A Gincana A Fantasia

História do Zorrinho, de 1983.

Semelhante à “Grande Gincana de Patópolis” de 1975, mas transportada para o universo das crianças e de suas antigas brincadeiras, esta também é uma corrida que será sabotada por membros da família Metralha. Mais exatamente, os Metralhinhas.

Os métodos desleais deles serão, aliás, mais ou menos os mesmos, incluindo as tachinhas espalhadas pelo caminho para estourar pneus, mas com uma trama bem mais simples, sem mapas nem grandes mistérios para o leitor resolver.

O tema adicional das fantasias serve, é claro, para criar um conveniente pretexto para a presença dos sobrinhos do Donald com sua fantasia predileta de Zorro. Mas hoje, em lugar dos cavalinhos de madeira com cabeça de meia, eles se locomoverão em bicicletas.

Seu objetivo, como na maioria das histórias do tipo compostas por papai, será defender as sobrinhas da Margarida das trapaças dos meninos malvados, sem revelar que eles são três e fazendo parecer que são apenas um patinho.

Interessante vai ser a reação dos Metralhinhas ao ver o Zorrinho levar a melhor. Eles são tão arrogantes em suas traquinagens desleais que até se esquecem de que o que estão fazendo é errado.

Muitas pessoas são assim até mesmo depois de adultas, não é mesmo? Adoram apontar o dedo para os erros dos outros, enquanto convenientemente se esquecem de seus próprios. E é desse modo que elas muitas vezes acabam denunciando a si mesmas, pela hipocrisia de seus atos.

Não se esqueçam, crianças: toda maldade é burra.

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O Dia Da Criança No Sítio Da Vovó

História da Vovó Donalda, de 1984.

Em mais um resgate das brincadeiras de infância de tempos que não voltam mais, temos hoje uma espécie de gincana organizada pela Vovó Donalda para seus netinhos. E como em outras histórias dessa turminha, enquanto as crianças do bem brincam, os Metralhinhas aprontam.

Essa é realmente uma sorte de quem teve espaço para brincar e correr livremente no sítio ou fazenda de amigos ou parentes, uma felicidade que papai conhecia bem e da qual tinha muitas saudades.

Assim, mais importante do que solucionar o problema do roubo das tortas, é mostrar brincadeiras como Pau de Sebo, Quebra Pote (Pinhata), Caça ao Porquinho (vídeo) e Cerca-Frango (semelhante à caça, mas com galinhas).

As duas últimas “brincadeiras” eram parte das atividades diárias de qualquer fazenda ou sítio, especialmente se seus moradores quisessem comer algo diferente de verduras, leite e ovos. Essa era também uma tarefa frequentemente dada às crianças, já que elas são mais ágeis e rápidas, e se cansam menos com a correria.

Enquanto os netinhos da vovó conseguem no fim pegar o porquinho, com um pouco de esforço, os Metralhinhas, uma vez descobertos e convidados a participar, se revelam bons cercadores de galinhas (por motivos óbvios, é claro, já que a quadrilha Metralha é composta por notórios ladrões dessas aves).

É também algo que papai fez muito, quando criança, para que minha avó pudesse cozinhar. E foi por esse exato motivo que, depois de adulto, ele passou a detestar qualquer alimento que contivesse o ingrediente.

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Zé Relâmpago

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é mais uma variação sobre o tema “corrida”, ou “competição”, no mesmo estilo de histórias como as que mostram gincanas, corridas de vassouras de bruxa, competições de aeromodelismo, ou corridas de tartarugas. No caso de hoje temos o resgate de um brinquedo bem brasileiro, mas que já estava caindo em desuso: os carrinhos de rolimã.

Nos tempos áureos das brincadeiras com esses veículos improvisados os meninos (principalmente) tinham orgulho em fazer, com muito capricho e os melhores rolamentos que conseguissem encontrar, seus próprios carrinhos para competir com os amigos. Alguns não passavam de tábuas com rodinhas, mas outros chegavam a ser bastante elaborados.

