A Casa Assombrada

História da Madame Min, de 1976.

(Notem bem o nome desta história, isso será importante mais abaixo) Disfarçada de velhinha, a bruxa compra uma velha mansão assombrada caindo aos pedaços para fazer uma reunião de bruxas e ajudar a Maga Patalójika a fazer uma poção da invulnerabilidade e, quem sabe, ter uma chance melhor de roubar a moedinha número um do Tio Patinhas.

Como sempre nesse tipo de história de magia escrita por papai, existem várias condições malucas que precisam ser cumpridas para que o feitiço dê certo. Nesta, além dos ingredientes exóticos de costume, como unhas de dragão e penas de urubu, é preciso que o local da preparação da poção seja mal assombrado.

É neste detalhe que o bicho pega: todo mundo (inclusive as bruxas, pelo jeito, e também o dicionário) presume que todas as casas assombradas sejam “mal” assombradas. Mas será que é isso mesmo em 100% dos casos? Uma coisa é certa, este plano não pode funcionar, porque a intenção das bruxas não é nada boa.

Sempre confiando na inteligência do leitor, papai já dá a principal pista para o desfecho da história logo no título. Além disso, o “fantasma da casa” parece ser tudo, menos do mal…

Bruxas fantasma

 

No final das contas fica a pergunta: o que faz uma casa ser “mal” assombrada? A índole dos fantasmas que a assombram? Ou os medos e anseios (e preconceitos) daqueles que avistam o fantasma? Se o fantasma não for mau, a casa continua sendo “mal” assombrada?

Penado, O Espírito Que Desanda

História do Pena das Selvas, publicada em 1984.

Este é um alter-Ego “duplo”, quer dizer, é um alter-Ego do Pena das Selvas, que é um alter-Ego do Peninha. A ideia é que, assim como o Peninha se transforma no Morcego Vermelho, o Pena das Selvas se transforme em Penado, o Espírito que Desanda. Só que, bem no estilo do Morcego Verde, alter-Ego do Zé Carioca, todo mundo sabe quem ele é.

Trata-se, é claro, de uma paródia de um clássico dos quadrinhos dos anos 1930: Fantasma (The Phantom), o Espírito que Anda. O trocadilho aqui é com a palavra “alma penada”, que também é sinônimo de fantasma. Até o uniforme do nosso “genérico” é parecido com o original, além de vários outros elementos “emprestados”, como o lobo que acompanha o herói, e nomes como Guran, o chefe dos pigmeus e amigo do Fantasma.

O caldo aqui começa a engrossar quando o bruxo-doutor da aldeia reconhece o Pena das Selvas fantasiado como uma figura mítica que é esperada há séculos, e passa a tratá-lo de acordo, ao ponto dos nativos amigos do pato também passarem a acreditar que o Pena realmente se transformou.

Penado

Como não poderia deixar de ser, uma história de um personagem nesse estilo não seria completa sem a presença de piratas (aqui com a participação especial do Capitão Gancho e sua tripulação), e da indefectível mocinha em apuros, uma certa Diana Palmeira, inspirada na Diana Palmer, namorada do Fantasma original.

O resto são as hilárias trapalhadas de praxe. Tantas, aliás, que o Pena logo desiste da ideia de “encarnar” o Penado algum dia novamente.

Penado piratas