O Último Dos Moipenas

História do Pena Kid, de 1984.

Nove anos após a clássica “O Vale dos Desaparecidos” papai volta ao primo Pena Sumida nesta nova fase do Vingador do Oeste para uma espécie de continuação da história anterior e desenvolvimento do personagem, contando um pouco mais sobre sua origem.

Da primeira para esta, por “gentil imposição” do editor, foi-se o Peninha Desenhista, foi-se a redação do Jornal, e foi-se o Tio Patinhas com sua rabugice. O Alazão de Pau agora é um cavalo de verdade, de nome Torniquete em uma paródia do Tornado, o cavalo do Zorro.

Mas mesmo assim, como se vê no quadrinho acima, (além de situar melhor o leitor e explicar de onde vem esse personagem) papai ainda consegue fazer com que o Peninha fique “subentendido” como o criador de mais esta história. Podemos não estar vendo o desenhista/argumentista em seu processo de criação, mas instintivamente sabemos que ele está lá.

O título da história é uma brincadeira com o livro “The Last of the Mohicans”, de 1826. Mais tarde, em 1992, um filme também foi feito sobre o tema.

Ele brinca também com a percepção do leitor a respeito de certas palavras e expressões. Assim, o significado que ele dá ao “último” dos Moipenas está mais para “o mais patético”, ou o “menos importante”, do que outra coisa.

A expressão “Ano da Graça“, que vemos no primeiro quadrinho, não se refere, é claro, a algo engraçado (apesar da interpretação do Pena Sumida – agora sob seu novo nome de “Quá-Quá”), mas sim à “Graça”, ou seja, a bênção, o milagre, do nascimento de Jesus Cristo. Ou seja, é uma maneira diferente de dizer que esta história se passa na Era Cristã (como todas as histórias do Velho Oeste, por sinal).

Por fim, “mil oitocentos e lá vai flechada” está para “índios” do mesmo modo que “mil oitocentos e lá vai pedrada” é uma tentativa de expressar a ideia de que uma época é tão antiga que pode ser comparada à Idade da Pedra.

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O Planeta dos Macacos

História do Pererê, de Ziraldo, composta em novembro de 1975 e publicada pela Editora Abril na revista A Turma do Pererê número 10 em abril de 1976.

Esta deve ser a mais original história de caçada de onça já escrita. A inspiração vem de “O Planeta dos Macacos“, livro de 1963 de Pierre Boulle que acabou virando filme pela primeira vez em 1968.

Mas a semelhança fica só no nome. Na trama, veremos o que começa como um cochilo coletivo da turma em uma morna tarde brasileira se transformar rapidamente em uma aventura no “meio do meio” da Mata do Fundão, para onde os macacos (primos do Alan) atraem a todos.

A situação também tem algo de “O Caso dos Dez Negrinhos“, romance policial de Agatha Christie, no fato de que os amigos vão sumindo, ou sendo levados, um a um, o que só aumenta a tensão toda.

O suspense só cresce até o momento em que, sozinho na escuridão da mata fechada, o Galileu se depara com um enorme e ameaçador ser que se intitula “Rei do Planeta dos Macacos”. Em troca da libertação dos amigos, esse “rei” exige que a onça se entregue para um “sacrifício”. Mas é também nesse momento que o “macacão” comete um erro crasso.

É um bom plano, como em todas as histórias nas quais papai usa esse expediente. Mas, no final, tudo não passa de mais uma tentativa dos Compadres de caçar o Galileu.

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As Aventuras De Pen-Hur

História do Peninha, de 1984.

Também poderia facilmente se chamar “As Desventuras de Pen Hur”, pela quantidade de encrencas pelas quais o herói terá de passar, mas “Aventuras” também está ótimo.

A inspiração vem do clássico filme “Ben Hur”, de 1959, estrelado por Charlton Heston. Juntamente com “Cleópatra” e outros do gênero, este foi um daqueles filmes épicos que marcaram várias gerações, chegando aos anos 1970 e 1980 ainda com a mesma fama e capacidade de cativar os espectadores.

