O Bicho Papão

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 10, em fevereiro de 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema da “fórmula de fazer crescer árvores” que papai criou para o Professor Pardal alguns anos antes e que foi publicada em 1980 na trama intitulada “Sementes da Confusão”. O problema básico é o mesmo: o desmatamento rápido e crescente que está acabando com a floresta e ameaçando os animais de extinção.

A solução proposta, também: uma fórmula química e meio mágica criada pelo cientista para promover o crescimento super-rápido de plantas dos mais variados tipos para recompor a floresta devastada.

Mas é claro que papai não se limitaria a fazer uma mera cópia de outra história. Aqui ele coloca elementos novos, como o Bicho Papão em pessoa (e também os Sacis, mostrados como animais da floresta, além de coelhos e outros bichos mais comuns) como vítima e queixoso do desmatamento, e a distribuição das sementes preparadas com a fórmula por via aérea.

O elemento que liga o começo ao final da história é o nervosismo de galinha da Xicória, que tem medo de tudo e de todos, pelo menos até a metade da história. Quando ela finalmente perde o medo, a situação então surpreendentemente se vira ao contrário, “contra” ela, para a diversão do leitor.

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O Dia Da Criança No Sítio Da Vovó

História da Vovó Donalda, de 1984.

Em mais um resgate das brincadeiras de infância de tempos que não voltam mais, temos hoje uma espécie de gincana organizada pela Vovó Donalda para seus netinhos. E como em outras histórias dessa turminha, enquanto as crianças do bem brincam, os Metralhinhas aprontam.

Essa é realmente uma sorte de quem teve espaço para brincar e correr livremente no sítio ou fazenda de amigos ou parentes, uma felicidade que papai conhecia bem e da qual tinha muitas saudades.

Assim, mais importante do que solucionar o problema do roubo das tortas, é mostrar brincadeiras como Pau de Sebo, Quebra Pote (Pinhata), Caça ao Porquinho (vídeo) e Cerca-Frango (semelhante à caça, mas com galinhas).

As duas últimas “brincadeiras” eram parte das atividades diárias de qualquer fazenda ou sítio, especialmente se seus moradores quisessem comer algo diferente de verduras, leite e ovos. Essa era também uma tarefa frequentemente dada às crianças, já que elas são mais ágeis e rápidas, e se cansam menos com a correria.

Enquanto os netinhos da vovó conseguem no fim pegar o porquinho, com um pouco de esforço, os Metralhinhas, uma vez descobertos e convidados a participar, se revelam bons cercadores de galinhas (por motivos óbvios, é claro, já que a quadrilha Metralha é composta por notórios ladrões dessas aves).

É também algo que papai fez muito, quando criança, para que minha avó pudesse cozinhar. E foi por esse exato motivo que, depois de adulto, ele passou a detestar qualquer alimento que contivesse o ingrediente.

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Mistério No Sítio

História da Vovó Donalda, de 1975.

Para defender seu sítio a Vovó tem o mesmo temperamento do Tio Patinhas, incluindo o velho arcabuz. A arma é arcaica, de mira incerta e baixa potência, mas faz bastante barulho e fumaça e serve para afugentar intrusos.

Este é mais um daqueles mistérios nos quais o leitor é “convidado” a bancar o detetive da história, e papai usa todos os truques de distração dos livros de contos policiais clássicos, incluindo colocar um personagem parecido com o Fuinha (comparsa do João Bafo de Onça) no papel de xerife para confundir e desviar a atenção do verdadeiro culpado.

Donalda misterio

O problema é que o galo do sítio sumiu, e a vovó quer saber quem foi que roubou. E mais, temendo que o ladrão volte, e se sentindo insegura, ela se arma e fica alerta ao menor ruído, até mesmo quando está dormindo (de camisola e touca cor-de-rosa, lembrando um pouco a Vovó da Chapeuzinho Vermelho).

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No final a solução é simples, e o culpado pelo sumiço do galo na verdade é o personagem menos suspeito da história, como acontece também nas histórias policiais mais clássicas. Na verdade, a solução do caso do roubo do galo nem é a coisa mais importante na trama, mas sim fazer o leitor pensar um pouco, investigar, e se divertir com a trapalhadas do Gansolino.

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O Ladrão Robadô

História do Urtigão, criada em 1982 e publicada pela primeira vez em 1986.

O título da história reflete o modo de falar do Urtigão, cheio de erros de português e regionalismos. De um modo simples e despretensioso, este é um mistério policial, com um desaparecimento a ser investigado, e uma divertida surpresa no final.

Nosso herói vai a Patópolis, mais exatamente à feira dos fazendeiros, para investigar o sumiço de uns “bichinhos” que ele acredita que foram roubados de seu sítio. Enquanto ele espera à mesa de uma lanchonete (para não atrair a atenção) até que algum suspeito apareça, os sobrinhos do Pato Donald aparecem, dispostos a gastar suas mesadas com sucos e sorvetes.

Urtigao meninos joca

Na descrição que ele faz dos bichos para os meninos, os desaparecidos fazem “có có có recó”, o que nos faz pensar em galinhas. Ao mesmo tempo fica a dúvida, pois dificilmente o experiente sitiante Urtigão não saberia o que é uma galinha. A principal pista do nosso mistério está aí: cacarejam, mas não são galinhas. Do jeito que o caipira fala, o leitor fica na dúvida até mesmo se são pássaros.

Urtigao meninos

Depois de causar a maior confusão na feira ao perseguir suspeitos e derrubar e quebrar coisas, gastando todo o dinheiro da colheita para pagar os prejuízos, o Urtigão deixa que os meninos o levem até a casa do Donald, para ver se o tio pode ajudar em alguma coisa. No caminho, o capiau ainda deixa escapar que os bichinhos desaparecidos são azuis, o que causa estranheza nos meninos. Que raio de bicho é esse? Será que o Urtigão finalmente endoidou?

Por coincidência, é no quintal dos meninos que os “bichinhos” estão. São pássaros, afinal de contas. Periquitos australianos, azuis como um céu de primavera, empoleirados numa árvore e cacarejando barulhentamente como galinhas. Não foram roubados, mas simplesmente fugiram em bando para explorar a região.

Urtigao periquitos

Reza a lenda que esses passarinhos podem aprender a falar, mas eu cheguei a ter alguns, e apesar dos nossos esforços “educacionais”, nunca ouvi sair deles outro som que não fosse nada mais que o natural para a espécie.

Enfim, a explicação para o cacarejar dos periquitos é que eles foram criados no galinheiro, por falta de lugar melhor no sítio. E por falar em galinhas, uma das cenas de bagunça na feira tem uma divertida correria atrás de algumas delas. Esta é uma lembrança de infância de papai, que quando criança morou numa fazenda e não raro caçava galinhas no terreiro para o almoço.

Urtigao galinhas