Um Dia, Um Gato…

História do Zé Carioca, de 1979.

O conceito do “gato que imita passarinho” é antigo, e já foi assunto para muitas piadas. Há quem diga que é lenda urbana, que gato nenhum consegue realmente imitar um pássaro, enquanto outras pessoas associam as vocalizações dos felinos quando avistam um pássaro próximo (mas obviamente inacessível) com alguma espécie de imitação ou chamado para a improvável presa.

Os muitos sons que os gatos produzem já foram exaustivamente estudados pelos mais diversos cientistas e especialistas em animais, mas ainda assim muita coisa sobre eles permanece um mistério.

A história de hoje se baseia em uma antiga piada sobre uma pessoa que leva seu gato a um show de calouros com a alegação de que o bicho saberia imitar passarinhos. Quando o animal não consegue cantar a pessoa é expulsa do palco sob gargalhadas, antes que possa demonstrar o “outro” talento do animal que se parece com o comportamento de um pássaro.

A graça da piada se baseia no fato de que a maioria das pessoas associa “imitar passarinho” com a reprodução do canto do pássaro em questão, mas a verdade é que aves têm mais características que podem ser imitadas, além dos sons que produzem.

O gato preto de miado diferente apelidado de “Duzentão” (por ser o ducentésimo gato adotado pelo Afonsinho) e levado na coleira em uma noite de lua cheia logo levantará as suspeitas do leitor atento, ainda mais quando coisas esquisitas começam a acontecer em sua presença. Parece que ele sabe fazer bem mais do que simplesmente “imitar passarinho”.

Mas tudo isso não quer dizer que os gatos em geral, e especialmente os pretos, ao que parece, não consigam produzir sons realmente admiráveis, como este gato no link que sabe latir como um cachorro.

Em todo caso, “saber falar mais de um idioma” não é privilégio dos gatos. Certos pássaros também vocalizam sons inusitados que imitam palavras humanas, cantam, sabem contar, rir, chorar e até mesmo “devolvem a gentileza”, imitando gatos e cachorros.

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O Gato Preto

História publicada na revista Clássicos de Terror número 6, pela Editora Taika em 1973.

As três primeiras histórias desta revista são adaptações de contos de Edgard Allan Poe, um dos incontestes mestres do terror na literatura do Século XIX. Suas histórias são de um terror que começa sutil e vai se tornando cada vez mais acentuado, todas baseadas nas mais humanas das fraquezas das pessoas, e por isso mesmo são até os dias de hoje algumas das mais horripilantes que existem.

Esta história em particular descreve o conturbado relacionamento de um homem com seu gato preto de estimação ao longo dos anos, que termina da pior maneira possível, como é de se esperar em uma história de terror.

Como a história em si não é de autoria de meu pai, não vou entrar no mérito do roteiro. Mas pelo que me consta, foi papai quem adaptou o texto desta que é a terceira na revista para os quadrinhos, apesar de já estar trabalhando com quadrinhos Disney na época, para que meu tio, Luiz Saidenberg, pudesse aplicar a ela o seu maravilhoso estilo de desenho.

Na primeira página consta apenas a assinatura de meu tio, mas papai desde sempre tratou a obra como tão dele quanto do irmão, sempre com muito orgulho, e não vejo motivos para discordar disso. Note-se, inclusive, as marcas de fita adesiva e a anotação a lápis feita por papai no topo da primeira página, destinada a fazer a marcação para que uma facsimile dela fosse publicada num jornal de Campinas nos anos 1980.

E mesmo que esta adaptação seja mesmo somente de meu tio, fica aqui então o registro e o tributo à parceria deles em várias outras histórias do gênero nos anos 1960.

Tenho a impressão que, por causa da leitura deste conto quando era mais jovem, papai sempre foi meio desconfiado de gatos, enquanto eu desde sempre os adorei. Foi somente depois de adulto que ele resolveu “se dar por vencido”, aceitar meus gatos e se esforçar por gostar deles, já que não tinha mesmo muita alternativa. 😉

Gato Preto

Gato Preto1

 

Gato Preto2

Na Noite Da Floresta

História dos Escoteiros e Bandeirantes mirins, publicada pela primeira vez em 1974.

As meninas resolveram acampar, mas é uma sexta feira, dia treze, já está anoitecendo, e para piorar, o gato preto cruzou a estrada (bem na frente delas) e passou por debaixo da escada (e lá no fundo azuuul…) Até aqui já ficou claro que a ideia inicial para a história veio da letra da canção “O Vira“, da banda Secos & Molhados.

Mas… o que faz uma escada encostada ao tronco de uma árvore no meio da floresta? Quem a colocou lá, e por qual motivo? Logo vemos que ela é o acesso à casa da árvore dos Escoteiros, na verdade pouco mais que uma plataforma entre os galhos mais baixos, um ponto avançado de observação.

Vendo a movimentação e o medo das garotas, os meninos (que se acham orgulhosamente “homens”) resolvem segui-las para assistir o que eles acham que será o “espetáculo” da imperícia delas ao acampar.

Floresta

O “problema” é que eles não são os malvados Metralhinhas, e logo o deboche dá lugar a uma verdadeira preocupação com o bem estar das meninas e vontade de ajudá-las, mesmo que seja às escondidas.

Mas apesar do efeito mitigador da ajuda dos meninos, a zombaria inicial não vai ficar impune. As meninas estão com tanto medo que isso acaba influenciando também os “homens”, e quando um grande vulto escuro atravessa correndo a clareira no meio da escuridão, eles perdem a compostura e também dão no pé, para a segurança da casa da árvore.

Floresta1

Ao encontrar as meninas lá os meninos ainda tentam se fazer de valentes e dizer que não estão com medo, mas algo mais que eles perderam (além da compostura) “entrega o jogo” do susto que eles levaram e os obriga a engolir a valentia.

A moral da história é que nenhum homem deve ficar se sentindo “superior” diante das mulheres, e principalmente não quando elas parecem estar se sentindo inseguras ao praticar alguma atividade que eles acham que “pertence” a eles. Na noite de uma floresta escura, todo mundo esta sujeito a um susto ou dois.