No afã de vencer a competição e ganhar mil cruzeiros o Zé não medirá esforços. Mas acaba se traindo por falar antes de pensar, e arranjando a vizinhança inteira como adversários.

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Outra coisa importante para que haja uma corrida de carrinhos de rolimã é a existência de uma ladeira no local da competição. O problema é que, no morro, existem ladeiras de todos os tipos, e nem todas são lá muito seguras. E agora, José?

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Se o Zé vai ou não ganhar a corrida nem é tão importante quanto o festival de trapalhadas e trombadas com o qual papai nos brinda nas páginas, até o surpreendente desfecho.

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Iau! Que Susto!

História do Zé Carioca, de 1975.

Em mais um “cross-over” entre personagens de universos diferentes, hoje a Madame Min está tentando assustar dois incautos aleatórios como tarefa em algum tipo de competição, como um concurso ou gincana.

É obvio que, para manter o suspense, a presença da bruxa vai sendo revelada aos poucos. Mas quem realmente conhece a Min vai perceber que ela está lá desde o primeiro quadrinho, na forma de um siri roxo como seus cabelos, e de enormes olhos verdes. Esta é também uma variação do “duelo de magia” contra o Mago Merlin, da história do Rei Artur na versão da Disney.

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A pergunta que parece ser o ponto de partida da trama é: o que realmente apavoraria dois folgados preguiçosos como o Zé e o Nestor a ponto de eles saírem correndo desembestados da praia? Obviamente, a resposta não está relacionada com coisas sobrenaturais. Aliás, há coisas bem reais no mundo que despertam mais medo em algumas pessoas do que qualquer assombração.

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Interessante é o que parece ser uma colaboração entre dois desenhistas na confecção da história que iria para a gráfica, de acordo com os registros no Inducks. O Canini, para a história em si, e o Sérgio Lima nas cenas onde aparece a bruxa propriamente dita. Papai realmente dava um trabalhão aos desenhistas de suas histórias, com sua fértil criatividade.

Em compensação, este sistema dos Estúdios Disney da época representa uma vantagem sobre os autores de quadrinhos independentes que costumam produzir uma história inteira sozinhos, do roteiro à arte final. Raros são os que convidam outro desenhista (um especialista em outro estilo de desenho) para colaborar com suas criações e torná-las visualmente mais ricas, preferindo tentar assumir o papel de “artista completo” ou “gênio solitário” com taxas variadas de sucesso.

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Zorrinhos X Metralhinhas

História do Zorrinho, de 1975.

A Gincana, como brincadeira infantil (e às vezes não tão infantil assim) onde um pouco de tudo pode acontecer, foi um tema ao qual papai voltou algumas vezes ao longo dos anos, tanto em histórias Disney quanto em outras, “não-Disney”.

O potencial humorístico de uma gincana, com os tombos e as confusões que podem acontecer, é grande, e o tema serve também como um resgate das antigas atividades infantis que, já nos anos 1970, estavam se perdendo entre os prédios das grandes cidades.

O título original desta história é “A Grande Gincana”, como atesta a faixa na largada da corrida de sacos, mas, como um pouco antes no mesmo ano outra história de título semelhante escrita por papai já havia sido publicada (A Grande Gincana de Patópolis, já comentada aqui), o editor achou por bem trocar o nome da história por este. Em 1982, quando ela foi republicada pela primeira vez, o título foi corrigido.

Zorrinho gincana

De resto, a trama é o que se pode prever para uma história com esses personagens: as meninas vão participar da gincana, os bandidinhos resolvem atrapalhar só para “zoar”, e os três sobrinhos do Donald se passam por um só Zorrinho para melhor confundir os Metralhinhas e proteger as suas amigas patinhas. O que torna esta história interessante nem é saber o que vai acontecer, afinal, os mocinhos sempre vencem no final de todas as histórias Disney, mas sim ver como eles vão fazer isso.

