O Novo Aprendiz De Feiticeiro

História do Peninha, de 1974.

Este é um interessante exercício de imaginação, uma variação sobre o tema do Aprendiz de Feiticeiro, com resultados surpreendentes.

Até mesmo o grande Feiticeiro está sujeito a errar uma palavra mágica ou duas (ou três ou quatro) de vez em quando, com resultados desastrosos. Essa, aliás, é outra das regras da magia dos quadrinhos: as palavras mágicas devem ser pronunciadas corretamente para que haja o efeito desejado. Palavra trocada, efeito trocado.

O interessante é que o Feiticeiro é muito valente enquanto pensa que está no controle da situação, e se dá ao luxo de tratar o Peninha bem mal enquanto o captura para servir de aprendiz.

Mas quando as coisas dão errado de novo e ele se vê sem seu livro de magias, ele se torna apenas um velhinho frágil vestido com roupas esquisitas. Já o Peninha, ao que parece, daria um aprendiz melhor do que o próprio Mickey, no final das contas. Pelo jeito, ter “um parafuso a menos” é uma vantagem, quando há magia envolvida.

Isso, aliás, é algo que papai trabalharia bastante com o Peninha ao longo dos anos: essa predominância do “lado direito do cérebro” que dá ao pato uma criatividade quase mágica, seja como quadrinista, publicitário, adivinho/vidente, ator, ou herói mascarado.

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Pena Kid, O Bandidão

História do Pena Kid, de 1976.

Todo herói dos quadrinhos que se preze tem seu dia de bandido, e com o Vingador do Oeste não poderia ser diferente. Mas não é só o herói que vai ficar malvadão: todos os habitantes de Pacífica City terão suas personalidades invertidas.

O interessante é que papai nos oferece duas explicações para o fato. Uma advinda da redação de A Patada, e outra contida na história que “o Peninha” está escrevendo, que está mais de acordo com as soluções apresentadas em filmes e HQs: na maioria dos casos mais clássicos ou é fingimento do herói como parte de um plano para infiltrar uma quadrilha de bandidos, ou ele é coagido a agir assim por chantagem e para proteger alguma pessoa inocente que é refém dos vilões, ou é vítima de algum elixir ou raio de controle da mente.

Mas a verdade é que inversões de personalidade em massa, como a que vemos hoje, são bem mais raras de acontecer. Afinal, se o mocinho pode, às vezes, ter um bom motivo para ficar temporariamente mau, os bandidos quase nunca se convertem em bons.

Papai, como sempre, vai distribuindo pistas pelas páginas na esperança de que o leitor atento vá saber identificá-las e solucionar o mistério da inversão de papéis.

Não que isso realmente importe, aqui. Mais importante do que o roteiro da história do Pena Kid em si é mostrar como uma história em quadrinhos é feita ou, mais exatamente, satirizar alguns métodos de criação de quadrinhos, e especialmente os mais espontâneos (quando o escritor inicia uma história sem ter decidido como ela vai terminar e se guia pela livre associação de ideias – o que pode levar a soluções forçadas), ou os que se apoiam demais em clichês e se tornam previsíveis.

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“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

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No País Dos Feiticeiros

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1977.

Volta e meia os dois agentes secretos são enviados a algum lugar distante e exótico para combater a Bronka. Hoje visitaremos o Pais dos Feiticeiros, chamado Zumba-Quizumbalândia.

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“Quizumba” é sinônimo de música, dança, confusão, briga, macumba e feitiçaria. E é principalmente esta última definição que papai usará aqui. Todo o humor da trama, aliás, será baseado em diálogos cheios de trocadilhos, cacófatos e jogos de palavras ao redor do tema magia e folclore, em adição às costumeiras piadas sobre os equipamentos e métodos dos agentes secretos.

Em uma história sobre magia tudo pode acontecer. O agente da Bronka de nome Bigode até consegue enganar os nativos por algum tempo com truques de mágica de salão e tomar o lugar do verdadeiro feiticeiro, mas acaba sendo desafiado para um duelo de magia cujo resultado será julgado pelo conselho dos velhos da tribo. O Interessante e que um deles se parece bastante com o jogador de futebol Pelé, mas não tenho certeza se é coisa de meu pai (apesar de suspeitar que sim) ou do Herrero, o desenhista.

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É óbvio que a Bronka não pode ganhar a parada. Mas isso não quer dizer que o final da história vá deixar de ser surpreendente.

A última história de papai nesta revista Tio Patinhas 144 é a piadinha final, que versa sobre a memória (ou falta dela) do Professor Ludovico. Isso faz com que o gênio de Patópolis, especialista em todas as coisas, seja associado com Albert Einstein que, dizem, também era bastante esquecido.

