História Pra Boi Não Dormir

História do Biquinho, de 1986.

O título se refere a uma velha expressão popular: “história”, ou melhor, “conversa (mole) para boi dormir” é o mesmo que inventar mentiras em sequência para tentar enganar alguém.

Hoje papai associa o conceito com as histórias noturnas contadas às crianças pequenas pelos pais ou tios com a característica do Biquinho de ser difícil de colocar para dormir e com um antigo conto de fadas chamado “Os Três Cabelos de Ouro do Diabo”, dos Irmãos Grimm.

Há toda uma arte e uma ciência por trás dessa coisa toda de se contar histórias para dormir, na verdade. Mais do que o teor da história em si, especialmente para crianças bem pequenas, o que realmente vale é manter um tom de voz calmo e pausado, para que a pessoinha ali na cama se acalme e durma. Daí a associação com a conversa para boi dormir.

Para crianças mais velhas um pouco, a repetição de uma mesma história, noite após noite (ou várias vezes em seguida em uma mesma noite) também tem um efeito calmante por causa justamente da previsibilidade. Saber a história de memória, poder prever o que vai acontecer e até declamar os diálogos, dá à criança uma sensação de segurança. (Mas, até que a história se torne realmente familiar, alguns “acidentes de percurso” podem acontecer.)

Mas é claro que para toda regra existe uma exceção, e hoje ela se chama Biquinho. E papai “empresta” ao patinho toda a criatividade que ele mesmo tinha quando criança, nos tempos em que inventava finais alternativos (e frequentemente muito mais engraçados) para as histórias que ouvia.

Só que, para o Biquinho (e para a diversão do leitor), isso nem sempre é uma coisa boa.

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A Fada-Madrinha

História do Zé Carioca, publicada em 1974.

Em mais uma mistura de personagens de “universos” diferentes, a bruxinha Magali está em viagem de férias ao Rio de Janeiro, onde ela encontra por acaso um Zé Carioca que não acredita em histórias de fadas, e ainda ri delas. É aí que ela tem a ideia de se fazer passar por fada, só para atazanar a vida dos dois preguiçosos descrentes.

ZC fada

Usando as palavras mágicas e também os truques de transformação da fada madrinha da Cinderela, a bruxinha começa a sua brincadeira transformando uma abóbora numa carruagem. Até aí, essa é só a introdução da história.

O caldo começa a engrossar quando os dois amigos primeiro brigam pela “propriedade” da fada, e depois têm ambos a mesma ideia sobre o que pedir, ao mesmo tempo. Mas como no fim eles ganham apenas um de cada, o jeito é fazer as pazes e tentar lucrar o máximo com a situação.

ZC fada pedidos

Até aí, entre a ida ao banco na cidade no carrão para trocar o saco de moedas, nenhuma maior que 50 centavos, e arranjar um comprador para o iate e o resto das confusões, o leitor já até esqueceu que tipo de magia a bruxinha está usando para criar tudo aquilo. O efeito cômico é criado quando o efeito dos feitiços passa, e os objetos de luxo voltam ao seu estado original, incluindo as moedas, que não passavam de sementes de abóbora.

ZC abobora

Já a Magali certamente se divertiu à beça com a palhaçada, mas não vai ficar impune por ter enganado os nossos heróis. No fim, bem o fim, o feitiço vira contra a feiticeira, mas o Zé e o Nestor nem se dão conta disso. Isso é algo que só o leitor vê.