Um Dia, Um Gato…

História do Zé Carioca, de 1979.

O conceito do “gato que imita passarinho” é antigo, e já foi assunto para muitas piadas. Há quem diga que é lenda urbana, que gato nenhum consegue realmente imitar um pássaro, enquanto outras pessoas associam as vocalizações dos felinos quando avistam um pássaro próximo (mas obviamente inacessível) com alguma espécie de imitação ou chamado para a improvável presa.

Os muitos sons que os gatos produzem já foram exaustivamente estudados pelos mais diversos cientistas e especialistas em animais, mas ainda assim muita coisa sobre eles permanece um mistério.

A história de hoje se baseia em uma antiga piada sobre uma pessoa que leva seu gato a um show de calouros com a alegação de que o bicho saberia imitar passarinhos. Quando o animal não consegue cantar a pessoa é expulsa do palco sob gargalhadas, antes que possa demonstrar o “outro” talento do animal que se parece com o comportamento de um pássaro.

A graça da piada se baseia no fato de que a maioria das pessoas associa “imitar passarinho” com a reprodução do canto do pássaro em questão, mas a verdade é que aves têm mais características que podem ser imitadas, além dos sons que produzem.

O gato preto de miado diferente apelidado de “Duzentão” (por ser o ducentésimo gato adotado pelo Afonsinho) e levado na coleira em uma noite de lua cheia logo levantará as suspeitas do leitor atento, ainda mais quando coisas esquisitas começam a acontecer em sua presença. Parece que ele sabe fazer bem mais do que simplesmente “imitar passarinho”.

Mas tudo isso não quer dizer que os gatos em geral, e especialmente os pretos, ao que parece, não consigam produzir sons realmente admiráveis, como este gato no link que sabe latir como um cachorro.

Em todo caso, “saber falar mais de um idioma” não é privilégio dos gatos. Certos pássaros também vocalizam sons inusitados que imitam palavras humanas, cantam, sabem contar, rir, chorar e até mesmo “devolvem a gentileza”, imitando gatos e cachorros.

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Bruxópolis

História do Peninha, de 1974.

Em Bruxópolis, a cidade das bruxas, é aquela época do ano de novo: está acontecendo um Congresso de Bruxas e Bruxedos, e bruxas do mundo todo estão reunidas para o evento. E há bruxas de todos os tipos. Algumas são jovens e belas, outras são velhas senhoras, e muitas nem parecem humanas.

Enquanto isso, o Peninha está viajando em sua motocicleta e tentando encontrar o Rio da Pesca, por motivos óbvios. E como sempre acontece quando ele vai pescar, o Ronrom o está seguindo.

O Peninha não é um personagem que se veja às voltas com bruxas frequentemente, a não ser quando a Maga e a Min atacam a Caixa Forte de seu Tio Patinhas. Esta, então, é mais uma daquelas misturas insólitas e engraçadas de personagens de “universos” diferentes que era uma das marcas registradas de papai.

Peninha Bruxopolis

A confusão causada pelo encontro é das maiores e, apesar de não gostar nadinha do Peninha, o Ronrom é um gato que honra seus bigodes e não deixará o pato abilolado em apuros… sozinho.

Peninha Bruxopolis1

E depois de tudo, quando o leitor já se divertiu a valer com as peripécias e desventuras dos dois “trouxas” no meio dos bruxos e já se esqueceu até do motivo que levou nossos amigos até ali, papai joga o proverbial “balde de água fria” e nos lembra a todos que tudo aquilo não passa de uma história de pescador.

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A Má Magali

História das bruxas, de 1978.

Toda bruxinha boazinha também pode ter seu dia de malvada, e hoje á a vez da Magali. O expediente usado para “transformar” a menina é um dos clichês mais usados de todos os tempos, mas que nunca sai de moda: a “velha e boa” (só que não) pancada na cabeça.

Aparentemente, este é o único modo de fazer a bruxinha ficar má, porque, como sabemos, de acordo com as “leis da magia” das histórias em quadrinhos, não é possível mudar a índole de alguém por meio de magia. Ou a pessoa se convence a ser má por vontade própria, ou nada feito. E para que o efeito seja apenas temporário, já que não se pode mudar as características dos personagens de nenhuma maneira permanente, uma amnésia passageira é a melhor pedida.

Magali ma

Tudo isso por causa de uma poção que, ainda de acordo com as caprichosas leis da magia, não pode ser exposta à presença de uma pessoa boa. A poção, por sua vez, está sendo preparada para mais um dos frequentes concursos de bruxaria organizados pelo Bruxomestre. E o mais engraçado é que, mais uma vez, todas as participantes inventaram de apresentar um mesmo feitiço velho, cada uma de uma maneira levemente diferente. Assim não há concurso que aguente…

Magali ma1

E hoje temos a primeira (e única, por sinal) aparição de mais uma personagem criada por papai, a Bruxa Malvina. Ela é apenas uma coadjuvante sem muita importância, mas o nome começado com “mal” é bastante sugestivo para uma bruxa brasileira.

