O Escoteiro Arteiro

História dos Escoteiros Mirins, de 1983.

Só quem tem, ou teve, um irmão bem pequeno e bem arteiro sabe a injustiça que é sempre levar a culpa por tudo o que ele apronta só porque os adultos acham que ele é “pequeno demais” para aprontar tanto.

Escoteiro arteiro

No caso dos escoteiros Huguinho, Zezinho e Luisinho a praguinha é um priminho, mas o resultado é o mesmo. Não há escoteiro que aguente, e nossos amiguinhos quase serão rebaixados no processo.

Escoteiro arteiro1

A ideia de papai aqui é meio que “subverter” todas as regras de um acampamento de escoteiros, fazer o Biquinho quebrar todas elas e avacalhar com tudo, no velho estilo das animações clássicas do Pateta sobre como NÃO fazer determinada atividade. Isso tudo, e ainda por cima destruir o acampamento e inventar mais algumas maluquices e confusões “por conta”.

Tudo o que nunca deveria acontecer em um acampamento de escoteiros bem organizado. Até quando o patinho tenta agir corretamente ele consegue causar confusão, e é justamente esse grande exercício em absurdos que faz esta história ficar tão engraçada.

No final fica a dica para qualquer menino que queira ser um escoteiro. Ao chegar em um acampamento de verdade, ele pelo menos saberá o que não fazer.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

A Montanha Enfeitiçada

História dos Escoteiros Mirins, de 1982.

Voltamos à Floresta Negra, onde (pelo menos nas histórias de papai) acontece a maioria das coisas misteriosas nas cercanias de Patópolis. Como todos sabem, é uma floresta enfeitiçada habitada por bruxas e outras pragas, na qual se passa boa parte da história da Branca de Neve e onde até as árvores costumam agarrar e morder os desavisados.

A missão dos meninos é chegar do Pico do Rola-Rola, que nunca foi escalado com sucesso. (No processo descobriremos também por que a montanha tem esse nome.) Os alpinistas que já tentaram juram que a montanha é enfeitiçada, mas os nossos racionais Escoteiros não acreditam em bruxarias. (O problema é que não acreditar nunca protegeu ninguém delas…)

Me parece que papai é um dos poucos que usam sempre os títulos de “G.E.N.E.R.A.L” e “C.H.E.F.E” como código para uma descrição bem mais detalhada das patentes dos adultos. O primeiro é “Grande, Enérgico, Nobre Escoteiro, Realmente Apto a Liderar”. O outro é “Combatente Heroico e Entusiasta Formidável do Escotismo”.

Uma vez iniciada a escalada coisas estranhas começam a acontecer, como pedras e tocos de árvores rolantes  que aparecem do nada, e vão machucando e tirando menino após menino da aventura. À medida que os obstáculos vão ficando cada vez mais misteriosos e perigosos, o leitor começa a se sentir convidado a investigar o que está acontecendo.

Mas é só quando os meninos são atacados por um misterioso pássaro que o leitor atento vai matar a charada. Há uma determinada bruxa que é mestra em transformações, mas que nunca consegue disfarçar muito bem a sua cabeleira cor de lavanda. E se nem os Escoteiros conseguem identificar o tipo do pássaro, é porque boa coisa não pode ser:

Escoteiros Montanha

Desta vez papai coloca o General e o Chefe para trabalhar também, eles que na maioria das histórias só ficam de longe observando com seus binóculos e distribuindo medalhas ou broncas. Que façam um pouco de esforço, para variar. E que, de quebra, deem de cara com aquelas mesmas coisas nas quais eles não acreditam. Afinal de contas (e como diz o velho ditado) “não creio em bruxas, mas elas existem sim”.

Escoteiros Montanha1

E agora, uma palavrinha de “nossos patrocinadores”: na revista Edição Extra número 137, onde esta história aparece pela primeira vez, temos um anúncio em forma de história em quadrinhos das Meias Lupo, de duas páginas. Esta história, e todo o desenvolvimento do personagem Coelhinho de Mola, também é de papai. Pelo que me consta, ele escreveu três destas peças promocionais, intituladas “A Lebre e a Tartaruga”, “Uma História de Amor” e “O Bicho Saltador”.

Lupo Bicho Lupo Bicho1

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Minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam. E não percam também a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

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É Fogo Na Roupa!