A trama de papai como de costume consegue transformar um grande drama em uma comédia, mas ainda assim é razoavelmente fiel ao original. Quem conhecer a história do filme e ler a HQ, ou, ao contrário, ler a HQ e depois for ver o filme, certamente reconhecerá boa parte da história.

Os nomes dos personagens são todos adaptados, é claro, para um maior efeito cômico. Assim, o centurião Messala, principal vilão da história vira “Xatus Pacas”, por motivos óbvios, e o “centurião bom”, de nome Arrios, acaba virando “Arrius Equus”, em uma brincadeira com a expressão “arre, égua” e uma alusão ao amor dos romanos antigos por seus cavalos.

Alguns elementos são mantidos, como a mocinha por quem o herói é apaixonado sendo prometida contra a vontade a outro, as galés e a corrida de bigas, pontos fortes do filme. Outros elementos são atenuados, como a tentativa de suicídio do centurião bonzinho, que vira um acidente de quase afogamento no mar, e ainda outros são totalmente eliminados, como a existência da mãe e da irmã do herói, a doença delas e as referências ao Cristianismo. Essas partes mais trágicas e religiosas não “cabem” no estilo da Disney nem no número de páginas proposto para as histórias.

Como sempre, é um bom ponto de partida para que o leitor vá pesquisar mais um pouco, e de preferência ler um livro ou assistir a um filme ou dois.

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A Ameaça Dos Monstros

História do Morcego Vermelho, de 1975.

É noite de lua cheia! (Talvez seja até uma sexta 13) Monstros e mais monstros estão brotando do solo! (E desaparecendo misteriosamente logo em seguida) Nada é o que parece ser e vemos personagens mascarados, polícia ineficiente, uma empresa de fachada, um plano maléfico, um chefe misterioso, e um herói completamente confuso.

Poderia ser uma descrição da atual conjuntura política no Brasil (ou mesmo da que víamos 40 anos atrás, não há muita diferença, mesmo), mas é só uma história em quadrinhos.

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Papai estava inspirado quando compôs esta história, e a zoação reina solta: a principal vítima da gozação é mesmo o Morcego, mas o leitor também vai acabar meio zonzo, especialmente se começar a tentar descobrir o que está acontecendo.

Será que é coisa do Bruxinho Peralta e sua maleta de monstrinhos? Mas se é coisa das bruxas, para quê os vilões precisam usar máscaras para se disfarçar? Vai ser somente na quinta página, com o aparecimento dos Irmãos Metralha, que o leitor começará a entender o que está acontecendo.

Mas este plano está bem bolado (e – surpresa! – bem executado) demais para ser coisa só dos Metralhas. Quem é, afinal, o chefe misterioso que está dirigindo o caminhão da suposta empresa de sondagem de terreno (e supervisionando a tudo de muito perto)?

Se o leitor atento conseguir se recuperar do choque inicial, ele poderá finalmente ver uma pista importante sobre a identidade do “chefe”. Afinal, joalherias não são o alvo predileto dos Metralhas.

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A verdade é que este é mais um plano para “sutilmente” convencer o herói a tirar longas férias e assim poder roubar sem grandes impedimentos. Ele é tão bem sucedido que até o Coronel Cintra se convence de que o Morcego está vendo coisas e recomenda que ele vá ao cinema para se distrair. Não que o Morcego/Peninha não esteja realmente precisando de férias, ou pelo menos de pegar um cineminha, mas o tema dos filmes em cartaz realmente não ajuda.

Esta é uma história tão boa, tão engraçada, e com um mistério tão bem bolado, que papai sentiu a necessidade de “assinar” a obra. Assim, em uma época na qual isso não era permitido, pelo menos não oficialmente, ele se saiu com esta: sutil como uma tijolada na orelha.

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O Roubo Da Diligência

História do Pena Kid, de 1975.

A proposta é fazer uma grande sátira dos antigos filmes de faroeste, apontando de maneira bem humorada todos os clichês do gênero.

São aquelas cenas que “não podem faltar” em um filme de bangue-bangue, por mais batidas que sejam, desde a cena da emboscada dos bandidos, na primeira página, passando pelos mal disfarçados panos de fundo que imitam paisagens do “oeste selvagem”, o mocinho amarrado em uma estaca pelos índios que dançam à sua volta e até os truques baratos de câmera e de edição que foram os precursores dos atuais efeitos especiais.