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A Flor Do Mal

História do Morcego Vermelho, composta entre julho e agosto de 1974 e publicada uma vez só em 1975.

Entre os planos dos bandidos para o Morcego, há os dos bruxos de todos os tipos que não se contentam em apenas fazê-lo sair da cidade. Eles têm uma perversa necessidade de transformá-lo em uma pessoa má, que faça para eles o seu trabalho sujo.

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Como sempre, os Anões Maus estão usando feitiços que roubaram do Mago Mandrago e, também como sempre, o Mago está atrás deles. Assim, eles terão liberdade de ação somente enquanto o velho bruxo não os alcançar.

O interessante é que, mesmo estando temporariamente mau, o herói não consegue causar nenhum dano nem cometer nenhum crime. Ele é tão querido em Patópolis que os cidadãos dão a ele com alegria qualquer coisa que ele pedir. Essa manobra é fundamental, no “estilo Disney” de se fazer as coisas, para manter a “pureza” do herói, evitando que ele faça o mal e seja desvirtuado, o que “estragaria” o personagem.

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O resultado, sob o lápis de papai, é sempre tão engraçado quanto surpreendente.

(Dica para a turma do Inducks: “Mal me quer, bem me quer”, de 1973, é outra história, que já foi comentada aqui. Uma olhadinha mais atenta na lista de trabalho vai esclarecer tudo.)

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A Festa Dos Vampiros

História do Pena das Selvas, escrita em 1982 e publicada pela primeira vez em 1987.

Dizem que os mais assustadores filmes de terror começam com alguma situação bem tranquila, idílica mesmo. Esta história não é diferente. A paz da floresta é interrompida pela chegada de um bando de vampiros, magicamente transportados para o cume do monte “Kilomanjaram” com castelo e tudo.

O nome do monte já foi comentado aqui, e foi usado algumas vezes por papai como trocadilho para Kilimanjaro. Mais interessante é o nome do vampiro invasor que ameaça tirar a paz dos habitantes da floresta: “Ivan Pyro” é mais uma maneira que papai encontrou para “assinar” sua obra.

PS Vampiros

A história toda é inspirada no clássico filme de terror “A Dança dos Vampiros”, de 1967. O próprio Pena das Selvas faz o papel do “fearless” (destemido) caçador de vampiros, em uma alusão ao título original do filme em inglês. Outros elementos do filme citados aqui são os espelhos que só refletem os vivos, mas não os mortos-vivos, e a imunidade de alguns deles a clássicas “armas” anti-vampiro. No filme original era o crucifixo, mas aqui (para evitar símbolos religiosos, que não “cabem” no estilo Disney) o alho é usado.

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Outra coisa que não se pode usar em histórias Disney são balas de prata e estacas de madeira no coração (violentos demais, não pode haver sangue ou mortes), e assim papai recorre a uma solução criativa: ele dá ao Pena a ajuda de um “feiticeiro das selvas” e suas poções. É uma solução “pouco ortodoxa”, mas por isso mesmo bastante engraçada. Quem disse que só se pode lutar contra os seres das trevas (e principalmente vencê-los) da maneira tradicional?

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O Feiticeiro Das Selvas

História do Professor Pardal, de 1977.

Este feiticeiro é um dos “adotados” de papai, um personagem de certo potencial que (se não fosse por ele) teria ficado esquecido em uma única história.

Desta vez o Feiticeiro das Selvas está atrás do Lampadinha, já que na história original de Carl Barks o inventor se vale de seu ajudante para se safar. O caso é que, como muitas vezes acontece nas sociedades tribais, e isto tem a ver também com os já aqui citados Arthur C. Clarke e Erich Von Daniken e suas teorias sobre o impacto de altas tecnologias sobre mentes mais primitivas, temos uma situação na qual há a tentativa de se copiar uma tecnologia avançada de maneira supersticiosa ou “simbólica”.

Neste caso, após terem visto o Lampadinha em ação, todos os feiticeiros da floresta resolvem tentar fazer os seus próprios que, é claro, são versões muito mais toscas e nada funcionais. Meros bonecos feitos de metal. Somente o feiticeiro que conhece o Pardal sabe que só existe um “boneco” que seria realmente “mágico”.

Pardal selvas

E é neste ponto que papai quebra uma de suas principais regras sobre como escrever quadrinhos: depois de descrever uma complicada situação na qual o Inventor e o Lampadinha são levados por mágica à floresta para participar de um concurso de bonecos mágicos, papai termina a história fazendo o Pardal acordar de repente em sua cama somente para descobrir que foi tudo um sonho. Mas fica a dúvida: teria sido mesmo só um sonho, ou foi o Feiticeiro que fez parecer assim?

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Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html