Os Sete Anões Maus

História do Mancha Negra, de 1976.

Não era incomum para papai repetir nomes de histórias, ou fazer variações sobre um tema. Já vimos isso acontecendo em outras postagens deste blog. Há outra história dele com os Sete Anões Maus e a Madame Min, de 1980, já comentada aqui, que parece ser uma versão melhorada desta que vemos hoje.

O que vemos aqui é um daqueles casos em que o editor mudou o nome da história. Mas quem for pesquisar nas listas de trabalho verá, em novembro de 1975, uma história de nove páginas chamada “Mancha Negra E Os 7 Anões (II)”. E quem for pesquisar no Inducks por histórias do Mancha com “7 Anões” vai acabar encontrando estas duas, e mais nenhuma outra.

Outros sinais de que papai passou por aqui são a citação de todos os nomes dos Anões, que ele sempre costumava repetir em quase todas as histórias que escrevia para eles, para que o leitor soubesse mais ou menos quem é quem, e a cena de briga na qual só aparecem onomatopeias, que ele usava bastante para vários personagens.

Mancha anoes Mancha anoes1

A trama é bem ao estilo de papai: perdido na Floresta Negra, lugar mágico onde até as árvores e plantas são vilãs e costumam morder, o Mancha Negra encontra com os Sete Anões Maus e idealiza um plano para se aproveitar deles. Enquanto isso, os Anões também têm ambições de passar a perna no Mancha. É o velho ditado em ação: “não existe honra entre ladrões”.

Mancha anoes2 Mancha anoes3

Obviamente, o plano de assalto não pode dar certo, mas o pior não é isso. Em uma espécie de “requinte de crueldade” de papai, o Mancha vai se dar duplamente mal, ser preso e inclusive passar por doido. Pois é, o crime não compensa.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

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A Montanha Enfeitiçada

História dos Escoteiros Mirins, de 1982.

Voltamos à Floresta Negra, onde (pelo menos nas histórias de papai) acontece a maioria das coisas misteriosas nas cercanias de Patópolis. Como todos sabem, é uma floresta enfeitiçada habitada por bruxas e outras pragas, na qual se passa boa parte da história da Branca de Neve e onde até as árvores costumam agarrar e morder os desavisados.

A missão dos meninos é chegar do Pico do Rola-Rola, que nunca foi escalado com sucesso. (No processo descobriremos também por que a montanha tem esse nome.) Os alpinistas que já tentaram juram que a montanha é enfeitiçada, mas os nossos racionais Escoteiros não acreditam em bruxarias. (O problema é que não acreditar nunca protegeu ninguém delas…)

Me parece que papai é um dos poucos que usam sempre os títulos de “G.E.N.E.R.A.L” e “C.H.E.F.E” como código para uma descrição bem mais detalhada das patentes dos adultos. O primeiro é “Grande, Enérgico, Nobre Escoteiro, Realmente Apto a Liderar”. O outro é “Combatente Heroico e Entusiasta Formidável do Escotismo”.

Uma vez iniciada a escalada coisas estranhas começam a acontecer, como pedras e tocos de árvores rolantes  que aparecem do nada, e vão machucando e tirando menino após menino da aventura. À medida que os obstáculos vão ficando cada vez mais misteriosos e perigosos, o leitor começa a se sentir convidado a investigar o que está acontecendo.

Mas é só quando os meninos são atacados por um misterioso pássaro que o leitor atento vai matar a charada. Há uma determinada bruxa que é mestra em transformações, mas que nunca consegue disfarçar muito bem a sua cabeleira cor de lavanda. E se nem os Escoteiros conseguem identificar o tipo do pássaro, é porque boa coisa não pode ser:

Escoteiros Montanha

Desta vez papai coloca o General e o Chefe para trabalhar também, eles que na maioria das histórias só ficam de longe observando com seus binóculos e distribuindo medalhas ou broncas. Que façam um pouco de esforço, para variar. E que, de quebra, deem de cara com aquelas mesmas coisas nas quais eles não acreditam. Afinal de contas (e como diz o velho ditado) “não creio em bruxas, mas elas existem sim”.

Escoteiros Montanha1

E agora, uma palavrinha de “nossos patrocinadores”: na revista Edição Extra número 137, onde esta história aparece pela primeira vez, temos um anúncio em forma de história em quadrinhos das Meias Lupo, de duas páginas. Esta história, e todo o desenvolvimento do personagem Coelhinho de Mola, também é de papai. Pelo que me consta, ele escreveu três destas peças promocionais, intituladas “A Lebre e a Tartaruga”, “Uma História de Amor” e “O Bicho Saltador”.

Lupo Bicho Lupo Bicho1

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Minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam. E não percam também a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Assalto Cheio De História

História do Sr. X, o Rei do Crime, e seu bando, de 1986.

Este é mais um encontro de personagens de mundos diferentes, desta vez com os Sete Anões da história da Branca de Neve. Além disso, é também um diálogo contínuo com o leitor.

O Sr. X está ficando sofisticado: pendura uma câmera fotográfica no pescoço do X-8 e o manda fazer um levantamento aerofotogramétrico da estrada de ferro que atravessa a Floresta Negra. E usa até um projetor, para exibir a foto. O objetivo é assaltar um trem que supostamente transporta carregamentos de diamantes por ali.

Os três capangas, X-1, X-2 e X-3, passam a história inteira reclamando que estão com fome, e isto terá importância para o desfecho da trama. Enquanto isso, papai vai “plantando” sutis pistas sobre que trem de diamantes poderia ser esse, começando, é claro, pela menção à Floresta Negra, onde o leitor atento (e fã de Disney) sabe que se passa parte da história da Branca de Neve.

Chegando à floresta, os bandidos estranham o tamanho da ferrovia, que nas fotos parecia maior (mais uma pista). Floresta Negra, ferrovia pequena… Então, descobre-se que o tal trem é quase um brinquedo, e que quem o está conduzindo são os Sete Anões. Mas até aí, nosso esperto leitor já sabia disso.

Sr X trem

Determinados a roubar os diamantes dos anões, o bando continua com o plano, forçando os anões a levá-los até a mina, onde carregam o trem de pedras preciosas e começam a viagem de volta. Mas os próprios diamantes são mágicos, e a coisa toda não é assim tão simples.

Quando a lenha para a caldeira do trem a vapor acaba e os capangas vão à floresta pegar mais e voltam comendo lindas maçãs bem vermelhinhas, nosso leitor já percebe que os nossos vilões vão se ferrar. É aí que se revela a presença da Bruxa Má. As maçãs, é claro, são envenenadas, e todos comeram delas, inclusive o corvo X-8.

Sr X bruxa

O caldo engrossa quando os ladrões acordam do sono mágico, sob a mira das armas dos Sete Anões, prestes a serem expulsos da floresta. Decerto receberam o clássico beijo de amor, mas… de quem???

Esta foi a última história de papai para o Sr. X e seus capangas, e ele certamente quis dar um “fim digno” aos personagens que criou, com o chefe do bando desparecendo correndo pela floresta afora com a Bruxa (agora já não tão) Má em seu encalço.