História dos Escoteiros Mirins, publicada pela primeira vez em 1983.

Esta é mais uma daquelas tramas em estilo de mistério policial. Nela, papai “brinca” com o que o leitor sabe (ou pensa que sabe) sobre o universo dos Escoteiros Mirins para lançar pistas falsas e tornar mais difícil a solução de um mistério que na verdade não deveria ter nada de misterioso, já que 11 anos antes, em 1972, Karl Barks havia escrito a história na qual esta é inspirada.

Temos os Escoteiros, juntamente com os Generais Huguinho, Zezinho e Luisinho, numa expedição de acampamento na floresta, o Chefe, que deixa os meninos sozinhos para ir buscar uma encomenda na cidade, e uma misteriosa figura que espreita o acampamento, tentando a todo momento provocar um incêndio para fazer parecer que foram os escoteiros que botaram fogo no mato. Desse personagem misterioso só se vê uma mão e o punho da manga de uma camisa com uma listra escura seguida por uma clara.

Tudo é feito de modo a lançar as suspeitas sobre o Pato Donald que, todo mundo sabe, é cheio de querer sabotar os Escoteiros senão apenas para mostrar o quanto ele é esperto. Mas também desta vez, como na outra história, o Donald é inocente do incêndio.

A solução, como sempre, está nos detalhes: no quadrinho abaixo podemos ver uma listra clara a mais na manga do incendiário maluco, um tal de Mané Faísca. Por esta pista, e apenas esta (colocada no desenho por papai com instruções específicas na margem da página do rafe, com toda certeza), é possível deduzir que o Donald não tem nada a ver com a bagunça toda.

Escot Fogo

Outro detalhe interessante é a configuração da fogueira que os meninos constroem no acampamento, copiada diretamente das páginas do Manual do Escoteiro Mirim:

Escot Fogo1

 

Aviso aos navegantes: este blog não comenta desenhos. Meus comentários aqui dizem respeito somente aos argumentos/roteiros escritos por papai para suas histórias em quadrinhos. E acreditem, já há bastante o que comentar só nessa parte. Os desenhos das histórias de papai, via de regra, eram feitos por outros artistas, tão talentosos quanto, mas que não são o foco deste blog. Se o leitor quiser saber quem desenhou esta história, por favor acesse o link do Inducks, que fica na data de publicação da HQ, no início deste comentário.

O Misterioso Ermitão

História dos Escoteiros Mirins, de 1985.

Sob o pretexto de nos apresentar mais uma aventura dos escoteiros, papai vai enchendo as páginas de palavras novas e outros conceitos que, ele esperava, os leitores fossem se interessar em pesquisar mais a fundo para enriquecer seu vocabulário e cultura geral.

Assim temos, antes de mais nada, uma pequenina aula sobre espeleologia, que é a ciência que estuda as cavernas.

O personagem Tiquinho faz o papel do leigo, aquele que não entende nada do assunto e faz todas as perguntas “bobas”, e com o qual o leitor pode se identificar, e aprender. Ele não está sozinho em sua “ignorância”, portanto não precisa se sentir mal por não saber tudo o que os escoteiros sabem.

Escoteiros ermitao

Depois da espeleologia, somos apresentados também às palavras ermitão (ou eremita, pessoa que prefere se isolar da civilização) e archote (um tipo de tocha).

Enquanto os meninos exploram as cavernas, nos deparamos com estalactites e estalagmites (que são formações rochosas típicas desse ambiente). Mas de repente eles acham também uma rolha de garrafa, o que adiciona a presença de um elemento humano lá dentro e inicia o mistério: quem mais está ali, e por quê? Seria mesmo o tal ermitão que dá nome ao morro?

Tiquinho ermitao

Quem primeiro avista o misterioso habitante da caverna é justamente o Tiquinho, e esse avistamento inicia uma correria que acaba levando os meninos a se perderem no subterrâneo. Sem saída aparente, só resta a eles enfrentar o ermitão, que se revela ser o Urtigão disfarçado à procura de um pouco de sossego, já que seu sítio foi “invadido” por turistas.

Assim, o problema subitamente se transforma na solução, e o Urtigão, que é “escoteiro honorário”, leva seus coleguinhas à saída e ao desfecho da história, tão óbvio quanto surpreendente, e por isso mesmo engraçado.