“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

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O Comprido, O Gordo E O Tapado

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Esta história é inspirada em um antigo conto de fadas chamado “O Tesouro dos Três Irmãos” (que pode ser lido no link). Como o conto não é exatamente conhecido do grande público, papai se deu liberdade para ser mais ou menos fiel a ele, mas sempre com as modificações de praxe por conta das características dos personagens.

Uma das modificações que papai fez ao conto original foi fazer os poderes dos objetos desaparecerem depois de algum tempo, para que os Metralhas não possam se beneficiar deles para sempre, já que não merecem.

Além disso, essa é uma característica da magia em histórias Disney: com raras exceções, os usuários de poderes e objetos mágicos não devem se beneficiar indefinidamente deles. E se, no final, o feitiço puder ser virado contra o feiticeiro, tanto melhor.

Os Metralhas da vez não têm números, mas são antepassados dos atuais. Assim sendo, há também um Azarado entre eles, associado com o irmão Tapado. E, como sempre, o Azarado atual passa a história toda torcendo pelo sucesso de seu antepassado.

Será mesmo que desta vez o Azarado vai se dar bem? Quem ler, verá.

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Os Espiões Que Entraram Em Fria

História do Zé Carioca, de 1975.

Trata-se de mais um “encontro” de “turmas” diferentes, ainda que os integrantes desses dois universos mal se encontrem.

A Maga Patalójika resolve se mudar do Vesúvio para o Rio de Janeiro (com casa e tudo, diga-se de passagem), mas não consegue despistar os dois detetives (criados em 1963 por Carl Barks) que o Tio Patinhas contratou para vigiá-la. Esta é, aliás, a primeira história brasileira na qual esses dois aparecem. A segunda (e última) história nacional na qual eles são usados data de 1981, mas não é de papai.

Enquanto isso, a Rosinha cismou que o Zé precisa arrumar um emprego imediatamente. Isso, é claro, vai acabar levando a uma situação na qual ele e o Nestor vão substituir os detetives por algum tempo, mesmo sem saber a quem estão vigiando, nem quem é o “patrão” que está pagando pelo serviço. O mais importante, aqui, é “mostrar serviço” para a Rosinha, só isso.

O título da história é uma alusão ao filme de 1965 de nome “O Espião Que Saiu do Frio”, inspirado no livro homônimo de 1963. Além disso é também uma referência aos poderes da Maga, que costuma conjurar tempestades e nevascas quando quer atacar “discretamente” a quem a incomoda.

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Por fim, o detalhe interessante é o curioso telefone sem fio dentro da maleta, um “futurismo retrô” que me parece ser também coisa do Barks mas que, como bons brasileiros trabalhando para uma grande empresa, o Zé e o Nestor vão usar para fins pessoais.

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No País Dos Feiticeiros

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1977.

Volta e meia os dois agentes secretos são enviados a algum lugar distante e exótico para combater a Bronka. Hoje visitaremos o Pais dos Feiticeiros, chamado Zumba-Quizumbalândia.

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“Quizumba” é sinônimo de música, dança, confusão, briga, macumba e feitiçaria. E é principalmente esta última definição que papai usará aqui. Todo o humor da trama, aliás, será baseado em diálogos cheios de trocadilhos, cacófatos e jogos de palavras ao redor do tema magia e folclore, em adição às costumeiras piadas sobre os equipamentos e métodos dos agentes secretos.

Em uma história sobre magia tudo pode acontecer. O agente da Bronka de nome Bigode até consegue enganar os nativos por algum tempo com truques de mágica de salão e tomar o lugar do verdadeiro feiticeiro, mas acaba sendo desafiado para um duelo de magia cujo resultado será julgado pelo conselho dos velhos da tribo. O Interessante e que um deles se parece bastante com o jogador de futebol Pelé, mas não tenho certeza se é coisa de meu pai (apesar de suspeitar que sim) ou do Herrero, o desenhista.

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É óbvio que a Bronka não pode ganhar a parada. Mas isso não quer dizer que o final da história vá deixar de ser surpreendente.

A última história de papai nesta revista Tio Patinhas 144 é a piadinha final, que versa sobre a memória (ou falta dela) do Professor Ludovico. Isso faz com que o gênio de Patópolis, especialista em todas as coisas, seja associado com Albert Einstein que, dizem, também era bastante esquecido.