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A Grande Gincana

História do personagem Gordo, de Ely Barbosa, escrita em maio de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista “O Gordo” número 8, de 16/11/1987.

Como em várias outras histórias que papai escreveu para os personagens crianças (e até os não tão crianças assim) da Disney, aqui ele volta mais uma vez ao tema “gincana”, com mais uma variação. A gincana se justifica, no projeto do Ely Barbosa, por ser um resgate das antigas brincadeiras de criança.

Mas como sempre, ele não se limita a copiar uma ideia de um universo de personagens para outro, mas elabora sobre ela, fazendo uma história diferente a cada vez. Tivesse ele escrito 100 histórias sobre o tema, elas seriam 100 histórias bem diferentes umas das outras.

Hoje temos o Gordo interessado em vencer a gincana para impressionar a Lena, a menina de quem ele gosta. Mas é claro que no início ele tem tudo contra ele, a começar pela gordura corporal, e passando pela pouca habilidade e desconhecimento das provas em si.

Gordo gincana

A pouca intimidade com as provas de uma gincana, e as trapalhadas que ele faz para aprender já fazem parte da graça da história, dando ensejo a todos os tipos de quedas e acidentes para a diversão do leitor. Outra dificuldade é o pouco caso que amigos e rivais fazem dele, o que realmente não ajuda na motivação do personagem, mas faz o leitor rir um bocado. Os xingamentos são tantos e tão variados, que o personagem até cogita ir pesquisar um deles no dicionário, numa sutil dica de papai para seus leitores.

Gordo gincana1

Em todo caso, aos poucos o esforço do menino vai sendo reconhecido pelos amigos, que se dispõem a ajudar. Afinal, é só uma gincana, e o mais importante é tentar ensinar as crianças a fazer menos bullying e colaborar mais entre si.

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A Grande Gincana De Patópolis

História dos Irmãos Metralha, de 1975.

Esta é uma variação sobre o tema das provas preparatórias do Pateta Olímpico, de 1972. Papai retirou o tema das olimpíadas e adicionou um toque de “Corrida Maluca“, dando mais espaço para as trapaças dos Metralhas. Ate o mapa da prova é bastante parecido com o da corrida no Pateta Olímpico. E ele pode inclusive ser consultado, para ajudar o leitor a entender melhor os acontecimentos.

Mapa Patopolis   Mapa Gincana

A história é toda narrada pelos metralhas, que aos poucos vão revelando o tamanho da trapaça que fizeram. Um plano muito bem elaborado, aliás, mas como sempre com uma falha burra e calamitosa (pelo menos, para os maus).

O Peninha, otimista como sempre, é um dos últimos a se inscrever, meio por acaso e de última hora. Fica com o número 13, bem adequado ao “azarão” da prova. Em todo caso, ele não está muito preocupado em vencer. Ajuda os outros, para no caminho, se atrapalha todo, mas está feliz em participar. Tanto, que por um momento até se esquece do prêmio, que foi o motivo da sua inscrição. Ele gostaria de usar o dinheiro para consertar sua moto.

Gincana Pateta

Atenção para o misterioso helicóptero que acompanha tudo do alto, desde a segunda página. Um leitor menos atento pode nem notar, ou achar que não é nada, mas aos poucos sua função vai sendo revelada.

Gincana

Além disso, a história tem vários detalhes que são deixados para o leitor deduzir. Por exemplo: os Metralhas jogam tachas na estrada para estourar os pneus do carro do Donald, e é até possível ouvir os estouros dos pneus. Mas logo em seguida o Donald passa com o carro, estourando os pneus. Sendo assim, quem foi pego pelas tachinhas antes do Donald?

Esse era o tipo de coisa que papai esperava que o leitor pudesse deduzir, como se lesse um livro de mistério policial. Se o leitor estudar o mapa atentamente e prestar atenção na história, ele será capaz de resolver o mistério facilmente.