Buáá! Buáááá!

História do Pateta, publicada pela primeira vez em 1982.

Fui organizar a coleção, e acabei descobrindo uma revista que ainda não foi comentada. Vamos sanar este esquecimento agora.

Esta história é uma rara ocasião na qual o Pateta sai da sombra do Mickey, só para ser praticamente “sequestrado” por outro personagem dominante.

Mais do que tudo esta é a adoção de um personagem estrangeiro que, até a composição desta história por papai, não estava sendo usado no Brasil.

O lado bom é que, ao contrário de outros personagens que papai foi resgatando ao longo do tempo, a tia “dinâmica” do Pateta é engraçada e tem bastante potencial, e serve como uma bem vinda mudança de ares ocasional para o destrambelhado de Patópolis.

Tanto, que ela ganhou muitas outras histórias depois ao longo do tempo, pelo lápis de vários outros talentosos artistas nacionais.

A trama da história, sobre madeireiros ilegais e pássaros cujo canto se assemelha ao choro de um bebê é apenas um pretexto para uma aventura. Mais importante é a apresentação da Tia Giselda ao público brasileiro.

Já pássaros “chorões” até existem, mas geralmente são aqueles que aprendem a imitar os sons que ouvem, como papagaios, minás e outros.

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Perdidos No Vale Do Eco

História do Mickey, publicada uma vez só em 1975.

Trata-se de um bom mistério policial. Ao mesmo tempo em que vai armando uma armadilha quase perfeita para o herói (eu já avisei que não existe crime perfeito?), papai vai deixando todas as pistas possíveis para que o leitor o solucione.

Logo no último quadrinho da primeira página nosso leitor atento já terá a certeza de que há algo muito errado acontecendo. Mesmo com o mapa e as placas aparentemente apontando o caminho certo para uma suposta “Estância Azul” (o Google me mostra vários equipamentos turísticos com esse nome pelo Brasil afora, mas eu não me lembro de ter visitado nenhum deles), será que a placa de advertência caiu sozinha ou foi retirada?

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Com a progressão dos quadrinhos, um sofisticado plano maléfico vai se revelando: mapas adulterados, placas trocadas, sabotagem no carro do Mickey, e finalmente a “cereja do bolo” – o bandido deu o telefone do próprio esconderijo ao herói para poder falar com ele como se fosse o dono da tal estância. Tudo isso para tirar o rato do caminho, levando-o para longe no meio do deserto, e poder praticar um crime.

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Por fim, o mapa adulterado contém em si a solução para o problema, e o leitor que souber lê-lo poderá ficar tranquilo na certeza de que o Mickey vai conseguir dar a volta por cima e prender os bandidos. Afinal, é mais fácil trocar alguns detalhes em um mapa já existente, do que desenhar algo completamente falso. Sendo assim, caberá ao leitor decidir quais elementos no mapa são falsos, e quais são os verdadeiros.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Mistério No Garimpo

História do Mickey, publicada uma vez só em 1978.

É uma história de mistério policial para ninguém botar defeito, onde nada é o que parece e todos são suspeitos. Com uma denúncia misteriosa a investigar, uma população assustada em franco declínio na vila dos garimpeiros e caras nada simpáticas por todos os lados, o ambiente realmente não inspira confiança nenhuma.

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Conseguirá o leitor descobrir antes do Mickey quem são os culpados, e quem são os inocentes? Uma dica: o testado e comprovado método das histórias policiais clássicas de desconfiar justamente dos personagens menos suspeitos e exonerar os mal encarados não funciona, aqui. Esta é a “pegadinha” desta história. O mote, hoje, é justamente o velho e bom “não confie em ninguém”.

Ah, nem é preciso dizer que o fantasma também é falso, né? Em todo caso, ele é bem sólido e rende algumas cenas de suspense bastante dramáticas, como esta aqui abaixo. Não é à toa que ninguém tem coragem de ficar por ali.

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Mistério No Sítio

História da Vovó Donalda, de 1975.

Para defender seu sítio a Vovó tem o mesmo temperamento do Tio Patinhas, incluindo o velho arcabuz. A arma é arcaica, de mira incerta e baixa potência, mas faz bastante barulho e fumaça e serve para afugentar intrusos.

Este é mais um daqueles mistérios nos quais o leitor é “convidado” a bancar o detetive da história, e papai usa todos os truques de distração dos livros de contos policiais clássicos, incluindo colocar um personagem parecido com o Fuinha (comparsa do João Bafo de Onça) no papel de xerife para confundir e desviar a atenção do verdadeiro culpado.

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O problema é que o galo do sítio sumiu, e a vovó quer saber quem foi que roubou. E mais, temendo que o ladrão volte, e se sentindo insegura, ela se arma e fica alerta ao menor ruído, até mesmo quando está dormindo (de camisola e touca cor-de-rosa, lembrando um pouco a Vovó da Chapeuzinho Vermelho).

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No final a solução é simples, e o culpado pelo sumiço do galo na verdade é o personagem menos suspeito da história, como acontece também nas histórias policiais mais clássicas. Na verdade, a solução do caso do roubo do galo nem é a coisa mais importante na trama, mas sim fazer o leitor pensar um pouco, investigar, e se divertir com a trapalhadas do Gansolino.

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Os 30 Anos Da Revista Mickey

Papai participou em grande estilo das comemorações dos 30 anos da Revista Mickey, em um especial publicado em 1982.

Não apenas a “história de ligação” entre os vários clássicos apresentados é dele, mas além disso as únicas duas histórias nacionais que aparecem na revista também são dele. Nada mau para um personagem com o qual se dizia que papai tinha “pouca afinidade”.

A “história de ligação” como eu a chamo, é muito original e interessante. Ela vai acontecendo em partes, entre uma história e outra da coletânea, e além de ter a sua própria trama, vai apresentando as demais histórias da revista. À medida que o Professor Ludovico, (que é especialista em tudo, e por isso em Mickey também), vai relembrando as várias HQs que marcam a história do personagem, eles vão aparecendo, em miniatura, saltando de dentro dos gibis para a estante e fazendo a maior bagunça nas prateleiras.

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O Mickey, sempre sério e lógico, apressado para não se atrasar para a sua festa, a princípio não vê nada e até chama um médico para ver o Ludovico, o Doutor Cura Andeiro (jogo de palavras com “curandeiro” – olhem só papai deixando sua marca registrada de novo), que não apenas não acha nada além de um galo na cabeça do nobre colega Ludovico, como também vê a sala cheia de personagens de histórias em quadrinhos, para desespero do rato.

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É só quando a Minnie chega e alega também estar vendo os personagens nas prateleiras, que o segredo de como vê-los é revelado para o Mickey. Esse era também o maior segredo de todo o processo criativo de papai, que ele “entrega de bandeja”, aqui, para quem quiser ler e entender:

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No final tudo não passava de um plano do Ludovico para segurar o Mickey ali mesmo e fazer a festa com os amigos que vão todos chegando no decorrer das páginas e se reunindo, dentro de uma biblioteca cheia de gibis e na presença de todas as histórias mais marcantes e de todos os personagens em suas mais variadas versões e estilos, do mais antigo ao mais recente. É uma homenagem à altura do “personagem maior” da Disney, aquele por causa do qual tudo começou.