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Como sempre o Peninha escreve e desenha e o Tio Patinhas dá palpites, que o quadrinista de A Patada vai tentando adaptar à história para satisfazer o tio e chefe, desde que isso não o obrigue a redesenhar a história toda, para poupar trabalho (primeira lição ao quadrinista iniciante: nunca tenha medo de rasgar tudo e começar novamente desde que, é claro, o resultado inicial esteja realmente ruim. Pois é, criar dá trabalho).

Isso, aliás, se relaciona com a história que comentei ontem, do Zé Carioca, que foi originalmente publicada na mesma revista que esta: tem a ver com a presença dos personagens principais na trama desde o início, para evitar que personagens “caiam de paraquedas” no meio da ação e confundam o leitor (e esta é a segunda lição de hoje ao quadrinista iniciante, além, é claro, de fugir dos clichês como o Diabo foge da Cruz 😉 ).

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Se a Min estava na história desde o primeiro quadrinho, mesmo que na forma de um siri ou caranguejo (mas ainda reconhecível para o leitor atento), onde é que está o Pena Kid na diligência do Banqueiro Patatinhas no primeiro quadrinho? E será que o leitor, atento ou não, terá alguma chance de identificar o personagem desde o início? E essa solução é mesmo válida, ou só vale para uma sátira?

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Zé Lamparina

História do Zé Carioca, de 1981.

Esta é mais uma da série “como não fazer um filme”. Desta vez a produção (que é mais um dos empreendimentos culturais da Rosinha) é mais séria, com boas fantasias e equipamentos de filmagem, atores “de verdade” convidados e até um diretor profissional, mas é claro que também não vai dar lá muito certo.

Como sempre papai abusa dos nomes satirizados, como Cecílio B. de Milho (Cecil B. DeMille) para o cineasta tio da Rosinha, e Tôni Rangos (Tony Ramos) para um certo ator que é um “famoso galã de telenovelas” e que será, aqui, o foco de todo o ciúme do Zé. O “Tio Cecílio” é criação de papai, e foi usado novamente em mais uma história com o tema cinema alguns anos depois.

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O Zé pode até ser parecido com Zé Lamparina, o Rei do Cangaço, que é mais uma brincadeira com o cangaceiro Lampião, mas é também um canastrão nato. Nenhuma cena com a presença dele pode resultar em alguma coisa que preste. E assim, de novo, a atuação descamba para algo parecido com as antigas brincadeiras de “bangue bangue” das crianças, incluindo os “tiros” dados aos berros, quando acaba a espoleta.

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O Cavalo-de-Ferro

História do Pena Kid, de 1976.

A estrela de hoje é o trem, e tudo gira em torno dele. A estrada de ferro está chegando a Pacífica City, no legendário faroeste, trazendo consigo o progresso e o desenvolvimento. Até mesmo o assalto cometido pelos Metraltons tem menos importância na história do que o trem, e o ataque dos índios também não passa de “cena de filme”.

E por falar em filmes, é neles que papai foi buscar a inspiração: “The Iron Horse” (O Cavalo de Ferro) é um filme mudo dos EUA que foi lançado em 1924, dirigido por John Ford e produzido pela Fox Film. Ele conta a história, iniciada em 1825, dos fatos, intrigas, disputas políticas e conflitos (incluindo a clássica cena do ataque dos índios) que levaram à abertura da primeira linha férrea nos EUA. Ele pode, aliás, ser assistido aqui, com as vinhetas (meio mal) legendadas em Português, mas está valendo.

Em 1966 uma série para TV, também ambientada no velho oeste e chamada de Iron Horse/Cavalo de Ferro, foi lançada com 47 episódios divididos em duas temporadas. A abertura dessa série pode ser vista aqui.

PK Ferro

O resto são os geniais meta-quadrinhos de sempre, primeiro com uma pequena demonstração de como se fazia o rafe, e depois com os costumeiros palpites do Tio Patinhas e as soluções mirabolantes do Peninha.

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