receber somente duas bolinhas se frustra e começa a roubar, em um crescente de “violência”. A primeira máquina libera as guloseimas após levar uma mera chacoalhada, mas à medida em que elas vão ficando mais “teimosas” (há várias, espalhadas pelas esquinas das redondezas) o Vovô também vai “sofisticando” os seus métodos. Só que isso não quer dizer, é claro, que os resultados serão os esperados.

Papai tinha uma teoria de que, quanto mais velha uma pessoa vai se tornando, mais “criança” ela vai ficando. A coisa começa com pequenos esquecimentos e manias bobas, depois a pessoa vai ficando frágil, em seguida pode perder o controle sobre certas funções corporais, etc. Se ficar velha o suficiente, corre o risco de ficar tão dependente como um bebê. (O que não é, exatamente, um prospecto lá muito desejável, mas assim é a vida.)

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Zé Dinamite

História do Zé Carioca, de 1976.

A história de hoje combina a habitual falastrice e o talento para se meter em encrencas do Zé com várias referências interessantes. Diante do desabamento da “pedra do macaco” durante uma tempestade, o nosso herói tolamente se coloca em uma posição difícil. O interessante será ver como, exatamente, ele sairá dela. Papai saberá oferecer, no momento certo, uma solução original e digna da confusão inicial.

Mas, antes de mais nada, vamos às referências:

A favela do Morro dos Macacos existe mesmo, e fica na região da Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ao que parece, o Pedrão morava por lá antes de se mudar para a Vila Xurupita no Morro do Papagaio e criar seu pomar de jacas e outras frutas. Aqui ela é chamada de “Morro do Macaco”, no singular.

Outra coisa que existe de verdade e fica no Rio de Janeiro é a Pedra do Macaco, embora não exatamente na cidade, mas ainda no mesmo estado. Papai tomou a liberdade de “movê-la” só um pouquinho. 😉

A implosão mencionada pelo Zé do edifício “Caldas Mendeira”, na Praça da Sé em São Paulo também é um fato real, acontecido em 16 de novembro de 1975, e o nome verdadeiro do prédio é Mendes Caldeira.

E a comoção toda que se cria pela boataria e expectativa de um espetáculo popular grátis também é algo bem brasileiro, que lembra um pouco a canção de 1974-5 chamada “De Frente Pro Crime“, de João Bosco. Só falta, mesmo, um corpo, mas isso certamente não “caberia” em uma história da Disney.

Assim temos a memória de vários fatos reais recentes (naquela época, é claro), que seriam facilmente reconhecíveis por quem lesse a história, “rearranjados” e combinados de maneira criativa para compor uma trama que se torna realmente engraçada exatamente porque combina essa sensação de familiaridade toda com uma situação completamente insólita.

Qualquer semelhança com a realidade brasileira de todos os tempos (não) terá sido mera coincidência.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon.

Mas Que Bronka!

História do Peninha, de 1984.

A trama em si é a confusão de sempre feita por 00-ZÉro e Pata Hari em suas disputas contra a Bronka, que é inspirada em séries e filmes de espionagem como “Agente 86”, por exemplo. É claro que tudo está bem trabalhado, com muita ação e suspense, como nas melhores obras do gênero.

Mas a parte mais importante da história não é essa. O mais importante, hoje, está nos detalhes, a começar pelo “transplante” do Parque Taquaral, que fica em Campinas (onde morávamos na época) para Patópolis. Está tudo lá: a lagoa, a Caravela, e até o bonde turístico, que havia mesmo acabado de ser inaugurado.

Apresentado o parque, na primeira página, papai então começa a trabalhar as livres associações que vão ligar o local à trama de espionagem. Para começar, ele transforma um antigo anúncio do remédio Rum Creosotado, que com o tempo se transformou no símbolo da era dos bondes no  Brasil, em uma espécie de senha entre espiões.

peninha-bronka

Em seguida, ele faz da Caravela o veículo mutante dos agentes secretos, como o leitor atento logo vai desconfiar, pela cor e pelos remendos metálicos no casco, que não existiam nas naus de madeira do século 16.

peninha-bronka1

Por fim, a disputa da vez é sobre um produto químico perigoso que existe de verdade, de nome hidrazina. Consta que, além de ser tóxica, ela também é explosiva e usada inclusive como combustível para foguetes. Com um pouco de calculado exagero, papai faz com que o líquido se comporte como outro explosivo famoso, a nitroglicerina.