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A Flor Do Mal

História do Morcego Vermelho, composta entre julho e agosto de 1974 e publicada uma vez só em 1975.

Entre os planos dos bandidos para o Morcego, há os dos bruxos de todos os tipos que não se contentam em apenas fazê-lo sair da cidade. Eles têm uma perversa necessidade de transformá-lo em uma pessoa má, que faça para eles o seu trabalho sujo.

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Como sempre, os Anões Maus estão usando feitiços que roubaram do Mago Mandrago e, também como sempre, o Mago está atrás deles. Assim, eles terão liberdade de ação somente enquanto o velho bruxo não os alcançar.

O interessante é que, mesmo estando temporariamente mau, o herói não consegue causar nenhum dano nem cometer nenhum crime. Ele é tão querido em Patópolis que os cidadãos dão a ele com alegria qualquer coisa que ele pedir. Essa manobra é fundamental, no “estilo Disney” de se fazer as coisas, para manter a “pureza” do herói, evitando que ele faça o mal e seja desvirtuado, o que “estragaria” o personagem.

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O resultado, sob o lápis de papai, é sempre tão engraçado quanto surpreendente.

(Dica para a turma do Inducks: “Mal me quer, bem me quer”, de 1973, é outra história, que já foi comentada aqui. Uma olhadinha mais atenta na lista de trabalho vai esclarecer tudo.)

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Um Lobinho Quase Feroz

História do Lobão, de 1974.

Desde o ano anterior, na história “Mal Me Quer, Bem Me Quer” e até 1984, dez anos depois, em “O Feitiço Da Vila”, ambas já comentadas aqui, papai brincou com a ideia do “feitiço da inversão de personalidades”, a cada vez de uma maneira um pouco diferente.

O leitor atento vai saber que alguma coisa está muito errada logo de cara, quando uma mão a princípio desconhecida aparece na janela logo no primeiro quadrinho, e em seguida coisas estranhas começam a acontecer sem motivo aparente.

Lobinho feroz

A história é curta e a solução é bastante simples, mas o importante na trama é mesmo essa inversão de papéis, que é outra coisa que papai gostava de fazer em suas histórias para o Lobinho, aliás. Em “Papéis Trocados”, outra história já comentada aqui, ele explora bastante esse tema do “Lobinho mau”.

No final das contas, a coisa toda era para ele quase um exercício em psicologia: era colocar diferentes personagens mais ou menos na mesma situação para ver, quase como se eles tivessem vida própria, como eles reagiriam, sempre respeitando as personalidades atribuídas a eles nas descrições que vinham da editora, anotadas em folhas impressas para que os argumentistas pudessem consultar e não se desviassem demais do estilo predefinido.

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Um Bolo Na Festa

História das bruxas, de 1979.

Em gíria, a expressão “deu bolo” significa que algo deu errado, falhou de alguma maneira, ou se transformou em uma grande confusão. No caso desta história, estaremos lidando com todas essas definições ao mesmo tempo.

É época de festa novamente em Bruxópolis, e bruxos do mundo inteiro estão se reunindo para participar de corridas de vassouras voadoras, concursos de bruxedos, e demais atividades afins. Algumas bruxas gostam da brincadeira, mas outras (como a Maga e a Min) ficam perfeitamente entediadas com isso tudo.

Pensando nisso, o Bruxomestre, que é o organizador da coisa toda, resolve inovar com um concurso de bolos à moda mortal, ou seja, feitos sem usar magia. Para quem está acostumada a ter todo o serviço de casa feito com a ajuda de bruxaria, isso será realmente um desafio, o que só vai aumentar a confusão, é claro.

Bruxas bolo

Na verdade existe na bruxaria da vida real, e especialmente na religião Wicca, uma modalidade de “magia na cozinha“, que tem toda uma abordagem bastante peculiar aos quatro elementos clássicos e às propriedades sobrenaturais de ervas, temperos e demais ingredientes.

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Voltando à história, ela acaba sendo uma mistura de comédia pastelão, com bruxas caindo de cara nos bolos o tempo todo, com um festival de tombos e encontrões, especialmente com a Maga e a Min sendo atropeladas pelo Bruxinho Peralta e sua vassoura a jato pelo menos uma vez em quase todas as páginas. Há também um elemento das antigas brincadeiras de casinha das crianças de outrora, mas se eu disser o que é, vou estar dando spoiler…

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