O Lugar Quase Perfeito

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

São só duas páginas, mas a curta aventura dos simpáticos bichinhos tem toda a força de um manifesto pela proteção do meio ambiente.

Não é de hoje que a expansão das grandes cidades, com suas obras barulhentas acompanhadas da derrubada até mesmo das últimas árvores restantes – sobreviventes – em meio ao mar de cimento, apesar de representar o “progresso” e um “avanço” para os seus moradores humanos, é um verdadeiro problema para as espécies animais que vivem (ou tentam viver) conosco no mesmo ambiente.

O que acontece “de vez em sempre” é que esses animais se vêem forçados a fugir pelo bem de suas vidinhas, abandonar suas árvores e tocas, e encontrar um novo lugar para se instalar, com resultados às vezes desconcertantes. Não é raro ver pássaros, mamíferos, insetos e até répteis fazendo seus ninhos em casas e demais construções humanas, para a surpresa e desconforto dos invasores do habitat animal.

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Esta história, aliás, contém mais uma das “sacadas proféticas” de papai, com a mudança forçada dos esquilos para um dos buracos de um campo de golfe: nas Olimpíadas deste ano no Rio, vimos, entre surpresos e divertidos, jacarés, corujas e capivaras exatamente nas imediações do local onde foram disputadas as partidas da modalidade.

A explicação, é claro, é a de que o campo de golfe olímpico invadiu o habitat dos animais, e não o contrário. Isso, aliás, porque ninguém mais se surpreende com os quero-queros nos campos de futebol.

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Mistério No Campo De Golfe

História do Zé Carioca, escrita em 1983 e publicada pela primeira vez em 1985.

Convidado para “ir ao clube” pela Rosinha, o nosso amigo papagaio mal sabe o que o espera. Para começar, o clube é de Golfe, e o “convite” é para carregar os tacos. Mais uma vez, as diferenças culturais entre pobres e ricos levaram a melhor sobre o Zé.

Mas logo, o que prometia ser uma tarde pacata de tacadas e longas caminhadas atrás da bolinha começa a se transformar em um mistério. Ao levar uma bolada do Zé, o Rocha Vaz confessa à filha que acha que coisas estranhas estão acontecendo, e tem quase certeza de que alguém está tentando acabar com ele. Seria apenas paranoia do “sogrão”, ou será mesmo verdade? É aí que o Zé resolve bancar o detetive, para quem sabe conseguir “ganhar uns pontos” com o pai da moça. O problema é que o Zé resolve se disfarçar para investigar, e o Rocha Vaz, que não é bobo nem nada, logo desconfia.

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A graça da trama é baseada em uma série de erros e reviravoltas, coincidências e confusões. Pancadas na cabeça são distribuídas a torto e a direito, e não há certeza nenhuma de que as suspeitas do Rocha Vaz sejam reais, e ele chega inclusive a se convencer de que é tudo fruto de sua imaginação, mas a verdade é que os heróis da história estão sendo observados de perto por um vulto de bico comprido, muito parecido com o velho tucano.

No final o Zé descobre, meio por acaso como sempre, que a tentativa de rapto é real, e consegue até mesmo salvar o “sogro”. E se é proibido aos argumentistas casar os personagens ou mudar partes realmente fundamentais de suas definições, papai consegue fazer aqui mais uma mudança de paradigma importante: o Rocha Vaz acaba por *concordar* com o namoro de sua filha com o papagaio (que pode até ser malandro, mas é boa pessoa).

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Apesar de todas as diferenças entre pobres e ricos não apenas no Brasil, mas no mundo todo, algumas coisas não dependem de quanto dinheiro alguém tem em sua conta bancária. Honestidade, retidão de caráter e dignidade humana são algumas dessas coisas, e isso o Zé tem de sobra.

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Acampamento Ideal

História do Peninha, de 1975.

O outro personagem principal da história é o Ronron, que segue o Peninha até o Acampamento Municipal de Patópolis porque acha que viu uma vara de pescar entre os apetrechos do pato, e espera conseguir roubar um peixe.

Mas só espera, pois o que ele realmente encontra é uma situação bem diferente. Como ele está fazendo algo errado em seguir o Peninha, já que os dois realmente não se bicam, é claro que os planos do Gato não podem dar certo.

Ronron acampamento

Em todo caso, e apesar da confusão causada pelo atrapalhado treinamento de golfe do Peninha, tudo está bem quando acaba bem e – pasmem – o Ronron acaba até ganhando um peixe do pato.

Nesta história podemos ver que o Ronron não é realmente mau: ele pode ser arisco, saber usar as unhas, mas na verdade só segue os seus instintos de gato faminto por peixes. No momento em que o Peninha se vê numa grande encrenca, o gato encontra o jeito de salvar-lhe as penas.

Na página 5 temos uma homenagem ao Jorge Kato, colega de papai na Abril, talvez inserido pelo Euclides Miyaura, que é o desenhista desta história, ou até mesmo por papai, numa de muitas “cutucadas” bem humoradas que ele dava nos amigos.

Jorge Kato acampamento