É óbvio que toda essa correria com e atrás de uma garrafinha contendo algo tão perigoso não pode acabar bem. Mas até aí a homenagem a Campinas, cidade que o viu crescer e na qual ele desenvolveu todo o seu talento para os quadrinhos, está feita.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

 

A Visita do Juquinha – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 14 de agosto de 1993.

Esta é, definitivamente, a última história escrita e rascunhada por papai para o universo Disney. Aqui termina a prolífica produção de quadrinhos de Ivan Saidenberg, no que talvez seja um final bastante apropriado.

Mas me adianto: vamos começar pelo começo. O “Juquinha” era um gatinho de pelagem cinza-chumbo que foi jogado no jardim do prédio onde nossa família morava em Yavne, Israel, e que eu peguei para cuidar. A pobre coisinha era tão novinha que ainda tinha os olhinhos fechados e um pedaço do cordão umbilical preso ao corpinho. Foi preciso tratar o bichinho na base da mamadeira e garrafa de água morna para que ele sobrevivesse, mas posso dizer, e com orgulho, que consegui salvar uma vidinha.

O único problema era que, pelo menos nas primeiras semanas, o bichinho acordava miando para mamar a cada duas horas, no máximo, não importava se era dia ou noite. Não foi um período fácil, mas valeu a pena, para mim e para ele, que acabou tendo a ideia para esta história.

Desconfio, aliás, que a “Prima Donna”, a mãe cantora de ópera que o Biquinho inventa para o seu alter Ego seja uma alusão a esta que vos escreve, e que sempre gostou de cantar em tons agudos. E há até quem diga que eu nem canto tão mal assim. (A verdade é que eu tento. Às vezes dá certo, e fica até bonito. Mas em outras vezes dá errado, e aí vira um desastre.) 😉

Só me incomoda um pouco a extrema falta de modos do Biquinho nesta história. O personagem está um pouco radical demais em comparação com a proposta original do personagem, e xinga bastante no decorrer das páginas. Ao que parece papai ficou mais irritado com os miados do gatinho do que demonstrou na minha frente, e isso se refletiu na história.

A citação “de repente, não mais que de repente” que aparece no primeiro quadrinho vem de um poema de Vinícius de Moraes, o Soneto de Separação.

O truque usado pelos verdadeiros sobrinhos do Zé para capturar o intruso e obrigá-lo a tomar um banho remonta às antigas brincadeiras de crianças, e esse tema do “brincar de pirata” foi usado por papai muitas vezes ao longo dos anos, inclusive em histórias do Vovô Metralha, por exemplo mas não somente.

Por fim, o final “à altura”, radical e definitivo, com tudo indo pelos ares. Depois de uma explosão dessas, certamente haveria muitos cacos para juntar, talvez cacos demais. É o fim, da história, talvez até da Vila Xurupita, e da carreira de um brilhante quadrinista.

vj01 vj02 vj03 vj04 vj05 vj06 vj07 vj08 vj09

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll recontada a partir da perspectiva e da experiência dos fãs. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

O Explosivo Kid Namite

História do Morcego Vermelho, de 1977.

É claro que não precisa explicar, mas “Kid Namite” é um trocadilho com a palavra “dinamite”, nome de um conhecido explosivo. Além disso, como nome de personagem, remete a vilões como Billy the Kid e vários outros “Kids”, como Kid Mônius, e também a heróis, como o Pena Kid.

A brincadeira, aqui, é fazer o Morcego Vermelho se estourar todo repetidas vezes. E, com o passar dos quadrinhos, as explosões vão ficando cada vez mais fortes. Mais forte, também, vai ficando a irritação do Herói, a cada novo atentado: ele passa de preocupado a “queimado”, e por fim a “estourado”.

E como se não bastasse, cada bomba é diferente das outras: há a icônica bomba de bola com pavio, a bomba relógio dentro da maleta, e até uma bomba dentro de uma cartola. São tantas, que o leitor nem tem muito tempo para tentar adivinhar de onde virá a próxima, e acaba por se surpreender várias vezes em seguida.

MOV Kid Namite

Por fim, temos uma casa inteira transformada em armadilha explosiva. Será esse o fim do Morcego Vermelho? Conseguirá o nosso herói desmascarar o vilão e prendê-lo, finalmente? No final da história papai leva o herói mais ou menos à situação inicial, como era seu costume fazer, para o desgosto do personagem principal.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix