Fórmula Zé-Ro

História do Zé Carioca, de 1973.

As corridas de automóveis estavam entre os esportes prediletos de papai mas, ao contrário do Xadrez, isso era algo que ele não praticava. Fã do Emerson Fittipaldi, ele apenas gostava de assistir e se inspirar na perícia dos pilotos, mas nem tanto na velocidade, para dirigir defensivamente e acompanhar a manutenção dos vários carros que teve ao longo da vida.

Esta história tem como tema central a vontade do Zé de agradar à Rosinha, já que às vezes ela se cansa um pouco do estilo de vida folgado do namorado malandro. E como ela gosta de corridas (e de corredores), nada melhor do que se tornar corredor também. Mas, é claro, isso é algo que é mais fácil falar do que fazer.

A trama começa a ficar interessante quando o Zé se vê obrigado a improvisar, sempre com a ajuda do Nestor, o amigo que nunca o deixa na mão.

Já a “Gincana Surpresa”, organizada por um canal de TV, a “TV Visão”, é inspirada não apenas na Fórmula 1, mas também na Corrida Maluca e em histórias como “O Carrinho Fantástico”, que serviria de inspiração também para as histórias do Vavavum publicadas mais tarde na Revista Crás! e “O Pequeno Campeão” da revista Destaque e Brinque, todas já comentadas aqui.

O “Fórmula Zé-ro” (Fórmula 0) no nome da história seria uma referência às capacidades automobilísticas do Zé, já que, como piloto, ele realmente “não é de nada”. E, é claro, a gincana também não se chama “surpresa” por acaso…

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O Pequeno Campeão

Publicada na revista Destaque e Brinque 113, de 1981, esta história tem argumento de papai e desenhos de Rodolfo Zalla.

Esta publicação sempre continha as partes de um brinquedo para montar impressas em cartão, acompanhadas de uma história em quadrinhos sobre o mesmo tema.

Neste caso o tema é Fórmula 1, e a revista traz três carrinhos de corrida, box, alguns membros das equipes e até os personagens da história, para destacar, montar (eles diziam que não precisava de cola, mas uma gotinha aqui e ali certamente ajudava) e brincar.

D&BF1 personagens

Na história em quadrinhos, uma família composta pela filha Lucila (quem?), pelo filho Ivan (ein?), pela mãe Thereza (como?) e pelo pai Raul (???) vai assistir a uma corrida de automobilismo no autódromo, porque o menino é fã desse tipo de esporte. O menino, entusiasmado, quer ser piloto de corrida, e o pai resolve fazer a vontade do filho já no dia seguinte.

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Como vimos, alguns nomes foram mudados. Talvez o pessoal do estúdio tenha achado que “não cabia” mais de um Ivan na história, e mudaram o nome do personagem de papai. Além disso, também não consegui identificar os nomes dos personagens corredores profissionais, Cacá Santana e Beto Cruz.

O pai vai falar com seus amigos automobilistas, e com a ajuda deles acaba conseguindo promover uma corrida de “Fórmula 0”, que seria uma corrida de Karts com carroceria imitando a Fórmula 1. É claro que o personagem Ivanzinho vai participar, mas antes terá de treinar bastante e passar nos testes.

Esse era bem o meu pai, naqueles anos em Campinas. Conhecia todo mundo, todos o conheciam, e não havia projeto pessoal, artístico ou cultural que ele não conseguisse por em prática. Era só falar com as pessoas certas, e ele sempre sabia a quem se dirigir.

Nessa época meu irmão tinha 11 anos de idade, justamente a idade em que as crianças podem começar a correr, e se não me engano até participou de alguns treinos enquanto papai pesquisava para esta história, num Kartódromo em Campinas. Essa é a clássica história de papai que mistura ficção e realidade de um modo delicioso para mim.

Na história o Ivanzinho sai na frente, mas há um outro menino, um concorrente desleal, que tenta tirar o pequeno campeão da pista, sem sucesso. O mocinho da história vence a corrida, mas de marcha a ré, de forma completamente inusitada. É aí que o leitor atento começa a desconfiar que tem alguma coisa errada, aí… A história não é verídica, não passa de fantasia: é uma história em quadrinhos criada por um pai carinhoso para agradar aos filhos.

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