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O Gato Que Sabia Demais

História das bruxas, de 1975.

Vai haver mais um concurso de bruxarias em Bruxópolis, e desta vez a intenção é testar o adestramento e a obediência dos gatos das bruxas. O prêmio de mil asas de morcego da Pomerânia nem é realmente a principal motivação delas, mas sim o prestígio que a ganhadora conquistará aos olhos do povo da cidade das bruxas.

A Maga Patalójika tem o seu “Lúcifer”, um gato vesgo preto e branco que é perfeitamente obediente, e é com ele que ela pretende participar.

Bruxas gato

Já o Mefistófeles, o gato pardo da Madame Min, não está se sentindo particularmente dócil no momento. Não quer ir ao concurso, não quer participar de nada, nem colaborar com nada. Mas, chegado o grande dia, lá está ele em Bruxópolis, desacompanhado de sua dona e absolutamente bem treinado. A participação dele no concurso é espetacular, mas quem conhece bem a Madame Min sabe que algo está muito errado…

Bruxas gato1

O título da história é baseado no nome de um filme de mistério, suspense e espionagem de 1956, “O Homem que Sabia Demais”, dirigido por Alfred Hitchcock. Mas as semelhanças param por aqui. Na verdade, o “demais” no título se refere mais a algo que é “bom demais para ser verdade” do que outra coisa.

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Uma Reunião Gatastrófica

História do Ronrom, publicada pela primeira vez em 1974.

Esta história é um pouco diferente das aventuras habituais do personagem, mas não é menos engraçada. Desta vez o gato não está trás do Peninha para tentar ganhar peixes, nem nada do gênero. O pato abilolado e seu primo, o Pato Donald (dono do arisco bichano) nem aparecem.

Hoje ele está às voltas com a Maga Patalójika e as bruxas Madame Min e Vanda. As duas primeiras sabem que a terceira não tem um gato como ajudante e, orgulhosas (um pouco demais) de seus “familiares”, resolvem tentar humilhar a Vanda sugerindo um concurso de “Feitiços Felinos”. É nesse momento que o Ronrom entra na história, capturado da lata de lixo que ele estava revirando à procura de peixes pela vassoura da bruxa “desengatada”.

bruxas reuniao

Mas a arrogância das outras duas não vai ficar impune. Mesmo que sua captura tenha sido uma espécie de “punição” por estar revirando o lixo como um gato de rua qualquer ao invés de ficar em casa e tomar o leitinho oferecido pelo Donald, o Ronrom não está nem um pouco interessado em ser gato de bruxa.

O “Gatastrófica” do título é uma combinação das palavras “gato” e “catástrofe”. A primeira catástrofe, do ponto de vista do felino, é a sua captura. A segunda, a “gatástrofe” propriamente dita, é a confusão causada por ele na reunião das bruxas, para se vingar e conseguir escapar.

Parte da graça da história, aliás, está nos ingredientes das poções. Alguns são até bem comuns, e outros são totalmente impossíveis: pó de dentes de pterodáctilo, raiz de mandrágora, raspas de mandioca, sal de fruta, piolhos de corvo, escamas de unicórnio, cerdas de javali desdentado, espinhos, pó de ananás, raiz de sassafrás, creme de urtiga e antenas de formiga. Além da graça de certos absurdos (unicórnio tem escamas?), as palavras são usadas por sua sonoridade e até algumas rimas, e pelo menos uma (a mandrágora) é uma planta cercada de lendas, um ingrediente clássico de feitiços e remédios medievais.

bruxas reuniao1

Os ingredientes também têm a ver com as características de cada bruxa: a Maga fica com a mandrágora, tão “brava”, misteriosa e poderosa quanto ela própria. O corvo, o javali e o unicórnio estão relacionados com as ilhas britânicas e com a mitologia arturiana, ponto de origem da Madame Min. Os ingredientes mais “verossímeis” são os da Vanda, cujas primeiras aparições aconteceram em histórias de Dia das Bruxas (o conhecido Halloween, que se aproxima). Ananás e sassafrás (um tipo de canela) se parecem mais com os ingredientes de algum doce para brincar de “gostosuras ou travessuras” do que outra coisa.

Além disso, o chá de urtigas e os bolinhos de cactos mencionados no primeiro quadrinho certamente não são comuns ao paladar da maioria das pessoas, mas são certamente comestíveis e podem ser até mesmo muito nutritivos (tirando-se os espinhos, é claro). Mas sinceramente, é preciso ser muito “natureba” para tentar uma receita dessas.